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XLI REUNIÃO ANUAL DA SPAIC / RESUMOS DAS COMUNICAÇÕES ORAIS E DOS POSTERS
Estes resultados sugerem que o isolamento social diminuiu a fre- O estudo coloca em causa se a maioria das exacerbações classifi-
quência e gravidade de crises de sibilância recorrente e asma pe- cadas como leves podem ser tratadas fora do ambiente hospitalar.
diátrica em 2020. As explicações para tal podem incluir a menor Sendo necessária uma melhor classificação da gravidade da asma,
exposição a vírus respiratórios, a poluição do ar ou a alergénios para o seu tratamento adequado.
outdoor, que podem ter um impacto significativo na Primavera em
alguns doentes. Outros fatores comportamentais, como o receio
de ir ao SU ou o aumento da adesão à terapêutica de manutenção PO 12 – Estado nutricional e função pulmonar em
poderão ter contribuído para os dados encontrados. crianças asmáticas
I Cunha, J Gouveia, E Gomes
Serviço de Imunoalergologia, Centro Hospitalar Universitário do
PO 11 – Avaliação da asma no servico de urgência de um Porto, Porto, Portugal, Porto, PORTUGAL
hospital pediátrico central: Doentes com três ou mais
admissões por asma Objectivo: Avaliar o índice de massa corporal (IMC) das crianças
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1
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F Cunha Tavares , M Oliveira Martins , J Carvalho , C Ribeiro , F asmáticas referenciadas a uma primeira consulta de Imunoalergo-
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Rodrigues , A Todo Bom 1 logia e relacionar o mesmo com alterações espirométricas e con-
1 Serviço de Imunoalergologia, Centro Hospitalar e Universitário trolo da asma.
de Coimbra, Coimbra, PORTUGAL Metodologia: Análise retrospetiva de dados dos doentes obser-
2 Serviço de Urgência, Hospital Pediátrico, Centro Hospitalar e vados numa primeira consulta de imunoalergologia por asma per-
Universitário de Coimbra, Coimbra, PORTUGAL sistente ligeira no período de 2015 -2019. Cálculo do IMC ajustado
à idade/género de acordo com as tabelas da OMS. Colheita de
Objectivo: A asma é uma das doenças crónicas mais comuns na dados referentes à anamnese e provas de função respiratória (PFR).
população pediátrica, com impacto significativo na qualidade de vida Análise estatística recorrendo ao SPSS versão 22 e comparação
dos doentes, bem como no sistema nacional de saúde. A exacer- de grupos com teste x2 com intervalo de confiança de 95%.
bação da asma é um dos motivos mais comuns de admissão no Resultados e conclusões: Foram incluídas 219 crianças: 127 (58%)
Serviço de Urgência (SU) em idade pediátrica. De acordo com a do género masculino com média de idades de 11,9 anos. De acordo
literatura, três ou mais visitas ao SU por ano são consideradas um com o IMC 7 (3,2%) crianças apresentavam baixo peso; 132 (60,3%)
fator de risco para morte relacionada com asma. Assim, o objetivo peso normal; 45 (20,5%) excesso de peso e 35 (16%) obesidade.
deste trabalho é descrever as características deste grupo de risco. Na primeira consulta proposta terapêutica com corticóide (cst)
Metodologia: Foram analisados, retrospetivamente, os casos de inalado em 214 (97,7%) crianças e associação cst com beta agonis-
doentes com três ou mais visitas por asma durante um ano, do SU ta de longa duração de ação (LABA) em 5 (2,3%).
do Hospital Pediátrico de Coimbra. Em consulta subsequente 144 (65,8%) apresentavam asma controla-
Resultados e conclusões: Durante 2018, das 44938 admissões da e 75 (34,2%) asma não controlada, segundo avaliação por CARAT
no SU, 1384 foram devidas a episódios de asma. Desses episódios, Kids. Dos doentes com asma controlada 140 (97,2%) estavam medi-
85 doentes tinham três ou mais visitas ao SU (máx. 8 visitas), o que cados com corticóide (cst) e 4 (2,8%) com associação de cst e LABA.
correspondeu a 323 (23%) das admissões por exacerbação da asma. As doses de cst necessárias ao controlo da asma foram baixas em
A mediana da idade foi de 4 anos (1 -17 anos), 66% dos doentes eram 39 (27,1%) doentes e médias em 105 (72,9%) doentes.
do sexo masculino. 55% dos doentes viviam em meio urbano. No Nas PFR a curva débito -volume apresentava padrão obstrutivo em
que respeita à sazonalidade, o pico das exacerbações ocorreu du- 35 (16%) crianças. Analisando os volumes dinâmicos pulmonares:
rante o outono e o inverno. O desencadeante mais comum foi a 4 (1,8%) apresentavam FEV1 <80%; 181 (82,6%) 80<FEV1<120; 34
patologia infecciosa. Os episódios foram triados como amarelo em (15,5%) FEV1>120% e 13 (50,9%) MEF 25 -75 <60. A prova de bron-
55% das admissões. A maioria dos doentes apresentou saturação codilatação foi efetuada em 146 (66,7%) crianças, tendo sido po-
periférica de oxigénio > 95% (63%). Os episódios foram classifica- sitiva em 31 (21,2%).
dos, de acordo com as recomendações da Direção -Geral da Saúde: Foi verificado que os doentes com excesso de peso /obesidade
abordagem da sibilância e asma em idade pediátrica, como leves em (Ep/O) apresentam maior tendência a provas de broncodilatação
191 (59%) das admissões, moderados em 116 (36%) e graves em 16 positivas (p =0,043).
(5%) e nenhum foi classificado como ameaçador da vida. No SU, Não foi encontrada correlação estatisticamente significativa entre o
118 (37%) admissões foram tratadas apenas com Beta2 -agonista de IMC e o controlo da asma (p=0,26), a dose de cst usada para contro-
curta ação inalado o que correspondeu a 76 (64%) das admissões lo da mesma (p= 0,187), os volumes dinâmicos pulmonares ou a mor-
classificadas como leves e 41(35%) das admissões classificadas como fologia da curva expiratória débito volume, embora os doentes com
moderadas. 64 (20%) dos episódios foram tratados com a combi- Ep/O apresentem maior tendência a curvas obstrutivas (p=0,079).
nação de Beta2 -agonista de curta ação inalado, anticolinérgico de Conclusão: Na nossa população encontramos 20% de crianças
curta ação inalado e corticosteroide oral, o que correspondeu a com excesso de peso e 16% com obesidade, valores ligeiramente
19 (30%) das admissões classificadas como leves e 40 (62%) das mais elevados do que os dados disponíveis do estudo COSI Por-
admissões classificadas como moderadas. Em 109 (34%) das admis- tugal 2019. Os doentes com Ep/O apresentam maior tendência
sões foi prescrito corticosteroide oral para o domicílio. para provas de broncodilatação positivas e curvas obstrutivas.
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REVIST A POR TUGUESA DE IMUNO ALERGOLOGIA

