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XLI REUNIÃO ANUAL DA SPAIC / RESUMOS DAS COMUNICAÇÕES ORAIS E DOS POSTERS
CC 16 – Dessensibilização a alemtuzumab CC 17 – Dermatite de contacto alérgica ocupacional a
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J Costa Carvalho , I Alen Coutinho , M Carmo Macário , C flores e borrachas: Quando uma profissão anterior
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Loureiro , A Todo Bom 1 condiciona toda a vida
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1 Serviço de Imunoalergologia – Centro Hospitalar e Universitário C Santa , A Baptista 2
de Coimbra, Coimbra, PORTUGAL 1 Serviço de Imunoalergologia, Centro Hospitalar Vila Nova de
2 Serviço de Neurologia – Centro Hospitalar e Universitário de Gaia/Espinho, Vila Nova de Gaia, PORTUGAL
Coimbra, Coimbra, PORTUGAL 2 Serviço de Dermatologia, Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/
Espinho, Vila Nova de Gaia, PORTUGAL
Objectivo: O alemtuzumab é um anticorpo monoclonal (AMc)
aprovado recentemente para o tratamento da esclerose múl- Objectivo: A dermatite de contacto ocupacional é a causa mais
tipla do tipo surto -remissão (EMSR). Dirige -se à molécula frequente de doença cutânea ocupacional, podendo levar a inca-
CD52, presente nos linfócitos e monócitos, causando a sua pacidade laboral.
destruição, com lise destas células e consequente libertação Metodologia: Doente do sexo feminino, 60 anos de idade, em-
de citocinas. O tratamento com alemtuzumab causa frequen- pregada doméstica, sem antecedentes patológicos pessoais de
temente reações infusionais, cuja apresen¬tação clínica é so- relevo. Encaminhada à consulta de Dermatologia por história
breponível a reações de hipersensibilidade (RHS). As verdadei- com 20 anos de evolução de lesões cutâneas micropapulares
ras RHS são raras, sendo essencial o seu diagnóstico e eritematosas pruriginosas e vesículas, com descamação, fissuras
identificação dos casos com indicação para realização de des- e xerose localizadas em ambas as mãos, e por vezes com apare-
sensibilização (DSZ). cimento no dorso dos pés, pálpebras e cotovelos. As queixas
Metodologia: Doente de 41 anos do sexo feminino, com o agravavam durante o período laboral, onde contactava com de-
diagnóstico de EMSR e episódio anterior de anafilaxia a outro tergentes e utilizava diariamente luvas de borracha. Foram efec-
AMc (natalizumab, anti -VLA -4) aos 37 anos. Aos 40 anos, para tuados testes epicutâneos com série básica do Grupo Português
redução do risco de surtos e progressão da doença, iniciou de Estudo das Dermatites de Contacto, que foram positivos, na
tratamento com alemtuzumab (12mg/dia, via ev, protocolo de 5 leitura às 48 e 72 horas para: Mistura de lactonas sesquiterpêni-
dias). Cerca de 2 horas após a primeira administração, desen- cas (+++), Mistura de tiurans (+++), Mistura mercapto (+), Di-
volveu quadro de urticária generalizada e angioedema da face, cromato de potássio (++), Sulfato de níquel (+++) e Cloreto de
que resolveu com a toma de anti -histaminico e corticosteroide. cobalto (++). Na presença de positividade à Mistura de lactonas
Nos 4 dias seguintes do ciclo manteve prurido ligeiro. Dois dias sesquiterpênicas, a doente foi questionada se manipulava fre-
após o fim do 1.º ciclo, desenvolveu erupção cutânea que resol- quentemente flores/plantas e se tinha queixas associadas. A doen-
veu espontaneamente. A doente foi referenciada a Consulta de te referiu ter trabalhado como florista durante 2 anos, que coin-
Imunoalergologia, onde realizou testes cutâneos com alemtuzu- cidiu com o início do quadro, tendo necessidade de mudar de
mab (10mg/mL), em concentrações não irritativas: teste por emprego. As lesões desapareciam durante as férias e folgas, e
picada não diluído 1/1 (negativo) e teste intradérmico 1/100, reapareciam poucos dias após retomar o trabalho. Atualmente
francamente positivo – pápula eritematosa de 30 mm. Dada a referia queixas quando arranjava canteiros de flores no domicílio
necessidade de realização de novo ciclo de alemtuzumab (pro- e no manuseamento de alguns legumes como alface, condicio-
tocolo de 3 dias), a doente foi submetida a DSZ com adminis- nando a qualidade de vida da doente. Foram entregues medidas
tração em 12 passos, dose cumulativa 12mg/dia. Atendendo a de evicção aos produtos identificados como positivos nos testes
semi -vida curta do alemtuzumab (estimada entre 2 a 32 horas epicutâneos, reforçado o uso de emoliente, e prescrita medica-
para administrações em baixas doses) e o seu impacto na janela ção de recurso com corticóide tópico.
temporal do período refratário dos mastócitos e basófilos, Resultados e conclusões: Discute -se neste caso uma derma-
optou -se por realizar o protocolo nos 3 dias consecutivos do tite de contacto alérgica a lactonas e borrachas, com origem
ciclo, que decorreu sem intercorrências. Para confirmar a efi- ocupacional enquanto a doente tinha uma loja de flores, tendo-
cácia do alemtuzumab neste esquema de administrações suces- -se sensibilizado enquanto manipulava flores/plantas e utilizava
sivas de doses subótimas do fármaco, realizou -se a quantificação luvas de borracha. Esta situação condicionou toda a sua vida,
dos linfócitos por citometria de fluxo, verificando -se a depleção pois apesar de ter mudado de emprego, mantinha queixas na
linfocitária pretendida. profissão actual pois utilizava luvas de borracha nas limpezas;
Resultados e conclusões: Neste caso de EMSR e RHS IgE- assim como no domicílio onde tratava da horta e de canteiros.
-mediada a alemtuzumab, o protocolo de DSZ de 12 passos foi Realça -se a importância da colheita de uma história clínica com-
seguro e eficaz. A erupção cutânea após o 1.º ciclo foi considera- pleta, nomeadamente de todas as profissões anteriores do doen-
da reação infusional. Segundo o conhecimento dos autores, não te, de modo a compreender melhor a origem das sensibilizações,
se encontram casos descritos na literatura de DSZ a alemtuzumab assim como a possibilidade de reconhecimento de eventual
para a dose cumulativa de 12mg e EMSR. doença profissional.
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REVIST A POR TUGUESA DE IMUNO ALERGOLOGIA

