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XLI REUNIÃO ANUAL DA SPAIC / RESUMOS DAS COMUNICAÇÕES ORAIS E DOS POSTERS
CC 14 – Hipersensibilidade ao cotrimoxazol ige mediada CC 15 – Paralisia com corticóides: A propósito de um
– 2 casos clínicos caso clínico
R Limão, A Lopes, M I Silva, E Pedro J Gomes, A R Presa, J A Ferreira, I Lopes
Serviço de Imunoalergologia, Hospital Santa Maria, Centro Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho, EPE, Vila Nova
Hospitalar Universitário Lisboa Norte, EPE, Lisboa, PORTUGAL de Gaia, PORTUGAL
Objectivo: O Cotrimoxazol é um antibiótico eficaz e geralmen- Objectivo: Os efeitos laterais dos corticóides (CO), muito utili-
te bem tolerado. As reações adversas são mais frequentes em zados no tratamento das patologias alérgicas, são amplamente
doentes com infeção VIH, sendo as mais comuns gastrointestinais conhecidos mas nem todas as suas implicações são óbvias.
e cutâneas. São raros os casos reportados de reações de hiper- A paralisia periódica hipocaliémica familiar (PPHF) é uma rara
sensibilidade (HS) imediata a este fármaco, nomeadamente anafi- doença neuromuscular autossómica dominante, com início dos
laxia. sintomas na 2.ª década de vida. Caracteriza -se por crises episódi-
Metodologia: Caso 1: mulher de 55 anos, com suspeita de aler- cas de paralisia flácida acompanhada por hipocaliémia. Vários são
gia a beta -lactâmicos (BL) desde os 15 anos e consequente evicção os fatores capazes de despoletar uma crise, entre eles os CO
após ter efetuado testes à penicilina no centro de saúde com su- sistémicos (COs), dieta rica em hidratos de carbono e exercício
posta positividade. Desde então com realização de antibioterapia vigoroso.
frequente com cotrimoxazol. Apresentava 2 episódios de urticária Apresenta -se um caso clínico sugestivo de PPHF, com diagnóstico
generalizada com início 1h e 2h após toma de 1 cp cotrimoxazol inaugural após administração de COs, num doente medicado com
por infeção do trato urinário (ITU). Em ambos os episódios ocor- CO inalado (COi) por asma.
reu toma simultânea de nimesulide e diclofenac, respetivamente, Metodologia: Adolescente, sexo masculino, 17 anos, seguido na
que tolerou posteriormente. Na investigação da suspeita de HS consulta de Imunoalergologia (IA) por asma induzida pelo exercí-
imediata ao cotrimoxazol realizou testes cutâneos em picada cio, rinoconjuntivite alérgica a gramíneas e dermatite atópica.
(TCP) e intradémicos (ID) com cotrimoxazol injetável, com posi- Medicado com budesonido/formoterol 160/4,5 mcg DPI id e sos,
tividade imediata no ID com a concentração de 0,8mg/ml. Realizou budesonido nasal 32 mcg, desloratadina 5 mg em sos e dermocor-
investigação de alergia aos BL, incluindo doseamento de IgE espe- ticoide tópico sos. Recorreu ao serviço de urgência (SU) de Pe-
cíficas, TCP e ID, e prova de provocação (PP) com amoxicilina e diatria por tetraparésia flácida de instalação aguda progressiva.
penicilina, com resultados negativos, excluindo -se o diagnóstico. Observado no SU, 3 dias antes por um exantema urticariforme,
Caso 2: mulher de 36 anos, com suspeita de HS à penicilina desde medicado com prednisolona 1mg/Kg e hidroxizina. Negava episó-
os 24 anos por episódio de dificuldade respiratória alta 30 minutos dios prévios semelhantes. Apresentava um exame objetivo normal,
após toma de amoxicilina/acido clavulânico. Não realizou investi- com exceção da tetraparésia flácida de predomínio proximal. Nos
gação diagnóstica e manteve evicção de BL, tendo realizado 5 ciclos exames laboratoriais foi detetada uma hipocaliemia 1,5 mmol/L e
de antibioterapia com cotrimoxazol por ITU, sem reação. Aos 34 aplanamento da onda T no ECG; o restante ionograma, função
anos teve episódio de prurido generalizado, pieira, dispneia, sen- tiroidea (TSH e T4L) e estudo analítico eram normais. A pesquisa
sação de aperto cervical e hipotensão (63/28mmHg), com início de drogas de abuso na urina foi negativa. Admitiu -se PPHF com
45 minutos após toma de 1cp cotrimoxazol. Na investigação diag- crise precipitada por COs. Iniciou -se a correção da hipocaliémia
nóstica inicial realizou TCP com cotrimoxazol injetável (80mg/ml), por via central com cloreto de potássio (11 mmol/h). Recuperação
com positividade imediata. Relativamente à suspeita de HS à pe- completa da força muscular e normocaliémia (K+ 4,1 mmol/L) 17h
nicilina, o doseamento de IgE específica para ampicilina e os testes após início da correção. Após discussão com IA substitui -se COi
ID com MDM (1/1), amoxicilina (0,2mg/ml) e ampicilina (0,1mg/ml) por montelucaste 10mg id e terbutalina 500 mcg DPI em sos. Teve
foram positivos, confirmando -se o diagnóstico. Realizou TCP e ID alta assintomático, foi informado sobre os fatores desencadeantes
com cefalosporinas (negativos) e PP com cefuroxima e ceftriaxone, das crises e referenciado para a consulta de Pediatria. O estudo
sem reação. genético posterior revelou uma mutação no gene CACNA1S, já
Resultados e conclusões: Os autores descrevem 2 casos de descrita na literatura num caso de PPHF. Atualmente encontra -se
reação imediata IgE mediada ao cotrimoxazol, confirmados por com controlo da asma e sem novas crises hipocaliémicas apenas
testes cutâneos positivos. É importante confirmar a suspeita de sob medidas não farmacológicas e recomendação para uso estrito
alergia à penicilina de forma a evitar evicções prolongadas desne- de COs em ambiente hospitalar.
cessárias de BL e consequente aumento do risco de sensibilização Resultados e conclusões: Com este caso pretende -se alertar
a outras classes de antibióticos. para a PPHF como uma entidade rara, com os CO sendo os prin-
cipais fármacos desencadeantes de crises.
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REVIST A POR TUGUESA DE IMUNO ALERGOLOGIA

