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XLVII REUNIÃO ANUAL DA SPAIC / RESUMOS DAS COMUNICAÇÕES ORAIS,
POSTERS E CASOS CLÍNICOS
PO29 – É POSSÍVEL ESPAÇAR O DUPILUMAB NA
RINOSSINUSITE CRÓNICA COM POLIPOSE NASAL? SESSÃO DE CASOS CLÍNICOS I
RESULTADOS EM CONTEXTO DE VIDA REAL RINITE/RINOSSINUSITE, ALERGIA CUTÂNEA,
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Garcia M , Mota D , Coelho A , Cadinha S , Barradas Lopes J , Reis ANAFILAXIA E DOENÇAS IMUNOALÉRGICAS
Ferreira A , Ferreira J 2
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1 Hospital Dr. Nélio Mendonça, Funchal, Portugal FATAIS & IMUNODEFICIÊNCIAS PRIMÁRIAS
2 Unidade Local de Saúde Gaia/Espinho, Vila Nova de Gaia, Portugal
26 de setembro| 08:30-10:00 | Sala III
Introdução: O Dupilumab constitui uma terapêutica eficaz para Moderadores: Pedro Carreiro Martins, Anabela Lopes, Joana Miranda
a Rinossinusite Crónica com Polipose Nasal (RScPN). A evidência
relativa ao espaçamento do intervalo entre administrações, após CC01 – TENEBRIO MOLITOR E DOENÇA
resposta clínica sustentada, permanece limitada. Este estudo des- RESPIRATÓRIA OCUPACIONAL: UM RISCO
creve a experiência de um serviço de Imunoalergologia na imple- EMERGENTE DA INDÚSTRIA DOS INSETOS
mentação desta estratégia. C. Pereira L , Alves M , Tavares B , Todo-bom A , Carrapatoso I 1
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Métodos: Estudo observacional retrospetivo de doentes com 1 ULS de Coimbra, Coimbra, Portugal
RScPN sob Dupilumab entre 2021 e 2025, e selecionados aqueles
que realizaram espaçamento da terapêutica. Foram recolhidos: Introdução: O Tenebrio molitor é uma espécie de escaravelho,
dados demográficos, número de polipectomias, ciclos de cortico- cuja larva é consumida na forma de larva inteira, ou moída em
terapia oral, Sino-Nasal Outcome Test-22 (SNOT-22) e Nasal farinha, tendo sido aprovado como alimento para humanos pela
Polyp Score (NPS). Foi efetuada análise descritiva e comparativa União Europeia em 2021. O consumo alimentar de insetos é raro
dos dados. entre a população ocidental, incluindo a portuguesa.
Resultados: Dos 24 doentes com RScPN sob Dupilumab, 15 A reatividade cruzada entre invertebrados contribui para a sensi-
(62.5%) realizaram espaçamento das administrações. A idade mé- bilização entre várias espécies.
dia foi de 50 ± 11 anos e 60% eram do sexo masculino. Descrição do caso clínico: Homem, 29 anos, antecedentes de
Antes do início do Dupilumab, os doentes apresentavam em média rinite alérgica a ácaros desde a infância, controlada com medidas
1.67 polipectomias prévias, 1.86 ciclos de corticoterapia sistémica/ de evicção ambiental.
ano, SNOT-22 de 66.3 ± 15 e NPS de 2.5 ± 0.77. Trabalhador em empresa de produção de larvas de Tenebrio mo-
Após início de Dupilumab, verificou-se redução progressiva do litor.
SNOT-22 (mediana de 22.50 aos 4 meses, 17 aos 6 meses, 6.5 aos Agravamento da rinite com esternutos, rinorreia, prurido oculo-
12 meses); dado controlo sintomático após 23.3 ± 8.6 meses de nasal enquanto alimenta as larvas e limpa o habitat. Melhoria dos
terapêutica, 6 doentes aumentaram intervalo de administrações sintomas com afastamento do local de trabalho. Ausência de sin-
para 3 semanas, e 9 para 4 semanas. Após espaçamento, registou- tomas com a ingestão de Tenebrio molitor. Sem quaisquer restri-
-se um SNOT-22 médio de 10.7 ± 8.1, sem diferenças estatistica- ções alimentares, nomeadamente consumo de crustáceos e mo-
mente significativas relativamente ao valor registado aos 12 meses luscos.
(p=0.767). Dois doentes suspenderam o tratamento por efeitos Métodos: Efetuados testes cutâneos a aeroalergénios, teste prick-
adversos; dois doentes reduziram intervalo por agravamento sin- -prick à larva, excrementos e ração fornecido às larvas (farinha de
tomático. Três doentes realizaram um segundo espaçamento, para cereais e resíduos de produção de cerveja) (Tabela 1). Determi-
4 semanas (n=1) e para 6 semanas (n=2), mantendo valores baixos nação IgE total e IgEs específicas aos aeroalergénios relevantes
de SNOT-22 (média 7.33 ± 5.68). (tabela 2). Medicado com Azelastina e Fluticasona intranasal e
Conclusão: Nesta série de vida real, o espaçamento do Dupilu- Bilastina como profilaxia e nos períodos de exacerbação. O doen-
mab foi possível em mais de metade dos doentes com RScPN, te reduziu o tempo de exposição às larvas e excrementos no local
mantendo-se o controlo clínico e sintomático. Estes resultados de trabalho, o que permitiu melhor controlo clínico, diminuindo
sugerem que esta estratégia poderá ser uma opção viável em doen- a intensidade e frequência de sintomas.
tes selecionados. Discussão: Descreve-se o primeiro caso conhecido em Portugal
de alergia ocupacional a T. molitor. Não aparenta tratar-se de
reatividade cruzada com envolvimento de tropomiosinas. Admi-
te-se a hipótese de sensibilização a outras proteínas. Este é um
caso que alerta para a nova realidade de alergénios emergentes
em Portugal.
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REVIST A POR TUGUESA DE IMUNO ALERGOLOGIA

