Page 57 - RPIA_28-SUPL2
P. 57

XLI REUNIÃO ANUAL DA SPAIC / RESUMOS DAS COMUNICAÇÕES ORAIS E DOS POSTERS





          cleares positivos. Quarenta e seis doentes (75,4%) tiveram exa-  No início da terapêutica, os doentes apresentavam UAS7 (media-
          cerbações significativas no ano anterior, com necessidade de   na (P25 -P75)) de 28 (19,25 -31,50); após 1 mês o UAS7 foi de 7
          consultas não programadas, avaliação em serviço de urgência,   (0,0 -18,0); após 6 meses foi de 0 (0,0 -7,25) e após um ano de
          internamento ou absentismo laboral.               tratamento foi de 0 (0,0 -5,0).
          O número de exacerbações correlacionou -se com a presença de   Cinco doentes foram RC, 2 RP e 1 foi NR. Analisando o valor de
          angioedema (p=0,022), com o diagnóstico recente, e com um UAS7   IgE, verifica -se que a doente não respondedora apresentava um
          mais elevado (p=0,006). Um maior número de AH -H1, corticote-  doseamento de 4,3 kU/L. Os doentes que atingiram UAS7<ou=6
          rapia e / ou ciclosporina correlacionaram -se com o UAS7 (p=0,006).   aos 6 meses de terapêutica apresentavam IgE superior (320,5
          A UCInd associou -se a um pior controlo dos sintomas (p=0,022),   (166,75 -1021,75)) relativamente aos doentes com UAS7>6 (16,4
          mas a menor número de exacerbações graves (p=0,015). Todos os   (4,3 -28,5)). No entanto, a diferença não foi estatisticamente sig-
          doentes estavam medicados com AH -H1, com a maioria sob dose   nificativa. Não se verificaram reações adversas ao Omalizumab.
          dupla diária; 9,8% com montelucaste; 8,2% com omalizumab; 4,9%   As três doentes que iniciaram auto -administração no domicílio
          com corticoterapia e 1,6% com ciclosporina.       reportaram estar satisfeitas, referindo como principais vantagens
          Estes dados permitiram várias conclusões; (1) o diagnóstico recen-  a ausência de deslocação ao hospital, comodidade e autonomia.
          te de UC associa -se a pior controlo de sintomas, (2) a presença   O Omalizumab parece ser uma terapêutica eficaz e segura nesta
          de angioedema correlaciona -se com um maior número de exacer-  amostra. Observou -se uma tendência (não significativa estatisti-
          bações, (3) o UAS7 associa -se melhor à ocorrência de exacerba-  camente) para doentes com níveis de IgE total mais elevados res-
          ções e doses de tratamento do que o UCT; (4) a pesquisa de au-  ponderem mais rapidamente à terapêutica. Os doentes que inicia-
          toimunidade e de marcadores inflamatórios pode estar indicada   ram a auto -administração, apresentavam -se satisfeitos. Espera -se
          em casos individuais. A caracterização fenotípica e a identificação   que o aumento da amostra permita confirmar a significância dos
          de preditores de resposta poderão contribuir para terapêuticas   resultados encontrados.
          personalizadas mais eficazes no controlo da doença.
                                                            PO 18 – Omalizumab na urticária crónica espontânea –
          PO 17 – Omalizumab no tratamento da urticária     Realidade de um serviço de imunoalergologia de um
          crónica espontânea                                hospital nível 2
                   1
                        1
          T Goncalves , J Pita , P Leiria Pinto 1,2         J Gomes, C Valente, M Mesquita, C Santa, J A Ferreira, I Rosmaninho,
          1   Serviço de Imunoalergologia, Hospital de Dona Estefânia, Cen-  I Lopes
           tro Hospitalar e Universitário de Lisboa Central, E.P.E., Lisboa,   Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia / Espinho EPE, Vila Nova
           PORTUGAL                                         de Gaia, PORTUGAL
          2   CEDOC, Integrated Pathophysiological Mechanisms Research
           Group, Nova Medical School, Lisboa, PORTUGAL     Objectivo: O Omalizumab (OMZ) é um anticorpo monoclonal
                                                            recombinante anti -IgE, aprovado na Europa desde 2014 no trata-
          Objectivo: O Omalizumab está aprovado para o tratamento da   mento da urticária crónica espontânea (UCE) refratária ao trata-
          urticária crónica espontânea (UCE) refratária à terapêutica anti-  mento com anti -histamínico (AH1). Apesar do amplo perfil de
          -histamínica quádrupla. O objetivo deste trabalho é caracterizar   segurança permanece um fármaco de administração hospitalar,
          uma população de doentes com UCE do Serviço de Imunoalergo-  com custos para o doente e para o hospital.
          logia (SIA) do Hospital Dona Estefânia (HDE) e avaliar a sua res-  O objetivo deste estudo é descrever a experiência do nosso ser-
          posta ao Omalizumab.                              viço, na abordagem da UCE refratária a AH1 tratada com OMZ
          Metodologia: Foi realizada uma análise retrospetiva (2014 -2020)   desde 2012 até ao ano atual.
          dos processos clínicos dos doentes com UCE sob Omalizumab no   Metodologia: Análise retrospetiva dos processos clínicos dos
          SIA, após pelo menos 6 meses de terapêutica. Recolheram -se da-  doentes com UCE tratados com OMZ, de Novembro de 2012 a
          dos demográficos, clínicos, IgE total, score UAS7, resposta ao   Janeiro de 2020.
          tratamento e satisfação com a auto -administração. Consideramos   Resultados e conclusões: Avaliados 27 doentes (93,5% mulhe-
          respondedores completos (RC) doentes apenas sob Omalizumab   res), idade média 42(±13) anos. Cerca de 51,6% tinham angioedema
          e anti -H1 em SOS para atingirem UAS7< ou= 6; respondedores   e 35,5% urticária indutível. A mediana de duração da doença até
          parciais (RP), aqueles com necessidade de medicação diária além   início do OMZ foi de 5 anos(6 meses - 24 anos). A IgE total media-
          do Omalizumab para UAS7< ou= 6; não respondedores (NR), se   na foi de 149(2 -1855) IKU/L. Todos cumpriram terapêutica com
          mantinham persistentemente UAS7>6.                AH1 em dose quadrupla previamente ao início do tratamento com
          Resultados e conclusões: Foram registados 8 doentes com UCE   OMZ e 87,1% corticoide sistémico (COs). Após início de OMZ,
          sob Omalizumab, 7/8 do sexo feminino. A mediana (P25 -P75) da   41,9% dos doentes necessitou de AH1 on demand, 29% AH1 em
          idade de início da UCE foi de 43,0 (34,5 -58,3) anos e a do tempo   dose quadrupla e 1 manteve baixa dose de COs diário. A redução
          decorrido entre o diagnóstico e o início do Omalizumab foi de 2,5   média do Urticaria Control Test (UCT) pré -OMZ e aos 6 meses
          (2,0 -4,5) anos. Três doentes tinham comorbilidades atópicas e 6   foi de 7,7(± 4,4). O Urticaria activity score (UAS7) aumentou em
          tinham não atópicas.                              média 22,0(±8,0) aos 6 meses de OMZ; a mediana de aumento do


                                                                                                              29

                                             REVIST A POR TUGUESA DE IMUNO ALERGOLOGIA
   52   53   54   55   56   57   58   59   60   61   62