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rev port estomatol med dent cir maxilofac. 2020;61(S1):1-38 3
gica não havendo, normalmente, recidivas. A realização de #006 Fibro ‑odontoma amelobástico extenso
exames radiográficos de rotina é importante para a deteção com invasão do seio maxilar
precoce de lesões silenciosas, como os odontomas, evitando-
-se desta forma algumas das complicações inerentes à pre- Dr Yashad Y. Mussá*, Carlos Zagalo, Paulo Retto
sença destas patologias. Hospital de São José; Centro de investigação interdisciplinar
http://doi.org/10.24873/j.rpemd.2020.12.729 Egas Moniz
Introdução: Fibro -odontoma ameloblástico é um raro tu-
#005 Um caso de Oligodontia ligado mor odontogénico misto, benigno, de crescimento lento que
ao cromossoma X afeta os maxilares, mais frequentemente a região posterior da
mandíbula. Clinicamente pode manifestar -se por atraso na
Maria Inês Borges*, Ana Melissa Marques, Frederico erupção dentária, aumento de volume da área afetada ou na
Gonçalves, Sofia Correia, Maria Fátima Carvalho, José Pedro
maioria dos casos ser completamente assintomático. Radiolo-
Figueiredo
gicamente é uma lesão radiotransparente uni ou multilocular
Serviço de Estomatologia – Centro Hospitalar e Universitário com variável conteúdo radiopaco. O tratamento é cirúrgico,
de Coimbra; Serviço de Cirurgia Maxilo -Facial – Centro raramente recidivam e o prognóstico é favorável. Descrição do
Hospitalar e Universitário de Coimbra caso clínico: Sexo F, 15 anos, raça indiana, saudável, assinto-
mática, observada por apresentar lesão expansiva no 2.º qua-
Introdução: A agenesia dentária é um dos distúrbios do drante detetada em ortopantomografia de rotina. A lesão era
desenvolvimento dentário mais comuns na dentição humana predominantemente radiopaca, circunscrita por uma ligeira
e é caracterizada por falha no desenvolvimento dentário. De margem radiotransparente, com extensão para o seio maxilar
acordo com a gravidade pode ser classificada como: hipodon- ipsilateral. A tomografia computorizada mostrou formação
tia (ausência de até 6 dentes, excluindo terceiros molares), tumoral odontogénica, quística, calcificada medindo 3,2x2,8x2
oligodontia (ausência superior a 6 dentes, excluindo terceiros cm de extensão, na região posterior do maxilar superior es-
molares) e anodontia (ausência de todos os dentes). A oligo- querdo, com pequenas erosões ósseas posteriores e cresci-
dontia e a anodontia são condições raras. Quando há ausên- mento para o seio maxilar esquerdo. Foi submetida a maxilec-
cia de múltiplos dentes deve ser realizado o estudo diagnós- tomia parcial com excisão do tumor e curetagem. O exame
tico de displasia ectodérmica. É por isso essencial a sua anatomopatológico mostrou uma proliferação mesenquima-
identificação/diagnóstico precoce. Foram identificados vários tosa semelhante à da polpa ou papila dentária primitiva, que
genes cujas mutações podem originar agenesias dentárias envolve ilhéus epiteliais em forma de bastonete, compatível
não sindrómicas. O gene EDA é um dos genes identificados, com o diagnóstico de Fibro -odontoma ameloblástico. Discus‑
encontra -se localizado no cromossoma Xq12 -13.1 e a sua ex- são e conclusões: Descrevemos um caso de fibro -odontoma
pressão afecta maioritariamente incisivos, caninos e pré- ameloblástico, que faz parte do grupo de lesões classificadas
-molares. Descrição do caso clínico: Criança, sexo masculino, como tumores odontogénicos benignos, mistos (epitelial e me-
9 anos de idade, referenciada por oligodontia à Consulta Ex- senquimal). É uma doença pouco comum, que afeta a popula-
terna do polo HP do Serviço de Estomatologia do CHUC. Após ção jovem, na grande maioria de forma assintomática, poden-
realização de exame objectivo e avaliação de ortopantomo- do no entanto causar tumefação, assimetria facial e atraso na
grafia, verificou -se agenesia dos dentes 12, 14, 15,17, 22, 24, erupção dentária, geralmente associado a coroa de um dente
31, 32, 34, 41, 42, 43, 44 e 45, num total de 14 agenesias. Não incluso. O caso em apreço, apesar da sua apresentação típica,
apresentava sinais de hipohidrose, nem outras alterações de não aparenta estar associado a um dente incluso. O tumor foi
relevo. O crescimento e o desenvolvimento eram adequados completamente excisado cirurgicamente, a doente encontra-
à idade. Realizou, através da Consulta de Genética, testes mo- -se em seguimento e não apresenta sinais de recidiva.
leculares que identificaram a variante c.6972_689del no gene http://doi.org/10.24873/j.rpemd.2020.12.731
EDA, em hemizigotia. História familiar: irmão, sexo masculi-
no, 5 anos de idade, com história de oligodontia e estudo
molecular que revelou a mesma variante. Discussão e con‑ #008 Diaminofluoreto de prata: ilustração
clusões: No estudo molecular identificou -se uma mutação no de aplicação clínica em Odontopediatria
gene EDA, com necessidade de enquadramento clínico. A Bárbara Cunha, Ana Daniela Soares, Joana Leonor Pereira,
criança não apresentava estigmas de displasia ectodérmica,
nem história familiar da doença. Assim, admitiu -se tratar -se Maria Teresa Xavier, Ana Margarida Esteves*, Ana Luisa Costa
de um caso de oligodontia isolada ligada ao cromossoma X Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
– dominante. A rara frequência de apresentação e a necessi-
dade de abordagem multidisciplinar tornam este caso bas- Introdução: A cárie dentária acomete com níveis rele-
tante pertinente. Trata -se de uma patologia ligada ao cromos- vantes de prevalência crianças, particularmente em países
soma X, pelo que, se o doente, no futuro, tiver descendentes em desenvolvimento e/ou socioeconomicamente desfavo-
do sexo feminino, estas serão obrigatoriamente portadoras recidas. Ainda que num elevado número de casos a aborda-
da alteração no gene EDA – pelo que o aconselhamento ge- gem recomendada possa passar pelo tratamento restaura-
nético será fundamental. dor convencional, o mesmo pode não ser exequível por
http://doi.org/10.24873/j.rpemd.2020.12.730 múltiplas condicionantes, destacando -se dificuldades no

