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22 rev port estomatol med dent cir maxilofac. 2020;61(S1):1-38
trar a eficácia do tratamento ortodôntico nestes casos através lar: com aparelho removível expansor com travão à direita, no
do uso de alinhadores. Descrição do caso clínico: Paciente do caso 2; e aparelho fixo tipo quad -helix, no caso 3. Discussão e
género masculino, 38 anos de idade, leucoderma, apresentou -se conclusões: Nos casos apresentados optou -se pela realização de
na consulta com queixa estética dos dentes anterior -inferiores. uma expansão lenta devido à idade dos doentes envolvidos. A
Foram realizados exames radiográficos ortopantomografia e expansão lenta do maxilar permite manter a integridade sutural
telerradiografia e exportado para o programa cefalométrico Dol- durante a expansão, a realização de um movimento fisiológico
phin. Realizaram -se fotografias intraorais e extraorais e ainda com menor dano e risco de hemorragia, desprogramação da
foram feitas impressões digitais com um scanner intraoral postura e, resultados mais estáveis ao longo do tempo. O trata-
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(3Shape TRIOS). De seguida foi utilizado o programa Clincheck mento intercetivo da mordida cruzada posterior permite: 1) nor-
Pró para a finalização do planeamento. O paciente apresentava malização do trajeto de fecho mandibular, através dos desgastes
mordida aberta anterior e apinhamento nos incisivos inferiores. seletivos; 2) reposicionamento da largura normal do maxilar; 3)
A existência de uma boa harmonia a nível gengival, não possi- reposicionamento individual dos dentes; 4) desprogramação
bilitaria o encerramento dessa aberta mordida com extrusão de neuromuscular, com novo reposicionamento muscular. Os apa-
incisivos. Além disso, o facto de o paciente ter um perfil dólico- relhos utilizados são eficazes para a correção da mordida cruza-
facial,aumentaria a dificuldade do controlo do efeito colateral da posterior, e o tratamento intercetivo com reposição mandi-
de mordida aberta anterior com a distalização dos molares. O bular pode evitar o aparecimento de formas mais graves de má
plano de tratamento iniciou -se com a exodontia dos dentes 18, oclusão na adolescência, como a assimetria facial.
28, 38 e 48. Depois foi programado a distalização sequencial de http://doi.org/10.24873/j.rpemd.2020.12.775
2mm em todos os dentes inferiores, com intrusão simultânea
até 0,9mm de todos os molares e alinhamento dos incisivos
inferiores. Esse processo de intrusão gera a rotação da mandí- #053 Expansão rápida maxilar assistida
bula no sentido anti -horário, que poderia piorar a classe III. No por microimplantes: Caso clínico
entanto foi controlado com o uso de elásticos extraorais de clas-
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se III. Discussão e conclusões: O sistema Invisalign permite Madalena Prata Ribeiro*, Raquel Travassos, Inês Alexandre
Neves Francisco, Francisco do Vale
um grande controlo vertical no tratamento ortodôntico. Não foi
usada nenhuma técnica auxiliar para além dos elásticos extrao- Instituto de Ortodontia – Faculdade de Medicina da
rais de classe III e finalizou -se o tratamento com guias caninas Universidade de Coimbra
perfeitas, sem contacto de incisivos e com oclusão satisfatória.
No entanto, consideramos existirem algumas limitações na rea- Introdução: A discrepância maxilar severa é uma má oclusão
lização de determinados movimentos com esse sistema, sem a prevalente em diversas faixas etárias. Na adultícia, o tratamen-
utilização de técnicas auxiliares,como o uso de micro implantes. to preconizado é a expansão maxilar cirurgicamente assistida.
http://doi.org/10.24873/j.rpemd.2020.12.774 Contudo, esta terapêutica é invasiva e onerosa, uma vez que
envolve uma intervenção cirúrgica com recurso à anestesia ge-
ral. Como alternativa à técnica clássica, surgiu nos últimos anos
#052 Discrepância transversal posterior: Opções a técnica de expansão rápida da maxila assistida por microim-
terapêuticas mais comuns na criança plantes, que utiliza a ancoragem dos microimplantes ortodôn-
ticos por forma optimizar as forças nas suturas circunmaxilares,
João Matos*, Raquel Travassos, Inês Francisco, Francisco Vale
evitando assim a osteotomia. O objetivo deste trabalho é descre-
Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra – ver um caso clínico de expansão rápida da maxila assistida por
Instituto de Ortodontia microimplantes. Descrição do caso clínico: Paciente do sexo
feminino com 29 anos dirigiu -se à consulta do Instituto de Or-
Introdução: A mordida cruzada posterior é uma anomalia todontia da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.
transversal que apresenta uma prevalência de 7% a 23% na po- À observação intra -oral, apresentava retrognatia mandibular, má
pulação em geral. Esta má oclusão pode ser classificada em mor- oclusão de classe II molar e canina, e endognatia maxilar de 10
dida cruzada unilateral com maxilar simétrico, mordida cruzada mm. O plano de tratamento realizado consistiu na expansão
unilateral com maxilar assimétrico e mordida cruzada bilateral. rápida da maxila assistida por microimplantes, seguido de apa-
Quando detetada, o tratamento deve ser efetuado na dentição ratologia fixa multibracketts Roth 0,18 bimaxilar, e posterior
decídua e/ou mista, através de aparelhos removíveis ou fixos, avanço mandibular com Osteotomia Sabital Bilateral. A expan-
tendo como objetivo corrigir a má oclusão e melhorar o desen- são foi realizada durante 12 dias e, o doente foi instruído a rea-
volvimento esquelético e dentário. Pretende -se com este traba- lizar 4 activações diárias (2 manhã/2 noite) para produzir uma
lho descrever três casos clínicos com mordida cruzada tratados velocidade de expansão de 2mm/dia. Através da tomografia de
com diferentes aparatologias. Descrição de casos clínicos: O caso feixe cónico verificou -se a abertuda da sutura média palatina e
clínico 1 apresenta uma mordida cruzada posterior bilateral em um aumento da distância intermolar de 31 mm para 41 mm.
associação com deglutição atípica com pressão lingual simples. Discussão e conclusões: A escolha da expansão maxilar não
Neste doente foi realizada a expansão bilateral com aparelho cirúrgica está indicada em doentes que recusam a expansão
removível com planos de mordida e grelha lingual. Os casos clí- cirúrgica e, que se encontrem no final do crescimento da sutura
nicos 2 e 3 retratam mordidas cruzadas unilaterais, com desvio palatina, que ocorre por volta da terceira década de vida. A an-
funcional da mandíbula. Nestes casos, optou -se por desgastes coragem bicortical, através dos microimplantes, possibilita a
seletivos das prematuridades e a realização de expansão maxi- separação da sutura média palatina e a libertação da sutura pte-

