Page 20 - Revista SPEMD 2020 61 - SUPLEMENTO - FINAL
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18 rev port estomatol med dent cir maxilofac. 2020;61(S1):1-38
#042 Prótese Removível com obturador do palato: tes doentes, na prevenção, acompanhamento e tratamento
caso clínico de patologia do aparelho estomatognático. O caso apresen-
tado pretende mostrar o acompanhamento de um utente
Luís Vicente*, Filipe Moreira, Luís de Carvalho Alves, Pedro com SD na consulta UNE. Descrição de caso clínico: Homem
Nicolau
de 22 anos, seguido desde os 11 anos na consulta UNE. Re-
FMUC ferenciado em 2009, pelo médico assistente, para seguimen-
to estomatológico. Na primeira consulta, identificou -se cárie
Introdução: A fenda palatina é uma malformação con- incipiente de 2.6 e hipoplasia do esmalte, não sendo possível
génita que causa graves problemas na estrutura oronasal. o tratamento dentário apropriado, por não cooperação do
Quando associadas a comunicações anómalas entre a cavi- utente. Na segunda avaliação mantinha a cárie 2.6 e detetou-
dade nasal e oral são designadas por comunicações oro- -se cárie extensa de 3.6, permitindo o doente apenas a lim-
-nasais, raras na prática clínica diária à exceção de pacien- peza e restauro desta última. Na terceira avaliação voltou a
tes com lábio leporino. Assim, a reabilitação com prótese apresentar cárie extensa de 3.6, cárie insipiente de 2.6 e
obturadora do palato constitui uma opção de tratamento novas cáries insipientes de 1.6 e 4.6, decidindo -se realizar
não cirúrgico relevante permitindo restaurar estética, fun- os tratamentos dentários sob anestesia geral. Realizou as-
ção e autoestima. Descrição do caso clínico: Doente do sexo sim em 2010, intervenção sob anestesia geral, com exodôn-
feminino, não fumadora, apresenta fenda do palato secun- cia de 3.6 e restauração em amálgama de 1.6, 2.6 e 4.6. Nas
dário, mediana, central, completa, isolada, do grupo III (se- consultas subsequentes de acompanhamento, até à presen-
gundo a classificação de Spina), não corrigível cirurgica- te data, apenas se mostraram necessários procedimentos de
mente, tendo sido encerrada com recurso a prótese destartarização e aplicação de flúor tópico. Em 2020,
esquelética com obturador do palato. Discussão e conclu‑ identificou -se cárie de 2.1, procedendo -se à restauração com
sões: As próteses obturadoras são geralmente fabricadas compósito A3 e destartarização. Discussão e conclusão: Este
em resina acrílica. A literatura evidencia que a perda de caso demonstra que o acompanhamento periódico deste
estrutura do palato provoca inúmeras consequências como doente com SD permitiu a deteção e tratamento apropriado
a fala hipernasalada e a regurgitação de alimentos e fluidos de patologia do aparelho estomatognático, bem como, a
da cavidade oral para a nasal. Utilizaram -se as palavras- educação do utente na prevenção efetiva deste tipo de pa-
-chave ´palatal obturator”, “obturador do palato”, “oronasal tologia, demonstrado pelos 10 anos sem desenvolvimento
communication” e “maxillofacial prosthetics”. A literatura de cáries. A cooperação do utente para a realização de tra-
aponta a eficácia das próteses obturadoras palatinas em tamentos é essencial, pelo que, a relação médico utente
ocluir os defeitos maxilares e restaurar as regiões orofarín- deve ser ativamente trabalhada em cada consulta. O acom-
geas e ósseas orbitais, restabelecendo as funções mastiga- panhamento desde 2009, permitiu orientar o utente para a
tória, fonética e estética. Verificam -se resultados satisfató- prevenção e tratamento precoce de patologia do aparelho
rios quando os defeitos são pequenos, consideradas assim estomatognático, bem como, trabalhar no âmbito educacio-
“gold standard” na reconstrução palatina como uma solu- nal preventivo do utente e do seu cuidador.
ção simples e imediata sem a necessidade de intervenção http://doi.org/10.24873/j.rpemd.2020.12.766
cirúrgica. Em suma, apesar de existirem vários protocolos,
o médico dentista deve estar familiarizado com a forma de
obter uma prótese oro -facial de acordo com o caso clínico #044 Protetor bucal em paciente com aparelho
específico. ortodôntico fixo: modificação da técnica
http://doi.org/10.24873/j.rpemd.2020.12.765
João Carlos Ramos*, Ana Luisa Costa, Alexandra Vinagre,
Maria Moreira
#043 Síndrome de Down: um caso acompanhado IPMD – Instituto Português de Medicina Dentária; Faculdade
na consulta de utentes com necessidades especiais de Medicina de Coimbra – M. I. Medicina Dentária – Instituto
de Odontopediatria; Faculdade de Medicina de Coimbra – M.
Filipa Contente*, Ana Teresa Coelho, Adelina Aguiar, Nuno I. Medicina Dentária – Instituto de Dentisteria Operatória
Zeferino Santos, Francisco Salvado
Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte Introdução: Com o aumento do número de pacientes
portadores de aparelhos ortodônticos e de desportistas em
Introdução: A consulta de Utentes com Necessidades risco de traumatologia oral, é fundamental implementar e
Especiais (UNE), da Clínica Universitária de Estomatologia reforçar medidas preventivas nesta matéria. Contudo, a
do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN), confeção de protetores bucais individualizados em porta-
visa o acompanhamento dos indivíduos com incapacidade dores de aparelhos ortodônticos fixos deve obedecer a al-
física ou mental, a qual condiciona restrições na realização guns cuidados que não comprometam o tratamento em si
de atividades de vida diária, incluindo os cuidados de higie- e que complementem alguns riscos adicionais. Descrição
ne oral. Esta incapacidade acarreta assim uma acrescida do caso clínico: Paciente jovem portadora de aparelho or-
dificuldade na implementação de medidas preventivas e todôntico fixo para a qual foi idealizado um protetor indi-
tratamentos dentários. A Síndrome de Down (SD) acarreta vidualizado em EVA (etilenovinilacetato) efetuado pela téc-
várias alterações craniofaciais, constituindo um desafio nes- nica de termo -vácuo modificada. Para o efeito é necessário

