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XLI REUNIÃO ANUAL DA SPAIC / RESUMOS DAS COMUNICAÇÕES ORAIS E DOS POSTERS





          CC 10 – Doença granulomatosa crónica em idade     CC 11 – Nefrite intersticial secundária a terapêutica
          pediátrica. apresentações distintas de uma mesma   com imunoglobulina G endovenosa
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          entidade: Casos clínicos                          I Nunes , C Figueiredo , A L Moura , A Todo -Bom , E Faria 1
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          I Farinha , C Cancelinha , N Neves , A Brett , S Lemos , E Faria 1  1  Serviço de Imunoalergologia, CHUC, Coimbra, PORTUGAL
          1   Consulta de Imunodeficiências Primárias, Hospital Pediátrico de   2  Serviço de Nefrologia, CHUC, Coimbra, PORTUGAL
           Coimbra, Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra,
           Coimbra, PORTUGAL                                Objectivo: Caso Clínico: Jovem do sexo feminino, 20 anos, apa-
          2   Serviço Pediatria Médica, Hospital Pediátrico de Coimbra, Centro   rentemente saudável até aos 18 anos, altura em que foi internada
           Hospitalar e Universitário de Coimbra, Coimbra, PORTUGAL  por um terceiro episódio de pneumonia em quatro meses. Apre-
                                                            sentava IgG 1,38 g/L, IgA 1,46 g/L e IgM 1,00 g/L. O estudo feno-
          Objectivo: A Doença Granulomatosa Crónica (DGC) é uma imu-  típico das células B revelou uma ausência de plasmoblastos e de
          nodeficiência primária rara, geneticamente determinada, que se   células B pós -switch das imunoglobulinas (ausência de células B
          caracteriza pela incapacidade das células fagocitárias produzirem   memória IgG ou IgA), uma distribuição normal de células T e com
          radicais livres de oxigénio, por defeito genético no complexo NA-  uma diminuição absoluta de CD19, CD3, CD3 -/CD56+, CD3+/
          DPH. Manifesta -se por infeções graves e recorrentes, por bactérias   CD4+ e CD3+/CD8+. Assumido o diagnóstico de ‘’possível Imu-
          e fungos, e pela formação de granulomas.          nodeficiência Comum Variável’’ (IDCV), iniciou reposição de imu-
          Metodologia: Casos clínicos: Caso 1 – Criança de 9 anos, sexo   noglobulina G (IgG) endovenosa (EV). À data da alta foi encami-
          masculino, apresenta diagnóstico de DGC ligada ao X, estabeleci-  nhada para consulta de Imunodeficiências Primárias. Desde então
          do no período pré -natal, pela identificação da presença em hete-  a doente manteve episódios de diarreia recorrentes e um fenótipo
          rozigotia da mutação c.2T>A, p.Met1Lys no codão start do gene   emagrecido (IMC 16,7 kg/m2) cumprindo tratamento mensal com
          CYBB. Sob profilaxia com cotrimoxazol e itraconazol desde os   IgG EV (0,7 mg/kg) mantendo níveis de IgG pré -infusão > 5,62 g/L.
          primeiros meses de vida. Clinicamente apresenta anemia crónica   Metodologia: Aos 19 anos foi referenciada a consulta de Nefro-
          sob suplementação de ferro oral, adenites de repetição e panco-  logia por alteração da função renal (creatinina 1,35 mg/dl), sem
          lite ligeira com distribuição focal e granulomas epitelióides “Crohn-  proteinúria, hematúria, nem sintomas do foro génito -urinário.
          -like”.                                           Perante o agravamento progressivo da função renal (creatinina
          Caso 2 – Criança de 13 anos, sexo masculino, com osteomielite   2,26 mg/dl), foi realizada biópsia do tecido renal. O estudo anato-
          da mão direita aos 3 meses com necessidade de internamento,   mopatológico revelou um processo de nefrite intersticial aguda
          drenagem e antibioterapia endovenosa. Face à evolução e identi-  (NIA) severa, com atrofia tubular e fibrose do interstício, tradu-
          ficação de Serratia marcescens, suspeitou -se de imunodeficiência   zindo um processo crónico subjacente, que excluídas outras cau-
          primária. O estudo imunológico efetuado veio a revelar DGC,   sas de nefrite intersticial, estará em relação com a terapêutica com
          altura que iniciou antibioterapia profilática diária. A confirmação   IgG.
          genética através do estudo molecular do gene CYBB identificou   A doente iniciou terapêutica oral com prednisolona 45mg id (1mg/
          hemizigotia para a mutação c.252G>A, p.Ala84Ala no exão 3. Cli-  kg), dirigida à NIA, e foi feito ainda o switch para tratamento com
          nicamente apresenta múltiplas intercorrências infeciosas, sendo   IgG por via subcutânea (4,95g semanal), aguardando -se a evolução
          de destacar adenite do BCG, abcessos hepáticos e esplénicos e   clínica.
          lesão granulomatosa cutânea.                      Resultados e conclusões: Discussão: A nefrite intersticial indu-
          Caso 3 – Criança de 5 anos, sexo masculino, diagnosticado com   zida por terapêutica com IgG EV poderá constituir uma complica-
          DGC ligada ao X com confirmação genética por identificação em   ção renal rara e grave, encontrando -se na literatura apenas dois
          homozigotia da mutação c.252G>A, p.Ala84Ala no exão 3 do gene   casos descritos.
          CYBB em sangue do cordão por a mãe ser portadora já identifi-  Salienta -se a relevância do controlo clínico -laboratorial regular
          cada. Clinicamente com necessidade de internamento para drena-  dos doentes submetidos a terapêutica regular com IgG.
          gem cirúrgica e antibioterapia endovenosa por adenites cervicais
          recorrentes (identificação de Staphylococcus aureus). Atualmente
          mantém antibioterapia profilática diária e considerada a hipótese
          de eventual transplante de medula óssea.
          Resultados e conclusões: Os casos apresentados ilustram a
          heterogeneidade fenotípica na DCG. O diagnóstico pré e neonatal
          permitiu nos casos 1 e 3 o início precoce de terapêutica profiláti-
          ca e o adequado controlo das intercorrências infeciosas que pa-
          recem cruciais para a evolução clínica mais favorável destas crian-
          ças. Os casos 2 e 3 são familiares e demonstram que apesar da
          identificação da mesma mutação podemos ter manifestações e
          evolução clínica distintas.





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                                             REVIST A POR TUGUESA DE IMUNO ALERGOLOGIA
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