Page 46 - RPIA_28-SUPL2
P. 46
XLI REUNIÃO ANUAL DA SPAIC / RESUMOS DAS COMUNICAÇÕES ORAIS E DOS POSTERS
CO 24 – Segurança da imunoterapia subcutânea e CO 25 – Avaliação da eficácia da imunoterapia na
utilização de protocolos rush em idades pediátricas rinoconjuntivite através de provas de provocação
A M Mesquita, R Moço Coutinho, A Coimbra, J L Plácido conjuntival – Um estudo de vida real
1
1
1,2
1
Serviço de Imunoalergologia, Centro Hospitalar e Universitário M J Vasconcelos , A M Mesquita , T Rama , R Moço Coutinho , J
1
S.João, Porto, PORTUGAL Mianda , J L Plácido , D Silva 1,2
1
1 Serviço de Imunoalergologia, Centro Hospitalar Universitário de
Objectivo: A imunoterapia específica com aeroalergénios por via São João, Porto, PORTUGAL
subcutânea (SCIT) é um tratamento seguro e eficaz na doença 2 munologia Básica e Clínica, Departamento de Patologia,
I
alérgica. Apesar de raras, estão descritas reacções adversas so- Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Porto,
bretudo durante a iniciação. Em idades pediátricas existem preo- PORTUGAL
cupações acrescidas, relativamente às reacções, principalmente
com pautas de iniciação rush. Introdução: As provas de provocação conjuntival (PPC) têm sido
O objectivo do estudo foi avaliar a segurança da SCIT e a utili- usadas para avaliar a eficácia da imunoterapia com aeroalergénios
zação de pautas rush nos protocolos de iniciação em idades (ITA) em ensaios clínicos, contudo escasseiam estudos sobre a sua
pediátricas. aplicabilidade na prática clínica.
Metodologia: Revisão dos registos clínicos de doentes (<18 Objetivo: Avaliar a eficácia da ITA, utilizando as PPC, e a satisfa-
anos) submetidos a SCIT com aeroalergénios no nosso serviço ção com o tratamento, aplicando a “Escala de Satisfação de Doen-
em 2019. Na fase de iniciação foi utilizada a pauta rush (0.2ml tes que Receberam Imunoterapia com Alergénios” (Questionário
+ 0.3ml com intervalo de 30 minutos entre as aplicações). A ESPIA) em doentes com o rinoconjuntivite a D.pteronyssinus (Dp)
SCIT foi administrada pela equipa de enfermagem sob supervi- e/ou pólenes de gramíneas.
são médica e todos permaneceram pelo menos 30 minutos após Metodologia: Estudo prospetivo num centro hospitalar univer-
a administração. sitário com doentes com rinoconjuntivite que realizaram PPC
Resultados e conclusões: Foram aleatoriamente selecionados antes e pelo menos um ano após o início do tratamento com ITA
174 doentes que realizaram SCIT durante 2019, 99 (57%) do sexo com Dp e/ou gramíneas (Dactylis, Festuca, Lolium, Phleum e Poa).
feminino, com idade média de 11 (± 3) anos. O tempo médio de As PPC foram realizadas com extractos padronizados da Leti com
®
SCIT foi de 22 (±16) meses. concentrações crescentes de alergénio. A pontuação total de sin-
Relativamente à doença alérgica subjacente, 52 (30%) tinham tomas oculares (TOSS) foi avaliada e um resultado positivo foi
rinite, 53 (31%) rinoconjuntivite, 7 (4%) asma, 2 (1%) conjuntivi- considerado se pontuação total maior ou igual a 5 pontos. Os
te, 1 (~1%) dermatite atópica e 59 (34%) tinham mais do que uma resultados das PPC antes e após o início de ITA foram comparados.
patologia. Foi aplicada uma versão traduzida e culturalmente adaptada do
SCIT com extracto de ácaros foi realizada em 93 (53%), pólenes questionário ESPIA.
(gramíneas, ervas e árvores) em 52 (30%), mistura de ácaros com Resultados e conclusões: Um total de 29 PPC foram realizadas
pólenes em 28 (16%) e Alternária em 1 (1%). Todos os extratos em 20 doentes (14 com Dp e 15 com gramíneas), 70% do sexo
eram polimerizados. feminino, idade mediana de 15 anos (60% crianças) e metade com
Cinquenta e sete (33%) tiveram reacções locais, 6 (11%) tiveram diagnóstico concomitante de asma. Num quarto dos doentes foi
reacções na fase inicial da pauta, 51 (90%) nas administrações sub- prescrita ITA apenas com gramíneas, em 15% apenas Dp e em 60%
sequentes e 19 (33%) reagiram em ambas as fases. Não foram mistura de Dp e gramíneas. A duração média do tratamento foi
reportadas reacções sistémicas. O tratamento incluiu medidas de 21 meses. A concentração necessária para uma PPC positiva
locais e/ou anti -histamínicos, mas em 8 doentes as doses subse- aumentou em 93% dos doentes tratados com Dp (até 100x supe-
quentes foram divididas em ambos os braços. Não foi necessário rior); com as gramíneas aumentou em 40% e diminuiu em 20% dos
reduzir a dose em nenhum doente e ninguém suspendeu a SCIT. doentes. Os 3 doentes com aumento da reatividade ocular para
Não foi encontrada nenhuma correlação entre as reacções locais as gramíneas recebiam ITA com mistura de alergénios. No ques-
e as doenças alérgicas ou os aeroalergénios. tionário ESPIA, os doentes tratados com Dp, gramíneas ou ambos
Neste grupo em idade pediátrica não foram reportadas reac- reportaram uma pontuação mediana de 60[52;69], 62[48;71] e
ções sistémicas e apenas 1/3 teve reacções locais, que foram 60[52;69] pontos, respetivamente.
tratadas sem necessidade de reduzir a dose ou suspender o Conclusão: As PPC poderão ser uma ferramenta para avaliar a
tratamento. eficácia da ITA na prática clínica mas ainda são necessários estudos
A imunoterapia subcutânea é segura em idade pediátrica, mesmo com amostras maiores e período de seguimento superior para
quando utilizada uma pauta rush nos protocolos de iniciação. É confirmar estes resultados. Por outro lado, protocolos distintos,
importante salientar que a administração deve sempre ser reali- utilizando progressões mais lentas, podem ter diferentes resulta-
zada em local apropriado, com profissionais treinados para reco- dos. Os questionários de satisfação podem ser uma ferramenta
nhecer os potenciais riscos e tratar as reacções adversas. adicional na avaliação da eficácia deste tratamento.
18
REVIST A POR TUGUESA DE IMUNO ALERGOLOGIA

