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XLVII REUNIÃO ANUAL DA SPAIC / RESUMOS DAS COMUNICAÇÕES ORAIS,
POSTERS E CASOS CLÍNICOS
CC22 – ELEMENTAR, MEU CARO WATSON: SERIA A Descrição do Caso Clínico: Criança do sexo masculino, 9 anos,
BALANÇA A PISTA PARA O CONTROLO DA ASMA? com antecedentes de episódio isolado de broncospasmo associa-
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Pereira-Sousa H , Gouveia-Colino I 1 do a infeção respiratória aos 5 anos e história de tosse desenca-
1 USF Fânzeres, Gondomar, Portugal deada pela exposição a ácaros, sem diagnóstico prévio de asma.
Recorreu ao serviço de urgência por odinofagia, tosse produtiva
Introdução: A obesidade é um importante fator modificador da emetizante e dificuldade respiratória. Ao exame objetivo apresen-
asma, associando-se a pior controlo clínico, maior risco de exa- tava tiragem supraesternal, diminuição do murmúrio vesicular à
cerbações e menor resposta à terapêutica. Contudo, a evolução esquerda e enfisema subcutâneo cervical. A radiografia de tórax
da doença resulta da interação entre fatores clínicos, funcionais, confirmou o diagnóstico de pneumomediastino com enfisema sub-
terapêuticos e metabólicos. Apresenta-se um caso clínico que cutâneo. O painel alargado de vírus respiratórios identificou rino-
evidencia a importância de uma caracterização integrada na com- vírus, tendo este sido considerado o provável agente desencadean-
preensão da heterogeneidade da asma. te da agudização. Foi medicado com salbutamol, analgesia e
Descrição do caso clínico: Mulher de 54 anos, com asma de oxigenoterapia de baixo débito, evoluindo favoravelmente, com
início na idade adulta, fenótipo não atópico e obesidade. Foi resolução clínica rápida, tendo tido alta ao terceiro dia de inter-
submetida a bypass gástrico em 2022, com perda ponderal sig- namento. Foi reavaliado a curto prazo em consulta de pneumolo-
nificativa, seguida de recuperação parcial do peso. Em dezembro gia pediátrica, onde se confirmou o diagnóstico de asma.
de 2025 iniciou semaglutido, verificando-se nova redução pon- Discussão: Ainda que o rinovírus possa, por si só, precipitar pneu-
deral até 70,8 kg. Em avaliação nos Cuidados de Saúde Primários momediastino, é igualmente um importante desencadeante de
apresentava excelente controlo da doença, com CARAT de exacerbação de asma. Perante uma criança com antecedentes de
29/30, ausência de exacerbações recentes, boa adesão terapêu- broncospasmo e sintomas respiratórios associados à exposição a
tica, terapêutica inalatória estável e espirometria sem altera- aeroalergénios, a identificação de pneumomediastino obriga a se-
ções ventilatórias significativas. A associação temporal entre a guimento e marcha diagnóstica de asma uma vez que o seu diag-
nova perda ponderal e o controlo da asma sugeria inicialmente nóstico e tratamento poderão reduzir o risco de recorrência e
uma relação direta. Contudo, a revisão dos registos hospitala- melhorar o prognóstico a longo prazo.
res demonstrou controlo clínico já documentado antes do iní-
cio da nova perda ponderal, impondo a reformulação da hipó-
tese inicial. CC24 – CONSULTA DOMICILIÁRIA E
Discussão: Este caso demonstra que a evolução clínica da asma RECONCILIAÇÃO TERAPÊUTICA: IDENTIFICAÇÃO
dificilmente pode ser explicada por um único determinante. Em- DE BARREIRAS À TERAPÊUTICA INALATÓRIA
bora a redução ponderal possa ter contribuído para a evolução NUMA PESSOA COM DPOC
favorável, os dados não permitem estabelecer a sua contribuição Pereira-Sousa H , Gouveia-Colino I 1
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relativa perante outros fatores potencialmente determinantes. A 1 USF Fânzeres, Gondomar, Portugal
adesão terapêutica, a estabilidade da terapêutica inalatória, a fun-
ção respiratória preservada e a análise longitudinal dos registos Introdução: A eficácia da terapêutica inalatória na doença pul-
clínicos foram fundamentais para interpretar a evolução da doen- monar obstrutiva crónica (DPOC) depende da adesão e da cor-
te. A balança constituiu uma pista relevante, mas insuficiente iso- reta utilização dos dispositivos. A consulta domiciliária pode iden-
ladamente. Uma caracterização integrada poderá evitar interpre- tificar barreiras ao tratamento dificilmente reconhecidas em
tações baseadas em marcadores isolados e apoiar decisões contexto de consulta, particularmente em doentes com compro-
terapêuticas verdadeiramente individualizadas. misso cognitivo.
Caso clínico: Homem de 81 anos, ex-fumador, com DPOC GOLD
II, grupo A, seguido em consultas de Pneumologia e de Medicina
CC23 – QUANDO O RINOVÍRUS REVELA A ASMA: Geral e Familiar. Apresentava alterações cognitivas desde os 27
PNEUMOMEDIASTINO ESPONTÂNEO EM IDADE anos, após traumatismo cranioencefálico grave por acidente de
PEDIÁTRICA viação, com agravamento funcional e cognitivo após novo trauma-
Ventura M , Viveiros A , Rocha M , Saianda A , Pereira L , Ferreira R 1 tismo cranioencefálico por queda no domicílio, em novembro de
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1 Unidade de Pneumologia Pediátrica, Departamento de Pediatria, 2025. Dias antes tinha sido observado em consulta de Pneumolo-
ULSSM, Lisboa e Clínica Universitária de Pediatria, Faculdade de gia, mantendo estabilidade clínica, sem exacerbações recentes nem
Medicina de Lisboa, Lisboa, Portugal indicação para escalada terapêutica. Em consulta de Medicina Ge-
ral e Familiar, a revisão dos registos de dispensa eletrónica revelou
Introdução: O pneumomediastino é uma condição em que exis- ausência de levantamentos recentes de budesonida/formoterol,
te ar no mediastino, com origem pulmonar, na traqueia ou tubo apesar de a esposa referir que a medicação ainda existia em casa.
digestivo. O pneumomediastino espontâneo é uma entidade rara Perante esta discrepância, realizou-se consulta domiciliária para
em idade pediátrica, geralmente benigna e autolimitada, podendo reconciliação terapêutica, verificando-se que o doente não utili-
ocorrer em contexto de infeção respiratória, esforço físico ou zava a terapêutica de manutenção, recorrendo apenas a salbuta-
exacerbação de asma, sendo, com alguma frequência a primeira mol. Foi programada nova consulta domiciliária para avaliação da
manifestação desta entidade. técnica inalatória, constatando-se incapacidade para utilizar cor-
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REVIST A POR TUGUESA DE IMUNO ALERGOLOGIA

