Page 58 - RPIA_28-SUPL2
P. 58
XLI REUNIÃO ANUAL DA SPAIC / RESUMOS DAS COMUNICAÇÕES ORAIS E DOS POSTERS
Dermatology Life Quality Index (DLQI) aos 6 meses foi de 10(1,0- tico, na 2.ª década. As reações ocorreram maioritariamente na 1.º
-27,0). Existe uma correlação positiva, estatisticamente significa- hora após exposição (75% vs 85%) e 45% dos doentes tiveram
tiva e moderada entre o valor da IgE total e a variação do UCT envolvimento de 3 ou mais sistemas de órgão (vs 32%). Anafilaxia
(r=0,475; p=0,025). A mediana de administrações até haver me- bifásica ocorreu em 1 caso (vs 0) e 4% dos doentes tiveram para-
lhoria clínica e suspensão de COs foi de 1(1 -7). Efeitos adversos gem cardiorrespiratória (vs 15%). A taxa de mortalidade diminuiu
do OMZ foram reportados por 7 doentes, motivando a suspensão (4% vs 6%). Tratamento com adrenalina foi realizado em 69% dos
em 2 deles. Neste período, 2 doentes ficaram grávidas, 1 manteve doentes (vs 55%) e referenciação para a consulta externa (CE) do
o tratamento. Até ao momento, 6 doentes concluíram o trata- Serviço de Imunoalergologia (SIA) ocorreu em 43% vs 23%
mento com OMZ (3 com remissão completa). Cerca de 26% re- (p=0.02). Considerando apenas os doentes com A/CA a alimentos,
feriu “medo do fármaco” no início, a administração hospitalar foi VH e idiopática, a 5/8 destes foi prescrito um autoinjetor (AI) de
o motivo mais apontado (80%). A média de horas laborais perdidas adrenalina na 2.ª década vs 1/8 na 1.ª (p=0.04). Não foram encon-
por mês para administração de OMZ foi de 3(±1) horas. tradas diferenças estatisticamente significativas na administração
Os resultados obtidos corroboram a segurança e eficácia (medida hospitalar de adrenalina nem na taxa de mortalidade.
pela variação nas pontuações dos questionários) do OMZ.
Encontrou -se uma correlação positiva entre os valores mais ele- 1. Foi observada inversão do rácio diagnóstico primário/secundá-
vados da IgE e a resposta aos 6 meses, medida pela variação no rio, presumivelmente devido a melhor abordagem da A/CA em
UCT. Sendo uma população ativa, a perda de tempo laboral com contexto de urgência.
a administração hospitalar deve cada vez mais ser tido em consi- 2. Houve uma melhoria na abordagem à A/CA no internamento.
deração. 3. Constatado um aumento estatisticamente significativo na pres-
crição do AI de adrenalina e referenciação para a CE do SIA.
PO 19 – Anafilaxia num hospital terciário – Comparação
entre 2 décadas PO 20 – Anafilaxia em idade pediátrica numa consulta
1
1
2
J Miranda , A Caires , C Botelho , J Cernadas 1; 3 de imunoalergologia
1 Serviço de Imunoalergologia, Centro Hospitalar Universitário de I Silva, M I Mascarenhas, L Viegas
São João, Porto, PORTUGAL Hospital Beatriz Ângelo, Loures, PORTUGAL
2 Consulta de Imunoalergologia, Hospital de Braga EPE, Braga,
PORTUGAL Objectivo: A anafilaxia representa uma emergência médica pelo
3 Unidade de Imunoalergologia, Hospital Lusíadas, Porto, risco de mortalidade. Tem -se verificado nos últimos anos um au-
PORTUGAL mento da sua indidência em idade pediátrica, sendo os alimentos
a causa mais frequentemente encontrada. Assim, procurou -se
Objectivo: A anafilaxia é uma reação de hipersensibilidade po- caraterizar a população em idade pediátrica (até 18 anos de idade)
tencialmente fatal. Em 2005, o National Institute of Allergy and com o diagnóstico de anafilaxia, por estudo retrospectivo de pro-
Infectious Disease e a Food Allergy and Anaphylaxis Network cessos clínicos de utentes seguidos na consulta de Imunoalergo-
estabeleceram os critérios de diagnóstico para anafilaxia, numa logia do Hospital Beatriz Ângelo entre 2012 e 2019.
tentativa de homogeneizar o diagnóstico e facilitar o seu reconhe- Metodologia: Estudo retrospetivo, descritivo, de todos os uten-
cimento. Este trabalho tem como objetivo comparar os casos de tes com idade inferior a 18 anos, seguidos na consulta de Imunoa-
anafilaxia e sua abordagem em doentes internados em 2 décadas lergologia entre 2012 e 2019 com diagnóstico de “HISTORIA
consecutivas. PESSOAL DE ANAFILAXIA”, “CHOQUE ANAFILATICO NAO
Metodologia: Revisão dos registos clínicos de doentes internados CLASSIFICAVEL EM OUTRA PARTE”, “CHOQUE ANAFILATI-
num hospital terciário com o diagnóstico de anafilaxia/choque CO DEVIDO A ALIMENTOS” e “CHOQUE ANAFILATICO DE-
anafilático (A/CA), entre 2007 e 2017 (2.ª década). Os resultados VIDO A ALIMENTO ESPECIFICADO NCOP”, pela classificação
foram comparados com um estudo prévio, com informação entre ICD9.
1996 e 2006 (1.ª década). Resultados e conclusões: Foi incluido um total de 47 doentes
Resultados e conclusões: Houve 69 doentes na 2.ª década com com média de idade de 11,2 anos (2 -17 anos), 34 do sexo mascu-
diagnóstico de A/CA versus (vs) 72 na 1.ª. Apenas casos com in- lino. Setenta e sete por cento tinha doença alérgica. Cerca de 64%
formação disponível foram incluídos (n=53 em cada década). A foram referenciados do Serviço de Urgência (SU), 87% triados
maioria eram mulheres (57% na 2.ª década vs 53% na 1.ª) com uma como muito urgentes. Setenta por cento dos casos classificaram-
idade média de 52±27.3 anos (vs 45±31.4). Comorbilidades alérgi- -se como Grau III da classificação de Muller. Clinicamente, predo-
cas foram reportadas em 21% (vs 26%) dos doentes. A/CA foi mais minaram os sintomas mucocutaneos (n=46), seguido de respira-
prevalente como diagnóstico secundário (75% vs 34%). Os agentes tórios (n=37), gastrintestinais (n=20) e cardiocirculatórios (n=4).
envolvidos foram fármacos terapêuticos (64% vs 66%), meios de Em 51% dos episódios foi administrada adrenalina. Em nenhum
contraste iodado (17% vs 19%), alimentos (13% em ambas as déca- caso, durante fase aguda de episódio, foi doseada triptase sérica.
das), corantes, hemoderivados (2% vs 0% cada) e veneno de hime- Apenas 5% necessitou de hospitalização e não se registaram fata-
nópteros (VH) (0% vs 2%). Apenas 1 caso foi considerado idiopá- lidades. Os agentes causais implicados foram alimentos (85%),
30
REVIST A POR TUGUESA DE IMUNO ALERGOLOGIA

