Page 47 - RPIA_28-SUPL2
P. 47
XLI REUNIÃO ANUAL DA SPAIC / RESUMOS DAS COMUNICAÇÕES ORAIS E DOS POSTERS
CO 26 – Imunoterapia com aeroalergénios durante a CO 27 – Comparação de dois testes laboratoriais
pandemia COVID -19: O reinício distintos de diagnóstico molecular – ISAC vs ALEX
M Bragança, J L Plácido, L Amaral A Palhinha , M Lobato , I Carrapatoso , A M Romeira , S Prates ,
1
1
1
1
2
2
Serviço de Imunoalergologia, Centro Hospitalar Universitário de V Matos , P Leiria -Pinto 1,3
São João, Porto, PORTUGAL 1 Serviço de Imunoalergologia, Hospital de Dona Estefânia, Centro
Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Lisboa, PORTUGAL
Objectivo: A atividade assistencial não urgente do Serviço de 2 Laboratório de Imunologia, Hospital de São José, Centro
Imunoalergologia (SIA) foi suspensa devido à pandemia COVID -19. Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Lisboa, PORTUGAL
Com a retoma da rotina hospitalar, os doentes sob Imunoterapia 3 CEDOC, Integrated Pathophysiological Mechanisms Research
Subcutânea com aeroalergénios (SCIT -a) foram convocados para Group, Nova Medical School, Lisboa, PORTUGAL
retomar o tratamento. Para evitar a sobrelotação da sala de es-
pera, a SCIT foi reiniciada na fase de manutenção. O objetivo Objectivo: O diagnóstico molecular entrou na rotina da investi-
deste trabalho foi avaliar a segurança do reinício da SCIT sem gação alergológica. O ISAC é o ensaio multiplex utilizado na nos-
ajuste de dose. sa prática clínica, mas há um novo teste (ALEX) atualmente dis-
Metodologia: Avaliação retrospetiva dos doentes que reiniciaram ponível. O objectivo foi comparar a utilidade clínica de ISAC e
SCIT entre maio e julho de 2020 após suspensão da administração ALEX no diagnóstico e decisão terapêutica.
da mesma em contexto de estado de emergência por COVID -19. Metodologia: Selecionámos consecutivamente 20 doentes com
Foram incluídos os doentes a realizar SCIT -a no SIA, que se en- ISAC pedido, nos quais ambos os ensaios foram realizados. Dois
contravam na fase de manutenção sem história de reações prévias. grupos distintos de investigadores, com acesso à mesma informa-
Os extratos utilizados eram exclusivamente polimerizados sendo ção clínica, avaliaram os resultados de cada teste e cada um fez a
administrados pela equipa de enfermagem, sob vigilância do imu- sua proposta de diagnóstico e terapêutica de acordo com os re-
noalergologista assistente com um período de vigilância de 30 sultados. Foram comparados os resultados e as decisões clínicas
minutos. As reações adversas foram classificadas como imediatas dos grupos.
(até 30 minutos) ou tardias, e locais, locais extensas (> 2,5 cm) ou Resultados: A amostra apresentou uma idade média de 28,2±16,4
sistémicas, de acordo com tempo de manifestação e extensão, anos, com distribuição de género similar. Dezanove doentes apre-
respetivamente. sentavam alergia respiratória (AR) e 9 tinham alergia alimentar
Resultados e conclusões: Um total de 273 doentes foram agen- (AA) suspeita/confirmada. O ISAC foi pedido em 14 doentes para
dados e 241 realizaram o reinício no SIA; 46,5 % do sexo feminino, decisão de imunoterapia para aeroalergénios (ITE) e em 6 para
idade média de 23±14 anos. O diagnóstico mais frequente é a ri- investigação de AA. Dos doentes com AR, relativamente aos ae-
nite, acometendo 97,5% doentes, 45,1% dos quais com rinocon- roalergénios presentes em ambos os ensaios, 12 apresentaram
juntivite. A asma estava presente em 38,6%, e é diagnóstico único resultados semelhantes, mas em 7 casos sensibilizações conside-
em 2,5% dos doentes. Mais de metade dos doentes (51%) realiza- radas significativas foram detetadas apenas no ISAC, condicionan-
vam SCIT de ácaros, 24,1% de pólenes, 24,1% de mistura de ácaros do diferentes propostas de imunoterapia em 4 deles. Adicional-
e pólenes, e 0,8% de mistura de ácaros e faneras de gato. A média mente, em 8 doentes o ALEX identificou sensibilizações
de dias de atraso era 65±20 dias. Apenas 5 doentes apresentaram potencialmente relevantes a alergénios não presentes no ISAC
reação local, 4 dos quais estavam sob SCIT de ácaros e 1 de mis- (Alnus, Amaranth, Glycyphagus). Encontrámos falsos positivos
tura de ácaros e faneras de gato. Nenhum doente apresentou para alergénios moleculares alimentares em ambos os testes (4
reação local extensa ou sistémica e todos continuaram a SCIT. ISAC, 11 ALEX).
As recomendações para reinício da SCIT são escassas e pouco Conclusão: ALEX e ISAC demonstraram resultados compará-
consensuais implicando a repetição do protocolo de indução ultra- veis na maioria dos doentes. Contudo, em doentes com AR,
-rush, na maior parte dos casos. Os resultados obtidos sugerem resultados discrepantes levaram a diferentes decisões clínicas de
que, nos extratos polimerizados, é seguro reiniciar SCIT -a na fase ITE. O ALEX detetou sensibilizações previamente desconhecidas,
de manutenção sem ajuste de dose. Nenhum dos doentes com cuja relevância clínica exije investigação futura. Estes resultados
SCIT com pólenes apresentou reação adversa, questionando a sugerem que os ensaios multiplex podem não ser suficientes para
necessidade de ajustar a dose de reinício destes extratos durante decidir a melhor ITE. Nos doentes com suspeita de AA, ambos
a época polínica. Mais dados são necessários para suportar estas os ensaios foram úteis na identificação de alergénios moleculares
hipóteses. específicos de espécie, mas encontrámos diferenças como a in-
capacidade do ALEX identificar Jug r 3, um alergénio com rele-
vância clínica nos doentes estudados. É essencial saber reconhe-
cer resultados falsos positivos, na nossa amostra mais frequentes
com o ALEX. Nenhum dos testes foi particularmente útil quan-
do a história clínica era vaga. A amostra é pequena pelo que
estes resultados precisam ser confirmados em grupos com maior
número de doentes.
19
REVIST A POR TUGUESA DE IMUNO ALERGOLOGIA

