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XLI REUNIÃO ANUAL DA SPAIC / RESUMOS DAS COMUNICAÇÕES ORAIS E DOS POSTERS
CC 02 – Alergias às proteínas do leite de vaca – Quando
SESSÃO DE CASOS CLÍNICOS I as IgE específicas não são suficientes, relato de um caso
ALERGIA ALIMENTAR, IDP E RINITE R Silva, M Proença, J Marcelino, I Didenko, E Tomaz
Hospital de S. Bernardo, CHS EPE, Setúbal, PORTUGAL
Sala: Área de E -Posters
Objectivo: A Alergia às Proteínas do Leite de Vaca (APLV) re-
presenta cerca de 1/5 de todas as alergias alimentares pediátricas.
Moderadores: Antónia São Braz, Rui Silva, José Alberto Ferreira
O prognóstico é favorável, cerca de 50% das crianças adquire to-
CC 01 – Marcha atópica atípica? Caso clínico lerância pelos 5 anos. Quando a APLV é persistente, associa -se
I Farinha, H Pereira, I Carrapatoso, A Todo -Bom, E Faria frequentemente a valores elevados de IgE específicas (sIgE) para
Serviço de Imunoalergologia, Centro Hospitalar e Universitário as proteínas do leite de vaca. A probabilidade de resolução reduz
de Coimbra, Coimbra, PORTUGAL quando coexistem outras doenças alergológicas como asma, der-
matite atópica e outras alergias alimentares.
Metodologia: Descrição da evolução do Caso Clínico.
Objectivo: O termo marcha atópica refere -se à história natural
das manifestações alérgicas de aparecimento sequencial. Resultados e conclusões: Criança do género masculino, 11 anos
Caracteriza -se por sintomas de dermatite atópica no início da de idade, acompanhado em Consulta de Imunoalergologia desde
infância e posterior desenvolvimento de alergia alimentar, asma e 2011 por APLV, Asma Brônquica e alergia ao ovo, entretanto ul-
rinite alérgica. Neste caso clínico, apresenta -se um doente com trapassada. História clínica de urticária perioral e sintomas gas-
uma evolução atípica da marcha atópica. trintestinais com ingestão de Leite Adaptado aos 6 meses de vida.
Metodologia: Adolescente, com 17 anos, sexo masculino, com Iniciou nessa altura evicção de leite e derivados. Testes Cutâneos
antecedentes de eczema atópico desde os primeiros meses de vida, em Picada (TCP) com pápulas persistentemente superiores a 5
com agravamento aos 2 anos de idade. Nessa altura, desenvolveu mm (5–16mm) de diâmetro (com tendência a aumentar) para as
asma brônquica persistente ligeira a moderada à qual se sucedeu, proteínas do leite de vaca (Gráfico 1) mas evolução muito favorá-
aos 5 anos, o aparecimento de rinossinusite intermitente. O estu- vel das IgE específicas (sIgE) ao longo dos anos, com valores infe-
do alergológico revelou sensibilização aos aeroalergénios (ácaros, riores a 0.35 kUA/L desde os 5 anos (2014) (Tabela 1). Realizado
gramíneas e pinheiro) e alergénios alimentares (trigo, milho, gema Teste de Ativação dos Basófilos aos 5 anos (2014), que se revelou
e clara de ovo, bacalhau, soja, kiwi e frutos tropicais). negativo (Limiar de ativação <6% para o Leite Total e Caseína)
Aos 9 anos, apresentou o primeiro episódio de choque anafilático (Tabela 2). Dada evolução analítica favorável e evicção alimentar,
imediatamente após a ingestão de caramelo de pinhão e, aos 12 foram realizadas 5 Provas de Provocação Oral (PPO) ao longo dos
anos novo episódio de anafilaxia após a ingestão acidental de pinhão anos, sempre positivas (urticária e sintomas gastrintestinais), com
(molho de pesto). Nessa idade apresentava positividade aos testes
cutâneos por picada a alimentos (mm): pinhão 6, amendoim 5,
pistachio 5, amêndoa 4, semente de girassol 3 e Prick -prick posi-
tivos a pinhão 7, caramelo de pinhão 6, molho de pesto 7 e amen-
doim 4. IgE total 770 UI/L. sIgE (KU/L): pinhão 7,70; amendoim
2,54; avelã 0,81; noz 0,67;amêndoa 0,63. Para além do ensino de
evicção quanto a reações acidentais foi prescrito plano de emer-
gência com adrenalina autoinjetável, corticoide sistémico e anti-
-histamínico.
Realizou imunoterapia específica a ácaros dos 7 anos aos 11 anos
com melhoria clínica do eczema atópico, asma e rinite. Atualmen-
te apresenta asma intermitente controlada sem terapêutica de
fundo, rinite intermitente com recurso a anti -histamínico nas agu-
dizações e eczema atópico controlado apenas com emolientes.
Desde os 12 anos, com a restrição absoluta de todos os frutos de
casca rija, não há referencia a novos episódios de sugestivos de
alergia a alimentar.
Resultados e conclusões: O caso clínico descrito não segue
totalmente o curso típico da marcha atópica, com a doença alér-
gica respiratória a preceder a alergia alimentar. A imprevisibilidade
do desenvolvimento da alergia alimentar e o seu potencial de le-
talidade são fatores fundamentais e diferenciadores, quando com-
parada com as restantes doenças alérgicas, uma vez que, atual-
mente, a evicção completa de frutos secos representa a única
forma de tratamento disponível.
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REVIST A POR TUGUESA DE IMUNO ALERGOLOGIA

