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XLVII REUNIÃO ANUAL DA SPAIC / RESUMOS DAS COMUNICAÇÕES ORAIS,
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          Sexo masculino, 60 anos, antecedentes de doença coronária   O estudo laboratorial (hemograma, velocidade de sedimentação,
          crónica, submetido a ecocardiograma de sobrecarga com do-  EPS, perfil tiroideu e IgE total) não revelou alterações. Doseamen-
          butamina e administração de contraste ecográfico SonoVue®.   to da TSB de 17.4 ug/L. O ImmunoCAP™ ISAC evidenciou sensi-
          Dois minutos após administração do contraste, iniciada perfu-  bilização a proteínas de transferência de lípidos (Pla a 3, Pru p 3,
          são de dobutamina, com desenvolvimento de cefaleia intensa,   Jug r 4, Ara h 9).
          parestesias das mãos, hipertensão arterial e taquicardia, com   Durante o seguimento, reportados diversos episódios de sensação
          rápida evolução para alteração do estado de consciência, exan-  de constrição laríngea associada a outros sintomas: prurido palmar,
          tema maculopapular difuso e paragem cardiorrespiratória   eritema facial, dor/distensão abdominal e tosse. Associou alguns
          (PCR), revertido com suporte avançado de vida (SAV) incluin-  episódios à ingestão de pêssego e sementes, que passou a evitar.
          do administração de adrenalina ev 1mg. Durante a reanimação   Considerando a anamnese e TSB, com um REMA score de -3,
          verificou-se elevação transitória do segmento ST nas derivações   realizou estudo do número de cópias do gene TPSAB1 no sangue
          inferiores. O doente apresentou um segundo episódio de PCR,   periférico, tendo sido detetado um genótipo compatível com HαT
          revertido após quatro ciclos de SAV. A coronariografia urgen-  (genótipo 3alfa/2beta). A doente encontra-se sob vigilância médi-
          te não revelou novas lesões coronárias, sugerindo vasoespasmo   ca regular, anti-histamínico diário e é portadora de adrenalina em
          coronário, eventual Síndrome de Kounis. Após contacto com   auto-injetor.
          Imunoalergologia, realizada investigação laboratorial aguda:   Discussão: Visamos salientar a HαT como entidade a excluir num
          elevação da triptase sérica (valor máximo 32,4 μg/L na 5ª hora;   doente com sintomas de ativação mastocitária recorrentes, so-
          basal 7,1 μg/L) e da interleucina-6 (830 pg/mL na 5ªhora; basal   bretudo na presença de TSB elevada. A HαT confere risco de
          2,6 pg/mL) na reação. Na investigação etiológica por Imunoa-  reações alérgicas mais frequentes e/ou graves, pelo que um diag-
          lergologia, foi realizado o teste de ativação dos basófilos (TAB)   nóstico atempado tem implicações na gestão terapêutica e no
          com SonoVue®, macrogol 4000 e dobutamina, que foi negativo.   aconselhamento genético dos familiares diretos.
          Atendendo à gravidade do episódio, não foram realizados tes-
          tes in vivo. O doente tinha realizado vacinação covid sazonal
          (Pfizer-BioNTech®, contendo macrogol 4000) com tolerância,   CC10 – SÍNDROME DE HIPER IGE: A PROPÓSITO
          excluindo-o como agente causal.                   DE DOIS CASOS CLÍNICOS
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          Este caso evidencia uma apresentação atípica de anafilaxia grave   Sá Teixeira R , Gamboa F , Franchini G , Dias S , Neves E ,
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          complicada por síndrome de Kounis. Em oposição à apresentação   Vasconcelos J 2
          clássica, o doente manifestou inicialmente hipertensão arterial,   1   Unidade Local de Saúde Gaia e Espinho, Vila Nova de Gaia,
          taquicardia e sintomas neurológicos, o que dificultou o diagnósti-  Portugal
          co. A elevação de IL-6 (não apenas de triptase), presença de hi-  2  Unidade Local de Saúde de Santo António, Porto, Portugal
          pertensão e TAB negativo suportam um eventual mecanismo
          IgE-independente nesta reação, fornecendo novas pistas sobre o   Introdução: A síndrome de hiper IgE (SHIE) é um grupo de imu-
          mecanismo subjacente.                             nodeficiências primárias raras, caracterizado por níveis séricos de
                                                            IgE elevados (habitualmente superiores a 2000 KU/mL), infeções
                                                            cutâneas e sinopulmonares recorrentes por Staphylococcus aureus
          CC09 – ALFA-TRIPTASSEMIA HEREDITÁRIA EM           e Haemophilus influenza e eczema crónico.
          DOENTE COM EPISÓDIOS RECORRENTES DE               A mutação do gene STAT3 associa-se a manifestações não imuno-
          URTICÁRIA/ANGIOEDEMA E ANAFILAXIA                 lógicas como fácies grosseiro, escoliose, fraturas patológicas, dupla
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          Ramos Gomes M , Justino Alberto A , Pinto A , Carolino F 1  arcada dentária e maior risco de neoplasias.
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          1  Serviço de Imunoalergologia, ULS Santo António, Porto, Portugal  Apresentam-se dois casos, destacando as manifestações clínicas,
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          Introdução: A alfa-triptassémia hereditária (HαT) é uma condição   Descrição do caso clínico:  Caso 1: Doente do sexo feminino,
          genética autossómica dominante que afeta 4-6% da população   com consanguinidade familiar, que aos 19 meses desenvolveu que-
          caucasiana, resultante do aumento do número de cópias do gene   ratite herpética com amaurose subsequente. Desde os 3 anos
          TPSAB1 (codifica a alfa-triptase), com consequente elevação da   apresentou otites e pneumonias estafilocócicas de repetição, ec-
          triptase sérica basal (TSB). O seu diagnóstico é dificultado pela   zema, verrugas disseminadas e granulomas retroauriculares. Ana-
          variabilidade fenotípica e pela sobreposição com outros diagnós-  liticamente: IgE total elevada (8828 KU/mL), resposta a anticorpos
          ticos imunoalergológicos.                         específicos diminuída e linfopenia T.
          Descrição do Caso Clínico: Mulher de 59 anos, referenciada à   Iniciou imunoglobulina endovenosa (IgEV) e cotrimoxazol profilá-
          consulta após quatro episódios de urticária +/- angioedema, um   tico, com redução das infeções. Aos 23 anos faleceu por linfoma
          deles com vómitos associados e documentação de uma triptase   não Hodgkin do anel de Waldeyer.
          sérica de 44.3 ug/L. Não foi medicada com adrenalina, tendo sem-  Caso 2: Doente do sexo masculino, 21 anos, sem consanguinida-
          pre apresentado boa resposta a anti-histamínico e corticosteróide.   de familiar. Desde a infância com eczema, pneumonias estafilocó-
          Não foram identificados potenciais desencadeantes para além de   cicas, otites e abcessos frios. Apresentava fácies grosseiro (hiper-
          eventual relação com a ingestão alimentar, sem identificação de   telorismo, ponte nasal larga e prognatismo), candidose oral,
          alimentos específicos.                            múltiplas cáries e escoliose. Analiticamente: IgE total 24700 KU/

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                                             REVIST A POR TUGUESA DE IMUNO ALERGOLOGIA
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