Page 13 - Revista SPEMD 2020 61 - SUPLEMENTO - FINAL
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rev port estomatol med dent cir maxilofac. 2020;61(S1):1-38 11
sultado revelou, presença de displasia epitelial oral tológicas nomeadamente, parotidite vírica, Síndrome de Sjö-
moderada a severa, com diagnóstico anatomo -patológico de gren e sarcoidose. Não existe um conjunto amplamente acei-
eritroleucoplasia. Após uma semana de pós -operatório, te de diretrizes para estabelecer o diagnóstico. Os testes
observou -se melhoria clínica e boa cicatrização. Na consulta analíticos recomendados incluem os anticorpos (anti -Ro/SSA
no segundo mês de pós -operatório, mantinha boa cicatriza- and anti -La/SSB) e a medição dos níveis da enzima conver-
ção e pequenas lesões brancas na zona posterior à excisão. sora da angiotensina, que são normais na parotidite juvenil
Após a última avaliação decidiu -se manter a doente sob vi- recorrente. A ecografia ajuda a suportar o diagnóstico, e é o
gilância trimestral e intervir caso ocorram modificações o teste de imagem inicial preferido. O tratamento das crises é
justifiquem. Discussão e conclusões: a deteção e o diagnós- sintomático, associando -se antibioterapia se se verificar so-
tico precoce das lesões potencialmente malignas faz parte breinfeção, e incentivando -se o reforço hídrico e massagem
do exame de Estomatologia. No que diz respeito ao trata- local de drenagem. Neste caso, o doente mantém -se em se-
mento, a melhor abordagem consiste na combinação da ob- guimento e vigilância periódica, recomendando -se reforço
servação clínica com a eliminação dos possíveis fatores etio- do aporte hídrico.
lógicos e controlo da lesão após 2 -4 semanas. Caso a lesão http://doi.org/10.24873/j.rpemd.2020.12.749
persista procede -se à biópsia, com envio da peça para estudo
anatomo -patológico, para obter -se o diagnóstico definitivo.
O diagnóstico é fundamental para instituição do tratamento. #026 Tratamento da deformidade dento ‑esquelética
Deve manter -se um follow -up por tempo indefinido em in- de classe III: Caso clínico
tervalos que variam de 3 -6 meses.
http://doi.org/10.24873/j.rpemd.2020.12.748 Catarina Nunes*, Inês Francisco, Adriana Guimarães, Leonor
Barroso, Francisco Vale
Instituto de Ortodontia – Faculdade de Medicina da
#025 Parotidite Juvenil Recorrente: Universidade de Coimbra; Serviço de Cirurgia Maxilo -facial
relato de um caso clínico – Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra
Gabriela Pinheiro*, Duarte Amaro, Carolina Carreiro, Salomé Introdução: A deformidade dento -esquelética de Classe
Cavaleiro, Joana Alves
III caracteriza -se por uma discrepância sagital intermaxilar
Centro Hospitalar Universitário de São João mesial, apresentando em cerca de 40% dos casos uma retrog-
natia maxilar combinada com uma prognatia mandibular.
Introdução: A parotidite recorrente juvenil é uma condi- Na idade adulta, quando a severidade da discrepância inter-
ção inflamatória da glândula parótida caracterizada por epi- maxilar ultrapassa os limites da camuflagem dento -alveolar,
sódios recorrentes de dor e aumento não supurativo da glân- o tratamento ideal consiste em Tratamento Ortodôntico
dula parótida unilateral ou bilateral. A causa exata ainda combinado com Cirurgia Ortognática. Esta terapêutica per-
permanece desconhecida, embora malformações ductais mite não só repor a normalidade funcional da mastigação e
congénitas, fatores genéticos, alterações imunológicas ou fala, como a componente estética, contribuindo de forma
má oclusão dentária tenham sido sugeridos como possíveis positiva para a autoestima e a qualidade de vida do doente.
fatores contribuintes. Descrição do caso clínico: Adolescen- Este trabalho pretende descrever passo -a -passo um caso clí-
te de 17 anos de idade, sexo masculino, é enviado à consulta nico de classe III esquelética submetido a tratamento
de Estomatologia em setembro de 2019 por parotidites recor- ortodôntico -cirúrgico. Descrição do caso clínico: Doente do
rentes, com início na infância, sempre concomitantes com sexo masculino de 19 anos, recorreu ao Instituto de Ortodon-
episódios de infeções do trato respiratório superior. Estes tia da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra,
episódios cursam com dor que exacerba com a alimentação, com queixas relativamente à estética facial e oclusão. O
redução da quantidade salivar e cacogeusia, associando -se doente apresentava uma classe III esquelética com assime-
tumefação pré -auricular e sensação de pressão local, que tria facial e um perfil hiperdivergente. A terapêutica contem-
alivia com a drenagem manual da glândula. A recorrência plou aparatologia fixa multibrackets (Roth 0,18) e cirurgia
dos episódios tem se tornado mais infrequente, com redução ortognática bimaxilar, com os seguintes movimentos: Le Fort
do número de episódios por ano. No momento da consulta I para avanço maxilar de 5 milímetros e impactação posterior
apresentava -se sem queixas. O exame objetivo apresentava- de 3 milímetros; Osteotomia Bilateral Sagital para recuo da
-se normal. Realizou ecografia das glândulas salivares, mandíbula de 4 milímetros com reposicionamento da assi-
destacando -se achados sugestivos de parotidite crónica. Foi metria. Discussão e conclusões: Dependendo do grau de se-
observado pela especialidade de Reumatologia e pedido es- veridade e da idade do doente, o tratamento da classe III
tudo analítico (inclusive anticorpos anti -SSA e anti -SSB e os esquelética pode ser ortopédico (na infância), ortodôntico
níveis da enzima conversora da angiotensina que por sua (camuflagem dento -alveolar), ou ortodôntico -cirúrgico. A ci-
vez apresentavam -se normais), não apresentando no mo- rurgia ortognática permite a correção da discrepância inter-
mento critérios de patologia reumatológica inflamatória ou maxilar através da mobilização das bases ósseas, o que pos-
autoimune. Discussão e conclusões: A parotidite juvenil re- sibilita a melhoria funcional, estética e psicológica do
corrente ocorre maioritariamente em rapazes, entre os 4 doente. Contudo, apresenta algumas limitações, como o
meses e os 15 anos de idade. O seu diagnóstico é baseado na custo associado à intervenção e as complicações pós-
história, estudo analítico para excluir outras condições pa- -cirúrgicas. A decisão da terapêutica a utilizar depende da

