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XLVII REUNIÃO ANUAL DA SPAIC / RESUMOS DAS COMUNICAÇÕES ORAIS,
POSTERS E CASOS CLÍNICOS
Descrição do caso clínico: Homem de 54 anos, operário da suplemento, à exceção da beterraba e sementes de sésamo. O
indústria de explosivos, sem antecedentes de atopia. Referenciado teste cutâneo por picada foi negativo para as sementes de sésamo,
por obstrução nasal, esternutos, tosse e pieira em contexto labo- mas o teste cutâneo picada-picada com beterraba crua foi positi-
ral com dois anos de evolução. Adicionalmente, referia rinorreia vo, ao contrário do observado em dez controlos saudáveis. O
e prurido cutâneo com ingestão de noz e pêssego, evoluindo para doseamento de IgE específica para beterraba foi igualmente posi-
quadros de anafilaxia (pieira, dispneia, obstrução nasal, urticária) tivo (3,4 kU/L) e a prova de provocação oral com sementes de
com grão e favas. A anamnese ocupacional permitiu concluir que sésamo negativa.
manipulava goma de guar em pó há oito anos. Realizaram-se testes Discussão: O caso apresentado sugere uma reação de hipersen-
cutâneos (Tabela 1) com aeroalergénios que foram negativos e sibilidade imediata à beterraba, contribuindo para reforçar a evi-
com alimentos que identificaram sensibilização a amêndoa, noz, dência atual sobre esta alergia alimentar. Distingue-se pela apre-
avelã, caju, castanha, amendoim, grão, feijão, fava, soja, pêssego, sentação clínica exclusivamente cutânea e pela objetivação de
LTP, profilina e guar (teste picada-picada positivo). A avaliação sensibilização por IgE específica. Além disso, reforça a importância
molecular revelou sensibilização a proteínas de armazenamento de uma história clínica detalhada e investigação dirigida na identi-
de leguminosas (Ara h 1/3, Gly m 5/6) e nsLTP (Pru p 3, Jug r 3, ficação de alergénios alimentares pouco frequentes.
Ara h 9). A evicção alimentar (leguminosas, frutos de casca rija,
pêssego) e a cessação da exposição laboral permitiram o contro-
lo da rinite e asma, sem recorrência da anafilaxia. CC21 – AQUISIÇÃO DE TOLERÂNCIA: EVOLUÇÃO
Discussão: Poderá ser o primeiro relato de alergia alimentar a INESPERADA DA ALERGIA A NSLTP NUM DOENTE
leguminosas resultante de sensibilização primária inalatória por COM CONSUMO REGULAR DE CANÁBIS
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exposição crónica à goma de guar usada como aglutinante no Silva Tavares M , Reis Ferreira A , Alberto Ferreira J , Queirós
fabrico de explosivos. Esta hipótese é apoiada pela elevada ho- Gomes J 1
mologia estrutural entre as globulinas (vicilinas 7S, leguminas 11S) 1 Unidade Local de Saúde de Gaia/ Espinho, Vila Nova de Gaia,
nos resíduos da goma e os homólogos das leguminosas implicadas. Portugal
A sensibilização concomitante a LTP confere maior complexida-
de, não se excluindo relação causal ou efeito sinérgico. Destaca- Introdução:As non-specific lipid transfer proteins (nsLTPs) cons-
-se a relevância clínica da anamnese detalhada e a utilidade do tituem uma família de alergénios de origem vegetal e são uma das
diagnóstico molecular na caracterização de perfis de sensibiliza- principais causas de alergia a frutos secos e frescos no sul da Eu-
ção complexos e na orientação de uma abordagem terapêutica ropa. O Can s 3, nsLTP presente na Cannabis sativa (canábis), é
personalizada. descrito como o alergénio major da canábis, responsável por rea-
tividade canábis-frutos. A inalação é apontada como a via prefe-
rencial de sensibilização.
CC20 - BETERRABA COMO ALERGÉNIO Descrição do caso clínico: Sexo masculino, 22 anos, antece-
ALIMENTAR OCULTO: UM CASO CLÍNICO dentes de dermatite atópica ligeira, asma e rinite alérgica a ácaros
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Vieira Bernardo M , Moreira A , Paiva M , Rodrigues Alves R 1 e pólenes desde a infância. Referenciado à consulta em 2019 na
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1 Serviço de Imunoalergologia do Hospital Divino Espírito Santo sequência de dois episódios de urticária generalizada, 5-10 minutos
de Ponta Delgada, Ponta Delgada, Portugal após ingestão de noz e mistura de frutos secos, respetivamente.
Na avaliação inicial, encontrava-se em evicção estrita de frutos
Introdução: A alergia alimentar à beterraba é uma entidade rara secos; referia aversão a pêssego e fruta com casca desde a infância.
e o seu diagnóstico pode ser dificultado quando o alimento inge- Do estudo realizado, salientam-se testes cutâneos por picada com
rido tem múltiplos ingredientes. A maioria dos casos descritos na extratos (Roxall Aristegui®) positivos para noz, amêndoa, amen-
literatura refere-se a manifestações respiratórias em indivíduos doim, pêssego pele e maça; ImmunoCAP ISAC ThermoFisher™
com sensibilização ao seu pólen. Os relatos de hipersensibilidade sensibilização Pru p 3, Jug r 3, Cor a 8, Pla a 3, Ara h 9 e Art v 3
após ingestão de beterraba são escassos, todos sob a forma de (nsLTPs). Em 2020, iniciou consumo diário de canábis inalada (es-
anafilaxia. O presente caso descreve uma reação alérgica imedia- porádico desde a adolescência). Na reavaliação nos 2 anos seguin-
ta à beterraba com apresentação exclusivamente cutânea. tes, o doente reportou progressiva tolerância clínica: ingestão
Caso Clínico: Doente do sexo masculino, 22 anos, com antece- acidental de amendoim e propositada de noz sem intercorrências.
dentes de rinoconjuntivite alérgica e dermatite atópica, sensibili- Em 2023 não apresentava sensibilizações a nsLTPs no ISAC Immu-
zado a ácaros, previamente submetido a imunoterapia específica. noCAP ISAC ThermoFisher™. Proposta prova de provocação com
Sem sensibilização a outros aeroalergénios e sem história de aler- pêssego recusada pelo doente.
gia alimentar. Recorreu ao serviço de urgência por início súbito de Discussão: Contrariamente ao descrito na literatura, onde a ina-
prurido e exantema maculopapular generalizados, cerca de 5 mi- lação de canábis é apontada como fonte de sensibilização a nsLTP,
nutos após ingestão de suplemento pré-treino, com resolução dos neste caso parece ter havido aquisição progressiva de tolerância
sintomas após tratamento endovenoso com corticóide e anti-his- durante a inalação regular de canábis. A associação temporal ob-
tamínico. Sem outros sintomas associados ou exercício físico con- servada sugere a possibilidade de que a exposição a canábis, regu-
comitante. Na avaliação em consulta de Imunoalergologia, verifi- lar e continuada, mesmo que por via inalatória, possa estar na
cou-se tolerância posterior aos outros ingredientes do génese da tolerância.
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REVIST A POR TUGUESA DE IMUNO ALERGOLOGIA

