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XLI REUNIÃO ANUAL DA SPAIC / RESUMOS DAS COMUNICAÇÕES ORAIS E DOS POSTERS
aves, tolerando a ingestão de ovo. laxia de início tardio. Em muitos casos, existe uma história de pi-
Em consulta de alergia alimentar foram realizados: 1) testes cutâ- cada de carraça, salientando -se neste caso a elevada probabilidade
neos em picada -picada com carne de frango, carne de perú, apre- do doente ter sido picado várias vezes, podendo as picadas terem
sentando, pápulas de 7,5mm e 2mm, respetivamente.; 2) Ausência sido responsáveis pela sensibilização inicial. O tratamento baseia-
de IgE específica para carne de galinha e perú. -se na evicção de carnes vermelhas e picadas de carraça, assim
Realizaram -se provas de provocação oral (PPO) ao perú e pato, como um plano de emergência com auto -injector de adrenalina.
que foram negativas para reação imediata e tardia.
Resultados e conclusões: Este caso descreve uma alergia iso-
lada à carne de frango. Embora esteja documentada a associação CC 07 – Alergia ao ovo em homem criador de pássaros
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com outras carnes de aves, a alergia pode ocorrer isoladamente, I Falcão , F Rodrigues , B Bartolomé , L Cunha 1
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comprovando assim que a exceção confirma a regra. Este caso 1 Serviço de Imunoalergologia do Centro Hospitalar do Porto,
realça a importância da confirmação da alergia e avaliação das Porto, PORTUGAL
eventuais alergias cruzadas entre alimentos que, neste caso per- 2 R&D Department. Roxall, Bilbao, Spain, Bilbao, SPAIN
mitiu levantar restrições alimentares, diminuindo o impacto asso-
ciado às restrições da dieta quer a nível psicológico, quer social. Objectivo: A alergia ao ovo é a segunda principal causa de alergia
alimentar (AA) na criança, mas é raro iniciar -se em adultos, no
entanto, podem ocorrer casos de alergia tardia, em que esta se
CC 06 – “Porque uma alergia nunca vem só” mantém ativa desde a infância, mas só com expressão clínica na
– A propósito de um caso clínico idade adulta. Outra hipótese rara, é o síndrome ave -ovo. Nestes
J Vieira, L Pestana, R Câmara casos, o doente desenvolve sintomas respiratórios por inalação
Unidade de Imunoalergologia do Hospital Dr. Nélio Mendonça, de alergénios das penas de aves e tem AA ao ingerir ovo ou carne
Funchal, PORTUGAL de galinha por reatividade cruzada.
A alfa -livetina – a seroalbumina da galinha (Gald 5) é uma das
Objectivo: A hipersensibilidade alérgica a carnes é rara, atingin- proteínas responsável por esta síndrome, no entanto, podem exis-
do 3 a 15% da população pediátrica e 3% dos adultos com alergia tir outras proteínas responsáveis.
alimentar. Os alergénios major envolvidos na alergia a carne ver- Metodologia: Os autores apresentam o caso clínico de um doen-
melha de mamíferos são albuminas séricas e imunoglobulinas. A te do género masculino, 43 anos, eletricista e que tem como hob-
galactose -alpha -1,3 -galactose (alpha -gal) está presente na carne bie a criação de pássaros. Como antecedentes pessoais de referir
de mamíferos não -primatas – carnes vermelhas (vaca, porco, cor- uma rinite que agrava na época da mudança das penas dos pássaros.
deiro, entre outros) mas não nas carnes brancas. A alergia a carnes É seguido na consulta de Imunoalergologia por AA ao ovo, com
vermelhas associadas a alpha -gal é uma entidade rara e foi descri- início aos 35 anos. Ocorreram três episódios de reações graves.
ta apenas recentemente, podendo estar associada a reactividade O primeiro, uma anafilaxia grau III após ter ingerido um bolo com
cruzada com gelatinas e ao anticorpo monoclonal cetuximab. ovo, com necessidade de administração de adrenalina.
Metodologia: Caso clínico: Doente do sexo masculino, 62 anos, O segundo uma reação anafilática grau II, que resolveu esponta-
cantoneiro, com antecedentes pessoais de rinite alérgica com poli- neamente. E o terceiro, uma reação urticariforme da face após
pose nasal, hipersensibilidade ao ácido acetilsalicílico (AAS) e doen- inalação de ovo cozinhado.
ça coronária (2 EAM). Referenciado à consulta de Imunoalergologia Do estudo realizado destacam -se testes cutâneos (mm), histamina
para dessensibilização electiva ao AAS e dupla antiagregação plaque- 9, clara de ovo 9, gema de ovo 9, ovalbumina 9 e alfa -livetina 5 e
tária pós -cateterismo cardíaco, com colocação de stent coronário. negativos para penas de aves e lisozima.
Em Junho de 2020 foi submetido a protocolo de dessensibilização ao O doseamento de IgE específica (IgEs) (KUA/L) foi positivo para a
AAS (100mg), que decorreu sem intercorrências, mantendo esta clara de ovo 9,27, gema de ovo 2,71, ovalbumina 9,66 e ovomucói-
dose diariamente. Durante o seguimento, o doente referiu “alergia de 0,79 e negativa para carne de galinha, de peru e penas de aves
às carnes com pêlo” (sic), mencionando episódios de urticária cerca e uma triptase de 4,38 µg/L.
de 3h após ingestão de carnes vermelhas e um último episódio de O soro do doente foi submetido a immunoblotting no qual foram
anafilaxia com angioedema, dificuldade respiratória e lipotímia. Foram detetadas IgEs que reconheceram proteínas das penas, do soro de
realizados testes em picada positivos a extrato de porco e vaca e periquito e do ovo de galinha o que pode justificar uma reação
testes prick -to -prick positivos para carne de cabra, porco e vaca alérgica por exposição, contacto com periquitos e pombas e a
(crua e cozida). IgE específicas: carne de porco (15.50 KUA/L), carne ingestão de ovo de galinha. Não se encontrou fixação de IgE no
de vaca (28.90 KUA/L), alpha -gal (>100.00 KUA/L) e nSus s Albumi- extrato da alfa -livetina. O resultado foi confirmado.
na do soro de porco (0.09 KUA/L). Cumpre há vários anos dieta de Neste momento o doente esta sob dieta de evicção ao ovo e não
evicção de carnes vermelhas e tolera ingestão de carnes brancas, contacta com aves.
sem relato de episódios de urticária ou anafilaxia. Resultados e conclusões: Neste doente a via de sensibilização
Resultados e conclusões: A alergia a carnes vermelhas associa- parece ser primariamente a via respiratória, com aparecimento
da a alpha -gal apresenta várias características incomuns, nomea- posterior de AA ao ovo por possível reatividade cruzada. A alfa-
damente o desencadeante (um oligassacarídeo) e o facto de ser -livetina não é a proteína responsável neste caso clínico, podendo
uma reação IgE -mediada com manifestações de urticária ou anafi- outras proteínas estarem envolvidas nesta síndrome.
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REVIST A POR TUGUESA DE IMUNO ALERGOLOGIA

