Page 45 - RPIA_28-SUPL2
P. 45

XLI REUNIÃO ANUAL DA SPAIC / RESUMOS DAS COMUNICAÇÕES ORAIS E DOS POSTERS






             SESSÃO DE COMUNICAÇÕES ORAIS IV                CO 23 – Imunoterapia sublingual com PRU P 3:
                                                            Segurança do protocolo rush versus ultra -rush
                      ALERGÉNIOS E ITA E IDP                M ISsilva, M Paulino, F C Duarte, C Costa, E Pedro
                                                            Serviço de Imunoalergologia, Hospital de Santa Maria, Centro
          Dia: 26 de Setembro                               Hospitalar Universitário Lisboa Norte, Lisboa, PORTUGAL
          Horas: 08h30 – 10h00
          Sala: 2                                           Objectivo: As proteínas de transferência lipídica(LTP) estão
                                                            presentes nos alimentos vegetais e as manifestações de hiper-
          Moderadores: Amélia Spínola, Carlos Lozoya, Rodrigo Rodrigues Alves  sensibilidade variam desde síndrome de alergia oral(SAO) à anafi-
                                                            laxia. O risco de reação grave e a probabilidade dos doentes(dts)
          CO 22 – Série de 7 casos de imunoterapia com veneno   reagirem a outros alimentos(síndrome LTP) tornam esta alergia
          de himenópteros com pauta ultrarrápida de 4 passos  um alvo importante para imunoterapia(IT). A IT sublingual(SLIT)
          R Moço Coutinho, A M Mesquita, J L Plácido, A Coimbra  com Pru p3 pode ser usada como terapêutica eficaz, mas a fase
          Centro Hospitalar Universitário de São João, Porto, PORTUGAL  de indução(FI) do protocolo rush(PR) é demorada. O objetivo
                                                            consiste em comparar a segurança do PR SLIT Pru p 3 versus
          Objectivo: As pautas ultrarrápidas (UR) utilizadas para iniciação   protocolo ultra -rush(PUR), adaptado do Hospital Virgen Maca-
          de imunoterapia com veneno (VIT) de himenópteros são proto-  rena de Sevilla.
          colos mais simples e convenientes, mantendo a segurança. O pro-  Metodologia: Estudo retrospetivo comparando a segurança
          tocolo de Birnbaum [Clin Exp Allergy, 2003] consiste em 6 admi-  da SLIT Pru p3(Alk -Abello ) PR versus PUR em dts com sín-
                                                                                ®
          nistrações de doses crescentes de veneno até à dose cumulativa   drome LTP seguidos entre 2012 e 2020 na Unidade de Alergia
          de 101,1 µg em 210 minutos. No nosso serviço, desde 2015 que as   Alimentar.
          pautas foram encurtadas para 5 passos com dose cumulativa total   Resultados e conclusões: 45 dts: 40(29 mulheres -72,5%) -PR e
          de 101 µg, administrada em 180 minutos, sem aumento das reações   5(4 mulheres -80%) -PUR. Apresentação do síndrome LTP: SAO
          sistémicas graves [RPIA 2019, Supl. 1].           em 11 (27,5%) dts e reações sistémicas em 29 (72,5%) -15 (51,7%)
          Objetivo: Avaliação da segurança de 7 pautas UR de VIT encur-  urticária/angioedema e 14 (48,3%) anafilaxia no PR; SAO em 2
          tadas para 4 passos.                              (40%) dts e anafilaxia em 3 (60%) no PUR. Valor médio de Pru
                                                                            ®
          Metodologia: Revisão dos registos clínicos de 7 doentes que   p3(ImmunoCAP ISAC  ThermoFisher Scientific, ISU -E): 4,9 no
          realizaram pautas UR para iniciação de VIT com um protocolo   grupo PR e 5,9 no grupo PUR. No PR, FI de 4 dias com doses
          acelerado de 4 aplicações com dose inicial de 10 µg, dose cumula-  cumulativas (DC) de Pru p3: 0,24ug -dia 1; 2,2ug -dia 2; 36ug -dia 3;
          tiva total de 100 µg administrada em 150 minutos, seguidos de um   40ug -dia 4; no PUR, FI de 2 dias com DC: 2,44ug -dia 1; 100ug -dia
          período de vigilância de pelo menos 4 horas em Hospital de Dia.   2. Na FI, 5 dts do PR tiveram reações: 3 (60%) SAO (DC 0,022,
          Todos os doentes tinham feito pré -medicação com anti -histamínico   2,44 e 0,022ug) com resolução espontânea, 1 (20%) aperto oro-
          e estavam cateterizados e monitorizados.          faríngeo (DC 8ug) que resolveu com anti -histamínico(anti -H1) oral
          Resultados e conclusões: Os doentes tinham idades entre os   e 1 (20%) edema da úvula (DC 38ug) que resolveu com anti -H1 e
          36 e os 60 anos, 5 eram do sexo masculino, 4 pautas com veneno   corticóide endovenosos; no PUR 2 dts tiveram reações: 1 (50%)
          de vespa e 3 com abelha. Todos os protocolos foram concluídos.   SAO (DC 0,32ug) com resolução espontânea e 1 (50%) eritema
          Dos doentes alérgicos a vespa, apenas 1 referiu impressão orofa-  palmar com tosse (DC 102ug) que resolveu com anti -H1 e corti-
          ríngea (reação diferente à da picada) duas horas após ter termina-  cóide endovenosos. O doente com maior valor de Pru p3(PR -25,3
          do. Os restantes 3 doentes toleraram o tratamento sem sintomas.   ISU -E) apresentou o síndrome LTP com anafilaxia tendo apenas
          Dos doentes alérgicos a abelha, um teve anafilaxia e uma teve   SAO durante a FI; dts com reações sistémicas na FI tinham valores
          exantema generalizado. Ambos tiveram a reação após o terceiro   baixos de Pru p3 -média 1,44 ISU -E. Todos os dts completaram a
          passo (dose cumulativa de 60 µg) e ambas as reações foram repro-  FI dos dois protocolos.
          dutíveis relativamente à reação com a picada. O terceiro doente   As reações na FI foram semelhantes nos dois grupos e nenhum
          tolerou o tratamento sem sintomas.                registou anafilaxia, pelo que o novo protocolo pode ser conside-
          Concordante com outras séries, a imunoterapia com veneno de   rado seguro, mesmo em dts com história de reação sistémica(com
          vespa tem reações adversas habitualmente menos graves e menos   DC maiores). Não foi possível encontrar uma relação direta entre
          frequentes. Pode ser possível abreviar as pautas sem comprometer   o valor de Pru p3 e maior probabilidade de reação na FI. Apesar
          a segurança nos doentes alérgicos a veneno de vespa. As pautas   da amostra ser menor, o PUR parece ser uma opção segura e in-
          UR com veneno de abelha cursam com maior número de reações   diretamente menos dispendiosa.
          adversas, mesmo quando são utilizadas pautas mais lentas. Nesta
          pequena amostra de 3 doentes, um não teve qualquer reação, mas
          uma teve reação sistémica cutânea e outro anafilaxia. É possível
          que alguns dos doentes alérgicos a veneno de abelha beneficiem
          com administrações iniciais de doses inferiores para aumentar a
          segurança da imunoterapia nas doses cumulativas superiores.


                                                                                                              17

                                             REVIST A POR TUGUESA DE IMUNO ALERGOLOGIA
   40   41   42   43   44   45   46   47   48   49   50