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rev port estomatol med dent cir maxilofac. 2020;61(S1):1-38 17
estudo analítico extenso, de onde se destaca a presença de rência unilocular com 2.9x2.4cm do ramo ascendente da
anticorpos anti -HIV1 positivos, com elevada carga viral. mandíbula à direita em relação com coroa de 4.8 incluso.
Iniciou -se terapia anti -retroviral e antibioterapia dupla em- <br/>Caso clínico 5 – Homem, 49 anos, desdentado total, com
pírica, por suspeita de estomatite necrosante associada a queixas álgicas do 4.º quadrante, apresentando na OPG ra-
infeção por VIH. Fez TC maxilofacial que descreveu ´ulcera- diotransparência uniloculada bem definida na área edêntu-
ção do palato duro consequente a osteíte” não descartando la de 4.3/4.4, com 1 cm de maior eixo. Discussão e conclu‑
“lesão neoplásica da mucosa, ulcerada, com exposição ós- sões: Os queratoquistos odontogénicos podem apresentar
sea”. A biópsia incisional das lesões descartou malignidade, múltiplas características radiográficas o que torna o seu
constatando tratar -se de “granuloma de tipo corpo estra- diagnóstico clínico e radiográfico sempre de suspeição. O
nho”. O doente manteve antibioterapia dupla durante duas diagnóstico definitivo deve ser confirmado pelo exame his-
semanas. À terceira semana de reavaliação, o doente apre- topatológico. Dada a maior agressividade local e taxa de re-
sentou sequestro ósseo, cuja histologia foi osteomielite em cidiva pós -operatória em comparação com outros quistos
rebordo alveolar dentário. À sexta semana havia quase com- odontogénicos mais comuns, a suspeição destas lesões pela
pleta resolução das lesões. Discussão e conclusões: Apre- clínica e achados radiográficos torna -se determinante para
sentamos um caso em que a etiologia das lesões não era o adequado planeamento cirúrgico e, consequentemente,
clara apenas pela clínica e exames imagiológicos. Tendo em para o seu prognóstico.
conta os antecedentes conhecidos e os descobertos na in- http://doi.org/10.24873/j.rpemd.2020.12.763
vestigação, colocaram -se diferentes hipóteses diagnósticas,
nomeadamente estomatite necrosante, linfoma e carcinoma
pavimento -celular. Desta forma, uma correta investigação #041 Adesão discal e lesão quística superficial
analítica e histológica foram fundamentais para o diagnós- em ressonância magnética – Caso Clínico
tico de estomatite necrosante. Filipa Barros dos Santos*, Ana Paula Reis Durão, José Albino
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Teixeira Koch, Marcelo Miranda
Faculdade de Medicina Dentária – Universidade of Porto;
#040 Queratoquisto odontogénico Faculdade de Ciências da Saúde – Universidade Fernando
– o camaleão radiográfico Pessoa
Ana Teresa Coelho*, Filipa Contente, Nuno Zeferino Santos,
Introdução: As aderências intra -articulares são um im-
Adelina Aguiar, Francisco Salvado
portante sinal patológico nos distúrbios da articulação tem-
Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte poromandibular. Devido à sua precisão em tecidos moles, a
imagem por ressonância magnética tornou -se o exame de
Introdução: O queratoquisto odontogénico é um quisto escolha para avaliar distúrbios da ATM, podendo também
odontogénico com origem em remanescentes celulares da detetar quistos de partes moles. As lesões quísticas são co-
lâmina dentária. Radiograficamente, apresentam -se como muns na cabeça e pescoço. As mais comuns são os quistos
lesões radiotransparentes uni ou multiloculadas, de margens cutâneos, denominados quistos epidérmicos. Um quisto der-
radiopacas definidas. Contudo, os queratoquistos odontogé- móide, assim como os outros quistos epidérmicos, é revesti-
nicos podem mimetizar outros quistos e tumores maxilares do por epiderme, mas todos os elementos da pele estão pre-
que também condicionam lesões radiotransparentes, no- sentes. A designação deriva da demonstração de folículos
meadamente, quisto dentígero, quisto residual, quisto radi- pilosos, cabelo, glândulas sebáceas e tecido conjuntivo com
cular, quisto periodontal lateral, quisto nasopalatino ou papilas dentro da parede do quisto. Estes quistos, presentes
ameloblastoma. O diagnóstico definitivo é sempre histológi- como lesões subcutâneas nodulares e flutuantes, são vistos
co. Apresentam -se, de seguida, vários casos clínicos de que- mais frequentemente em áreas propensas a acne, como ca-
ratoquistos odontogénicos tratados no Serviço de Estomato- beça, pescoço e costas. Descrição do caso clínico: Jovem de
logia do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte com 25 anos, ator de teatro, com diminuição de abertura de boca
diferentes apresentações radiográficas. Descrição dos casos (25 mm interincisal), presente após abertura forçada duran-
clínicos: Caso clínico 1 – Mulher, 33 anos, assintomática, com te a ingestão de alimentos de grande dimensão. Foi medica-
ortopantomografia (OPG) que revela radiotransparência mul- do com anti -inflamatórios, que não alteraram a abertura da
tiloculada de todo o ramo ascendente da mandíbula à direi- boca, mas reduziram os sintomas dolorosos da articulação
ta, com 6.5x2.9cm, sem associação dentária. Caso clínico 2 ao mastigar. Foi realizada uma ressonância magnética das
– Homem, 48 anos com tumefação vestibular do 4.º quadran- articulações temporomandibulares que evidenciou, além da
te com dor local esporádica, cuja OPG e tomografia compu- adesão bilateral dos discos articulares, uma lesão quística
torizada revelam radiotransparência mandibular unilocula- superficial de 12,80 x 8,72 mm, correspondente a uma lesão
da, de 1.4x1.9x0.8cm, na área entre 4.4 e 4.3, verificando -se quística por acne, visualizada na sequência coronal esquer-
divergência radicular destes dentes. Caso clínico 3 – Mulher, da. Discussão e conclusões: É fundamental avaliar clinica-
49 anos, assintomática, com achado radiográfico em OPG de mente o paciente, e selecionar o(s) exame(s) auxiliar(es) de
radiotransparência apical da raíz distal de 4.6 endodonciado, diagnóstico adequado(s), a fim de providencial um correto
com 1.0x1.0x0.8cm. Caso clínico 4 – Homem, 45 anos, assin- diagnóstico e tratamento.
tomático, com achado radiográfico em OPG de radiotranspa- http://doi.org/10.24873/j.rpemd.2020.12.764

