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XLVII REUNIÃO ANUAL DA SPAIC / RESUMOS DAS COMUNICAÇÕES ORAIS,
POSTERS E CASOS CLÍNICOS
SESSÃO DE COMUNICAÇÕES ORAIS IV CO26 – HIPERSENSIBILIDADE A BETA-LACTÂMICOS
EM IDADE PEDIÁTRICA: CARACTERIZAÇÃO
ALERGIA A FÁRMACOS & ALERGIA ALIMENTAR E ESTRATIFICAÇÃO DE RISCO
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Gaspar  , Mota I , Piedade S , Cruz C , Nunes I , Viegas L , Vau T ,
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26 de setembro| 08:30-10:00 | Sala II Moura A , Borrego L , Monteiro Marques C 1
Moderadores: José Alberto Ferreira, Amélia Spínola, Isabel Carrapatoso 1 Serviço de Imunoalergologia, Hospital da Luz Lisboa, Lisboa,
Portugal
CO25 - OTIMIZAÇÃO DA PROVA DE PROVOCAÇÃO 2 Serviço de Alergologia/Medicina Interna, Zaans Medisch Centrum,
ORAL COM ÁCIDO ACETILSALICÍLICO NA Zaandam, Países Baixos
SUSPEITA DE HIPERSENSIBILIDADE AOS AINE- 3 Comprehensive Health Research Center (CHRC), NOVA Medical
ANÁLISE PROTOCOLOS NA PRÁTICA CLÍNICA School Research, Universidade Nova de Lisboa,Lisboa, Portugal
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Piedade N , Carneiro Leão L , Dias de Castro E 1
1 Chusj, Porto, Portugal Introdução: Os beta-lactâmicos (BL) são os antibióticos mais
prescritos em idade pediátrica, e a principal causa reportada de
Introdução: A hipersensibilidade aos anti-inflamatórios não es- hipersensibilidade (HS) a fármacos, embora confirmada numa mi-
teroides (AINE) está frequentemente associada à inibição da COX- noria dos casos. Os algoritmos de estratificação de risco carecem
1. A prova de provocação oral com ácido acetilsalicílico (POA) de validação nesta população.
desempenha um papel central na investigação diagnóstica, embo- Objetivos: Caracterizar doentes pediátricos referenciados por
ra persistam preocupações quanto à sua segurança e uniformização suspeita de HS-BL e avaliar o desempenho dos algoritmos PEN-
dos protocolos. -FAST e BL-Predictor.
Objetivos: Avaliar a segurança e utilidade diagnóstica da POA em Metodologia: Estudo retrospetivo de doentes pediátricos, refe-
doentes com suspeita de hipersensibilidade aos AINE (HS-AINE), renciados por suspeita de HS-BL, que realizaram prova de provo-
bem como analisar os protocolos utilizados na prática clínica. cação (PP) direta com BL implicado (grupo 1) ou testes cutâneos
Métodos: Foram analisados retrospetivamente doentes com sus- (TC) com penicilina/BL (grupo 2) entre janeiro/2021 e maio/2026,
peita de HS-AINE submetidos a POA entre janeiro de 2020 e avaliados segundo consensos ENDA/EAACI.
dezembro de 2025. Foram avaliados dados demográficos e clínicos, Resultados: Incluíram-se 289 doentes (idade à avaliação 6,8±4,8
reações índice, resultados dos testes e protocolos de provocação. anos; idade à reação 4,8±4,2 anos), 56,1% sexo feminino, 86,1%
Resultados: Foram incluídos 161 doentes (idade média 49,97 ± com reação há <5 anos, e 57,5% reação tardia (>6 horas). As
15,35 anos; 63% do sexo feminino). As reações índice foram ime- manifestações mucocutâneas foram as mais frequentes (98,6%)
diatas em 77% e não imediatas em 9,3%. A suspeita envolvia um seguidas das gastrointestinais (4,5%). A maioria realizou PP direta
único AINE em 68,3% e múltiplos AINE em 27,9%; o AAS estava (80,6%). Confirmou-se HS-BL em 33 doentes (11,4% no total; 6,4%
implicado em 42%. A POA foi positiva em 34 doentes (21,5%), com no grupo 1 e 32,1% no grupo 2), e excluiu-se em 251 (86,9%); 5
doses cumulativas de 250–1000 mg. As reações foram predomi- permanecem em investigação. Sintomas respiratórios (12,1% vs.
nantemente cutâneas (91,2%) e 3 casos preencheram critérios de 1,6%,p=0,006) e anafilaxia (9,1% vs. 0,4%,p=0,005) associaram-se
anafilaxia. Quando o AAS não estava implicado na reação índice, significativamente ao diagnóstico de HS-BL. Dos casos confirma-
iniciar a investigação com POA reduziu o número de provas de dos, 66,6% foram atribuídos a penicilina/derivados (amoxicilina-
provocação necessárias, tanto na suspeita de hipersensibilidade a -n=20, penicilina-n=3, flucloxacilina-n=2), 27,3% ácido-clavulânico
um único AINE (n = 51; p < 0,001) como a múltiplos AINE (n = 21; seletivo e 18,2% cefalosporinas (cefuroxima-n=4, ceftriaxona-n=1,
p = 0,004). Uma POA negativa (n = 122) excluiu HS-AINE media- cefazolina-n=1).
da pela COX-1 e, em 28% dos casos, apoiou um mecanismo me- O PEN-FAST demonstrou elevada sensibilidade, mas baixa espe-
diado por IgE, permitindo evicção menos restritiva. cificidade (Tabela), sobreclassificando como “alto risco” 81,2% das
Conclusões: A POA é uma ferramenta segura e de elevada utili- crianças com alergia excluída por PP direta. O BL-Predictor apre-
dade diagnóstica. Como teste inicial, aumenta a eficiência diagnós- sentou elevada especificidade, mas baixa sensibilidade, classifican-
tica e reduz a necessidade de múltiplas provas de provocação, do como “baixo risco” 67,7% dos doentes alérgicos.
particularmente quando o AAS não está implicado na reação ín- Conclusões: A prevalência de HS-BL confirmada foi reduzida e
dice. a investigação segura, reforçando a importância de esclarecer es-
tes rótulos na idade pediátrica. O PEN-FAST sobrestimou o risco
pelo peso atribuído ao intervalo temporal desde a reação, enquan-
to o BL-Predictor falhou na identificação da maioria dos doentes
alérgicos. A avaliação clínica especializada permanece insubstituível
na estratificação de risco.
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REVIST A POR TUGUESA DE IMUNO ALERGOLOGIA

