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XLVII REUNIÃO ANUAL DA SPAIC / RESUMOS DAS COMUNICAÇÕES ORAIS,
            POSTERS E CASOS CLÍNICOS





            CC16 – SUCESSO DE DESSENSIBILIZAÇÃO LENTA         CC17 – SÍNDROME DE ENTEROCOLITE INDUZIDA
            APÓS FALÊNCIA DE DESSENSIBILIZAÇÃO RÁPIDA         POR FÁRMACOS: A PROPÓSITO DE UM CASO
            EM REAÇÃO DE HIPERSENSIBILIDADE TARDIA            CLÍNICO
            CONFIRMADA A TRIMETOPRIM-                         Esteves Caldeira L , Pires Alves M 1
                                                                           1
            SULFAMETOXAZOL                                    1   Serviço de Imunoalergologia, Hospital Torres Novas, Unidade
                                              1,2
                            1,2
                     1,2
                                                    1,2
            Carvalho  F , Ursu  A , Martins dos Santos G , Vau T , Leiria   Local de Saúde Médio Tejo, Torres Novas, Portugal
            Pinto P 1,2,3
            1   Serviço de Imunoalergologia, Hospital Dona Estefânia, Unidade   Introdução: A síndrome de enterocolite induzida por fármacos
             Local de Saúde de São José, Lisboa, Portugal     (conhecida como DIES, do inglês Drug-Induced Enterocolitis Syn-
            2   Centro Clínico Académico de Lisboa, Lisboa, Portugal  drome) é uma entidade rara, e provavelmente subdiagnosticada,
            3   Comprehensive Health Research Center (CHRC), NOVA Medical   considerada a variante farmacológica da síndrome de enterocolite
             School, Universidade NOVA de Lisboa, Lisboa, Portugal  induzida por fármacos (FPIES do acrónimo em inglês), correspon-
                                                              dendo a uma reação de hipersensibilidade não IgE-mediada.  As-
            Introdução: O trimetoprim-sulfametoxazol (TMP-SMX) é o tra-  socia-se frequentemente a antibióticos β-lactâmicos em idade
            tamento de primeira linha para várias infeções graves, mas asso-  pediátrica, podendo ser erroneamente interpretada como gas-
            cia-se frequentemente a reações de hipersensibilidade (RH) tar-  troenterite aguda ou efeito adverso gastrointestinal do fármaco.
            dias. Em doentes selecionados, a dessensibilização pode permitir   O diagnóstico é essencialmente clínico e a prova de provocação
            a continuação do tratamento. Descreve-se um caso de RH tardia   (PP) o gold standard para confirmação.
            ao TMP-SMX em que adaptações do protocolo influenciaram o   Descrição do Caso Clínico: Género masculino, 2 anos, refe-
            sucesso da dessensibilização.                     renciado por dois episódios de vómitos repetidos, mal-estar e
            Descrição do caso clínico: Homem de 46 anos, com antece-  diarreia após toma de amoxicilina por otite média aguda (1º-se-
            dentes de hepatite de provável etiologia mista (autoimune e eta-  tembro/2024 – 1ª vez que tomou amoxicilina; 2º-março/2025), que
            nólica), sob corticoterapia oral de longa duração, foi internado por   surgiram 3-4h após a 3ª e 2ª toma, respetivamente. Sem manifes-
            nocardiose cerebral e iniciou terapêutica com TMP-SMX em dose   tações cutâneas, respiratórias ou cardiovasculares. O antibiótico
            elevada. Ao 23º dia de tratamento, desenvolveu exantema macu-  foi suspenso em ambos os casos, após observação em cuidados de
            lopapular generalizado.                           saúde, com resolução espontânea, sem necessidade de fluidotera-
            A prova de provocação oral com TMP-SMX foi positiva, confir-  pia ou internamento.
            mando RH tardia ao fármaco.                       O estudo alergológico revelou IgE específicas para β-lactâmicos
            Pela ausência de alternativa terapêutica igualmente eficaz e neces-  negativas. Realizou-se PP diagnóstica com amoxicilina (dose cumu-
            sidade de manter tratamento prolongado, foi realizada tentativa   lativa 45mg/kg/dose), sem intercorrências nas primeiras 3h de
            de dessensibilização rápida através de um protocolo oral de 13   vigilância. Cerca de 4h após a última toma iniciou quadro de vó-
            etapas num único dia, conforme descrito por Villarreal-González   mitos, com necessidade de ondansetrom oral, e diarreia 10h de-
            et al. O tratamento foi interrompido por recorrência de reação   pois, com padrão auto-limitado e sem desidratação, confirmando
            10 horas após o seu início.                       o diagnóstico de DIES. Posteriormente, realizou PP alternativa
            Após estabilização, procedeu-se a dessensibilização lenta com   com cefuroxima (15mg/kg/dose), com resultado imediato e tardio
            protocolo oral individualizado, de 16 dias e múltiplas tomas diárias,   negativos, demonstrando tolerância.
            sob anti-histamínico e corticoesteroide oral, que decorreu sem   Discussão: A DIES constitui uma entidade distinta da alergia IgE-
            intercorrências, permitindo manter o tratamento com TMP-SMX   -mediada a fármacos, não estando associada a manifestações cutâ-
            em dose elevada.                                  neas ou respiratórias nem a testes serológicos/cutâneos positivos.
            Discussão: A evidência publicada sobre dessensibilização ao TM-  Este caso reforça a importância de a considerar no diagnóstico
            P-SMX assenta maioritariamente em doentes com VIH com his-  diferencial de vómitos/diarreia tardios associados a fármacos. A
            tória de RH não confirmada, o que poderá sobrestimar as taxas   confirmação por PP permitiu estabelecer o diagnóstico. A demons-
            de sucesso reportadas.  Este caso ilustra o percurso completo,   tração de tolerância à cefuroxima permitiu disponibilizar uma al-
            desde suspeita, confirmação por prova de provocação oral, insu-  ternativa segura, evitando restrições desnecessárias e promoven-
            cesso de protocolo de dessensibilização rápido e posterior suces-  do uma adequada gestão do rótulo de alergia.
            so de protocolo lento. Isto sugere que protocolos mais prolonga-
            dos podem ser mais adequados em doentes selecionados e que o
            insucesso de uma primeira tentativa não deve excluir a possibili-
            dade de sucesso com uma abordagem mais lenta.











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            REVIST A POR TUGUESA DE IMUNO ALERGOLOGIA
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