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XLVII REUNIÃO ANUAL DA SPAIC / RESUMOS DAS COMUNICAÇÕES ORAIS,
POSTERS E CASOS CLÍNICOS
Discussão: A recorrência de lesões ovaladas na mesma localiza- CC15 – FÁRMACO, INFEÇÃO OU AMBOS?
ção, mesmo em localizações mucosas atípicas, deve colocar a sus- SINDROME DE STEVENS-JOHNSON POR
peita de eritema fixo, sendo fundamental uma investigação etioló- LAMOTRIGINA – O MYCOPLASMA PNEUMONIAE
gica adequada e a recomendação de evicção dos fármacos COMO COFACTOR
implicados. Características como a coloração das lesões e o tem- Antunes D , Brás R , Vassalo A , Paulino M , L. Almorós C ,
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po até resolução completa, podem também suportar este diag- Baltazar C , Esteves I , Branco Ferreira M , Lopes A 1,2
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nóstico. 1 Serviço de Imunoalergologia, Unidade Local de Saúde de Santa
Maria, EPE, Hospital de Santa Maria, Lisboa, Portugal
2 Clínica Universitária de Imunoalergologia, Faculdade de Medicina,
CC14 – URTICÁRIA GENERALIZADA DURANTE Universidade de Lisboa, Lisboa, Portugal
TAVI (IMPLANTAÇÃO VALVULAR AÓRTICA 3 Serviço de Pediatria Médica, Unidade Local de Saúde de Santa
TRANSCATETER): UM CULPADO ESQUECIDO. Maria, EPE, Hospital de Santa Maria, Lisboa, Portugal
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Batista B , Figueiredo P , Caiado J , Branco Ferreira M 1,2 4 Clínica Universitária de Pediatria, Faculdade de Medicina,
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1 Serviço de Imunoalergologia, Unidade Local de Saúde de Santa Universidade de Lisboa, Lisboa, Portugal
Maria, EPE, Hospital de Santa Maria,, Lisboa, Portugal
2 Clínica Universitária de Imunoalergologia, Faculdade de Medicina, A investigação de reações cutâneas adversas graves (SCAR) como
Universidade de Lisboa., Lisboa , Portugal a Síndrome de Stevens-Johnson (SJS) pode ser desafiante quando
coexistem exposição a fármacos de alto risco e infeções. A inves-
Introdução: A TAVI (Implantação Valvular Aórtica Transcateter) tigação imunoalergológica é determinante para compreender a
tornou-se a intervenção de eleição para doentes com estenose etiologia do quadro.
aórtica grave. Nestes procedimentos são administrados múltiplos Adolescente de 17 anos, com diagnóstico inaugural de epilepsia,
fármacos, podendo ocorrer reações de hipersensibilidade periope- desenvolveu exantema maculopapular pruriginoso generalizado
ratórias, que constituem um desafio diagnóstico, sendo os meios três semanas após início de lamotrigina. Concomitantemente, re-
de contraste iodado habitualmente a primeira hipótese etiológica feria quadro de tosse e rinorreia mucosa com uma semana de
colocada. evolução. Apesar da suspensão do fármaco, verificou-se agrava-
Descrição do caso: Homem, 81 anos, sem alergias conhecidas, mento mucocutâneo progressivo, com aparecimento, três dias
referenciado a consulta de imunoalergologia por urticária genera- depois, de exantema bolhoso e descamativo, atingimento palmo-
lizada imediatamente após ter sido submetido a TAVI. O doente -plantar e mucosite oral, ocular e genital exuberante, associados
negava náuseas, vómitos, diarreia, dispneia, toracalgia, tonturas a instabilidade hemodinâmica e diminuição do débito urinário,
ou perda de consciência associados. Foi colocada como hipótese motivando internamento em Unidade de Cuidados Intensivos Pe-
mais provável, a hipersensibilidade a contraste iodado. Na consul- diátricos. Analiticamente, destacou-se serologia positiva para
ta de Imunoalergologia efetuou testes intradérmicos com o con- Mycoplasma pneumoniae (IgM positiva com posterior seroconver-
traste utilizado, iodixanol, que foram negativos. Prosseguiu-se são para IgG). A biópsia cutânea revelou necrose do terço superior
então com o estudo dos restantes agentes utilizados durante o da epiderme e infiltrado inflamatório linfocítico perivascular, sem
procedimento, nomeadamente látex, iodopovidona, paracetamol, eosinófilos nem neutrófilos, compatível com dermatite de inter-
heparina, sulfato de protamina e clorohexidina. Os testes cutâneos face do espetro eritema multiforme/SJS. Observou-se melhoria
por picada foram negativos para todos os agentes e os testes in- clínica progressiva sob corticoterapia sistémica (pulsos de metil-
tradérmicos (TID) foram positivos apenas para sulfato de prota- prednisolona 500mg ev 3 dias, seguidos de prednisolona 1mg/kg/
mina nas concentrações 0,1 mg/ml e 1 mg/ml. dia com desmame) e azitromicina 500mg/dia. Na investigação
Discussão: As reações de hipersensibilidade durante a TAVI po- imunoalergológica, os testes epicutâneos com lamotrigina foram
dem ser desafiantes uma vez que são administrados múltiplos fár- positivos às 48 e 96 horas, com edema, eritema e pequenas vesí-
macos durante o procedimento. Apesar de o contraste iodado ser culas locais, corroborando o diagnóstico de SJS.
frequentemente o causador da reação, não podemos descurar a A cronologia da reação, a gravidade do exantema, com mucosite
investigação dos restantes agentes utlizados. O sulfato de prota- oral/ocular/genital, afeção multissistémica e a positividade dos tes-
mina é o agente de eleição na reversão da anticoagulação induzida tes epicutâneos, reforçam o papel da lamotrigina como desenca-
pela heparina em procedimentos cardiovasculares. Embora ampla- deante de SCAR compatível com SJS. A infeção concomitante por
mente utilizado, pode desencadear reações de hipersensibilidade M.pneumoniae pode ter contribuído para a expressão fenotípica
que variam desde urticária a anafilaxia grave. A positividade do do quadro, quer como entidade concomitante quer por modulação
TID à protamina, e a negatividade aos restantes fármacos testados, da resposta imune. Este caso evidencia o valor da investigação
sustenta o diagnóstico de hipersensibilidade à protamina como imunoalergológica na confirmação etiológica das reações tardias
agente causal do quadro apresentado. Apesar de rara, a hipersen- a fármacos e ilustra o desafio colocado pela infeção concomitante
sibilidade à protamina pode provocar reações sistémicas graves, com M. pneumoniae.
com elevada morbilidade e mortalidade, devendo ser considerada
no diagnóstico diferencial das reações perioperatórias.
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REVIST A POR TUGUESA DE IMUNO ALERGOLOGIA

