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XLI REUNIÃO ANUAL DA SPAIC / RESUMOS DAS COMUNICAÇÕES ORAIS E DOS POSTERS
PO 04 – Gravidez em mulheres atópicas: impacto nos PO 05 – Marcadores serológicos de ativação B em
marcadores serológicos de ativação B mulheres atópicas: premicias de atopia desde a
C Martins , J Lima , G Cambridge , M Ângelo -Dias , M Leandro , gravidez?
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L M Borrego 1,4 C Martins , J Lima , G Cambridge , M Ângelo -Dias , M Leandro ,
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1 CEDOC & CHRC – NOVA Medical School|Faculdade de Ciências L M Borrego 1,4
Médicas, Lisboa, PORTUGAL 1 CEDOC & CHRC – NOVA Medical School|Faculdade de Ciências
2 Hospital CUF Descobertas, Lisboa, PORTUGAL Médicas, Lisboa, PORTUGAL
3 University College London, Londres, UNITED KINGDOM 2 Hospital CUF Descobertas, Lisboa, PORTUGAL
4 Hospital da Luz, Lisboa, PORTUGAL 3 University College London, Londres, UNITED KINGDOM
4 Hospital da Luz, Lisboa, PORTUGAL
Objectivo: Nos últimos anos têm surgido vários estudos que
documentam a importância do compartimento B na atopia, sendo Objectivo: O risco de doença alérgica na criança é maior na
escassos os estudos na gravidez. Em mulheres grávidas saudáveis, presença de história de atopia materna do que paterna, o que
foram identificados perfis de evolução de marcadores de ativação sugere a relevância do período gestacional neste contexto. Apesar
B entre o fim da gravidez e o puerpério, pelo que este estudo desta associação ser ainda pouco compreendida, vários estudos
pretendeu abordar a sua dinâmica em grávidas atópicas, com doen- têm realçado a importância do compartimento B circulante, que
ça controlada. sofre modificações durante a gravidez e parece relacionar -se com
Metodologia: Estudo prospetivo, que recrutou 24 grávidas ató- o desenvolvimento de doença alérgica em crianças filhas de mu-
picas (GA), 32 mulheres não -grávidas atópicas (NGA), 43 grávidas lheres atópicas. Com este estudo, pretendemos estudar a dinâmi-
não atópicas (GS) e 35 mulheres não grávidas não atópicas (NGS), ca de marcadores de ativação de B em grávidas atópicas, e a sua
com 4 drop -outs no primeiro grupo. Todas as grávidas foram es- relação com manifestações de doença alérgica nos seus filhos.
tudadas no 3.º trimestre (entre a 31.ª e a 36.ª semanas) e 6 semanas Metodologia: Foi desenhado um estudo prospetivo, que recrutou
pós -parto. Foram realizadas colheitas de soro para doseamento 24 grávidas atópicas (com 4 drop outs durante o estudo) no 3.º
dos níveis séricos de CD23 solúvel (sCD23), B -cell activating fac- trimestre da gravidez, monitorizadas e acompanhadas até 6 sema-
tor (BAFF), IgA, IgG, IgM, e cadeias leves kappa (k) e lambda (l), nas pós -parto. Foram colhidas amostras de sangue periférico em
por ensaios imunoenzimáticos. 3 períodos: entre a 31.ª e a 36.ª semanas de gestação, no dia do
Resultados e conclusões: Resultados: Todos os marcadores parto e 6 semanas pós -parto. Através de ensaios imunoenzimáti-
doseados mostraram valores comparáveis em mulheres GA e GS cos foram avaliadas as concentrações séricas de CD23 solúvel
durante a gravidez. Contudo, após o parto, ocorreu aumento mais (sCD23), B -cell activating factor (BAFF), IgA, IgG, IgM, e cadeias
acentuado de sCD23 nas GA, que ao contrário das GS, não au- leves kappa (k) e lambda (l). Os filhos de todas as mulheres em
mentaram significativamente os níveis de BAFF. No pós -parto estudo foram avaliados até aos 6 meses de idade.
verificou -se também aumento dos níveis séricos de IgA, IgG e Resultados e conclusões: Resultados: Com exceção de uma
cadeias leves k (p<.05) em GA e GS. Em comparação com mulhe- ligeira descida dos níveis de séricos de cadeias leves l no dia do
res NGA, na gravidez, as GA apresentaram diferenças nos níveis parto (p=.012), não se verificaram diferenças significativas entre a
séricos de sCD23 e BAFF (p<.001), ambos mais elevados no pe- avaliação no parto e no terceiro trimestre da gravidez. Contudo,
ríodo gestacional (p<.05). Com a subida de sCD23 no pós -parto, verificou -se no pós -parto um aumento acentuado de sCD23,
acentuou -se a diferença entre NGA e GA para este marcador acompanhado pelo aumento dos níveis séricos de IgA, IgG e cadeias
neste período (p<.001). Os níveis de IgG encontravam -se diminuí- leves k (p<.05).
dos nas GA em comparação com NGA (p<.001), uma diferença Os filhos de 9/20 mulheres estudadas (45%) apresentaram eczema,
que desapareceu na avaliação pós -parto, de forma similar ao ob- pieira recorrente ou alergia alimentar até aos 6 meses de vida.
servada nos grupos de mulheres saudáveis. Durante a gravidez, estas 9 mulheres tinham níveis mais baixos de
Conclusões: Os marcadores de ativação das células B estudados IgG e de cadeias leves l (p<=.031) em relação às mulheres sem
parecem ser igualmente afetados pela gravidez em mulheres sau- manifestações de risco na descendência. Na análise por ROC, IgG
dáveis e atópicas. Possíveis alterações nestes perfis podem estar (AUC 0.79 [95%CI 0.57 -1.00]) e l (AUC 0.91 [95%CI 0.78 -1.00])
na génese das diferentes manifestações atópicas observadas du- mostraram -se possíveis fatores preditivos para a manifestação de
rante a gravidez, onde se relatam em iguais proporções agrava- alergia nas crianças, permitindo estabelecer pontos de corte de
mento, melhoria ou manutenção do quadro da doença. No entan- 6.74g/L para IgG (S=90.9%, E=77.8%) e 11.30 mg/L para cadeias
to, após o parto, a dinâmica muda significativamente em mulheres leves l (S=81.8%, E=88.9%).
atópicas em relação a sCD23 e BAFF. Considerando a papel do Conclusões: Os níveis séricos de IgG e de cadeias leves l obser-
CD23 como recetor de IgE, bem como a sua capacidade de pro- vados na gravidez podem representar marcadores de risco para o
mover o aumento da produção e libertação desta imunoglobulina, desenvolvimento de atopia na descendência, com potencial apli-
a monitorização deste marcador pode ter relevância durante a cação no acompanhamento das crianças e no desenvolvimento de
gravidez e no pós -parto na grávida atópica. estratégias de prevenção precoces para os indivíduos em risco.
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REVIST A POR TUGUESA DE IMUNO ALERGOLOGIA

