Page 9 - Revista SPEMD 2020 61 - SUPLEMENTO - FINAL
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rev port estomatol med dent cir maxilofac. 2020;61(S1):1-38 7
tomáticas da doença, dificultando o diagnóstico. A sua lumosa tumefação submandibular direita, tensa e dolorosa,
etiologia permanece desconhecida, tornando o seu trata- que passa a linha média. Identificam -se múltiplas cáries,
mento um desafio. Descrição do caso clínico: Doente do destacando -se cárie extensa de 4.7 e restos radiculares de
sexo masculino, 63 anos, com antecedentes de paralisia 4.8 com abaulamento vestibular e do hemipavimento direito.
facial há cerca de 2 anos, enviado à consulta externa de Em tomografia computorizada é descrita coleção ´subman-
Estomatologia do Centro Hospitalar e Universitário de dibular direita, adjacente ao ângulo da mandíbula(...) que se
Coimbra por episódios de repetição de macroquelite do lá- prolonga para região submentoniana(...) sugerindo processo
bio superior e edema da hemiface direita. Já tinha sido rea- inflamatório (angina de Ludwig)”. Analiticamente verifica -se
lizada biópsia incisional do lábio com resultado inconclu- leucocitose, neutrofilia e PCR elevada. Opta -se pelo interna-
sivo e instituído tratamento sistémico com corticosteróide, mento sob antibioterapia endovenosa. Após diminuição ini-
ao qual o doente respondeu favoravelmente, mas com reci- cial da tumefação submandibular, regista -se nova extensão
diva da sintomatologia após alguns meses. O estudo de contralateral e agravamento do trismo, pelo que se procede
alergias foi negativo. Na consulta, ao exame objetivo, o à extração de 4.7 e restos radiculares de 4.8, drenagem in-
doente apresentava edema indolor do lábio superior e da traoral e percutânea submandibular, sob anestesia geral. O
hemiface direita, língua fissurada e uma lesão infiltrativa doente tem alta com resolução clínica e analítica do quadro.
na mucosa jugal, à qual se realizou biópsia por técnica de Discussão e conclusões: A evolução de infeções odontogéni-
punch. O exame anátomo -patológico revelou a existência cas frequentemente é imprevisível, sendo o diagnóstico e
de um infiltrado de linfócitos, mastócitos e raros eosinófilos intervenção adequados, essenciais para minimizar compli-
dispersos, de localização angiocêntrica, com vago padrão cações graves. A abordagem inicial da Angina de Ludwig in-
granulomatoso, compatível com Síndrome de Melkersson- clui a manutenção da patência da via aérea e tratamento da
-Rosenthal. Discussão e conclusões: Trata -se de um caso infeção, com recurso a antibioterapia endovenosa. Ficando
de Síndrome de Melkersson -Rosenthal que, embora em mo- a abordagem cirúrgica reservada a casos não responsivos a
mentos temporais distintos, apresenta os três sintomas antibioterapia e com evidência de formação de coleção loca-
característicos da doença – edema orofacial, língua fissura- lizada. No caso descrito, optou -se pelo internamento do
da e paralisia facial. O tratamento da doença depende es- doente sob antibioterapia, para monitorização e intervenção
sencialmente da gravidade das manifestações clínicas, sen- cirúrgica.
do que a maioria dos doentes que apresenta macroquelite http://doi.org/10.24873/j.rpemd.2020.12.740
beneficia de tratamento tópico, sistémico ou intra -lesional
com corticosteróides. O tratamento cirúrgico de remodela-
ção, por vezes, pode ser necessário. #017 Fibromatose Gengival Localizada
http://doi.org/10.24873/j.rpemd.2020.12.739 – a propósito de um caso clínico
Maria João Dias*, Ana Melissa Marques, André Saura, Laura
Nobre Rodrigues, Isabel Pina Monteiro, José Pedro Figueiredo
#016 Abcesso Odontogénico com Progressão
para Angina de Ludwig, Um Caso Cirúrgico Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra
Carolina Carreiro*, Mariana Maia, Rita Martins, Salomé
Introdução: A fibromatose gengival é um aumento gen-
Cavaleiro, Carina Ramos, Mariana Moreira
gival de progressão lenta, ocasionado por um crescimento
Serviço de Estomatologia do Centro Hospitalar Universitário colagenoso excessivo do tecido conjuntivo fibroso gengival.
de São João É uma condição rara, que pode ser familiar ou idiopática. As
alterações gengivais podem ser generalizadas ou localizadas
Introdução: A maioria das infeções cervicofaciais tem a um ou mais quadrantes. A maxila é afetada com mais
origem odontogénica. O processo inflamatório progride pelo frequência e demonstra um maior grau de aumento, sendo
trajeto que lhe confere menor resistência, podendo dissemi- as superfícies gengivais palatinas normalmente mais espes-
nar pelos planos fasciais de tecido mole e atingir espaços sas do que as vestibulares. Nos casos localizados, um padrão
cervicais profundos. Quando o foco odontogénico é mandi- distinto e comum envolve a crista alveolar maxilar posterior.
bular, o espaço submandibular tem sido consistentemente Nesse padrão, o tecido hiperplásico forma massas simétri-
reportado como o mais afetado. No caso relatado, a dissemi- cas bilaterais que se estendem posterior e palatinamente às
nação rápida, agressiva e bilateral dos espaços sublingual, cristas alveolares posteriores. Descrição do caso clínico:
submandibular e submentoniano condicionou uma Angina Homem, 63 anos, foi encaminhado para a consulta de Esto-
de Ludwig, uma emergência estomatológica. Descrição do matologia por tumefação no 1.º quadrante, assintomática,
caso clínico: Um jovem de 27 anos, do sexo masculino, re- desconhecendo o tempo de evolução. Como antecedentes
corre à urgência do Serviço de Estomatologia no Centro Hos- pessoais, refere ser fumador e asmático, medicado com Gi-
pitalar Universitário de São João, por odontalgia no 1.º e 4.º biter (Fumarato de Folmoterol Budenosida) e Montelucaste.
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quadrantes, com 3 dias de evolução. Um dia após início do Nega uso de prótese superior ou inferior e nega anteceden-
quadro, surge tumefação submandibular direita, limitação tes familiares de relevo. Ao exame objetivo, o doente, des-
de abertura de boca e febre. Dois dias depois, regista novo dentado parcial superior – Classe II modificada na classifi-
agravamento, somando -se disfagia. Ao exame físico, cação de Kennedy – apresentava um espessamento gengival
apresenta -se subfebril e com trismo marcado. Palpa -se vo- bilateral nas superfícies palatinas das cristas alveolares

