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XLVII REUNIÃO ANUAL DA SPAIC / RESUMOS DAS COMUNICAÇÕES ORAIS,
POSTERS E CASOS CLÍNICOS
to, Mariana. ALERGIAS: COMER SEM MEDOS. 1ª Edição: Lisboa. com negativação em 64%. Os níveis de IgG4-específica para LV e
Arena, 2023). Avaliaram-se retrospetivamente as primeiras 100 caseína foram significativamente superiores pós-ITO (p<0,02).
crianças consecutivas com APLV não-IgE mediada que iniciaram a Conclusões: Este estudo da vida real corrobora a eficácia da
ML após pelo menos 6 meses de estabilidade clínica. A reintrodu- ITO-LV e um perfil de segurança aceitável quando realizada em
ção domiciliária contou com apoio estruturado de imunoalergo- centros especializados, permitindo uma dieta sem restrições na
logia e nutrição. Foram analisados os dados demográficos, reações maioria dos doentes. No entanto, a ocorrência de reações alérgi-
adversas, progressão e desfecho dietético final. cas foi frequente e um terço dos doentes teve anafilaxia durante
Resultados: Foram incluídas 100 crianças (50% do sexo feminino), a fase-manutenção. O contacto permanente com a equipa-médica
com idade média de 15 meses ao início do procedimento (40% e a educação sobre cofatores de risco são essenciais para reduzir
≤12meses). Destas, 87% completaram a ML com sucesso, atingin- eventos adversos. A ITO-LV será uma opção apenas para doentes
do uma dieta totalmente livre (n=85) ou com restrição apenas de e famílias motivados, implicando adesão rigorosa à dose-manuten-
lactose (n=2). Apenas uma criança manteve dieta parcialmente ção e acompanhamento a longo-prazo.
restrita, 4 abandonaram o protocolo (por sintomas ou baixa ade-
são) e 4 permaneciam em progressão. Registaram-se reações ad-
versas em apenas 8% dos doentes, sendo na sua maioria manifes- CO32 – SEGURANÇA E RESULTADOS CLÍNICOS
tações gastrointestinais ligeiras. Não se registaram reações PRELIMINARES NA INDUÇÃO DE TOLERÂNCIA
alérgicas graves ou anafilaxia. ORAL COM SUMO DE PÊSSEGO NA SÍNDROME LTP
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Conclusões: A ML portuguesa demonstrou elevada taxa de su- Dourado C , Alves C , Arêde C , Garcia F , Sampaio G , Lobato
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cesso e excelente perfil de segurança. Adaptar protocolos de re- M , Moscoso T , Chambel M 1
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introdução à gastronomia regional facilita a adesão das famílias e 1 Hospital Cuf Descobertas, Lisboa, Portugal
promove a aquisição segura e atempada de tolerância. Por se tra-
tar de um procedimento domiciliar permite libertar capacidade Objetivo: As proteínas de transferência de lípidos (LTP) são pana-
hospitalar para outras situações clínicas. lergénios associados a reações sistémicas graves. A descontinuação
da imunoterapia sublingual (SLITone Pru p3) em Portugal motivou
estratégias alternativas de indução de tolerância oral (ITO). Este
CO31 – EFICÁCIA E SEGURANÇA A LONGO PRAZO estudo avalia a segurança e eficácia da ITO com sumo de pêssego.
DA IMUNOTERAPIA ORAL AO LEITE DE VACA Metodologia: Estudo observacional retrospetivo, incluindo doen-
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Piedade S , Gaspar  , Monteiro-Marques C , Mota I , Borrego L 1,2 tes com alergia/síndrome LTP (sensibilizados a Pru p3) submetidos
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a ITO com sumo de pêssego (Compal®). Foram utilizados diferen-
1 Serviço de Imunoalergologia, Hospital da Luz Lisboa, Lisboa, tes protocolos de ITO (anexo), de acordo com gravidade clínica,
Portugal até atingir dose de manutenção de 100mL 3-4 vezes/semana. Nos
2 Comprehensive Health Research Center (CHRC), NOVA Medical doentes sob SLITone Pru p3 prévia, realizou-se prova de provo-
School Research, Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, Portugal cação oral (PPO) com sumo antes de adaptar protocolo. Poste-
riormente, efetuaram-se PPO com alimentos implicados.
Introdução: Na alergia IgE-mediada persistente ao leite de vaca Resultados: Incluíram-se 19 doentes (58% do género feminino;
(LV) a imunoterapia oral (ITO) constitui uma terapêutica promis- idade mediana no início da ITO: 14 anos, IQR 17,5; reação inicial
sora, contudo escasseiam estudos de seguimento a longo-prazo. mediana aos 6 anos, IQR 7). Clinicamente, 63% dos casos apre-
Objetivos: Avaliar a eficácia e a segurança a longo-prazo da ITO sentavam anafilaxia e 5 doentes tiveram reações graves associadas
ao LV (ITO-LV) na prática clínica. a cofatores (todos com exercício físico). A IgE específica sérica Pru
Metodologia: Estudo prospetivo de crianças com alergia IgE-me- p3 mediana é 5,95kUA/L (IQR: 10,7) e 84% dos doentes estavam
diada grave ao LV que foram submetidas a ITO e seguidas até 17 sensibilizados a pólenes. A evicção alimentar envolvia sobretudo
anos. A dessensibilização completa foi definida pela tolerância da pêssego (90%), frutos secos (74%) e outras rosáceas (63%). Quatro
dose-alvo diária (200mL). A caracterização clínica e laboratorial doentes realizaram SLITone prévia (mediana de 2,25 anos).
foi realizada antes e após ITO, ao longo do seguimento. Atingiram a dose de manutenção 18 doentes (mediana de 2,10
Resultados: Foram incluídos 36 doentes; 72% tinham asma e 64% meses). Ocorreram reações ligeiras na indução em 8 doentes (pru-
história prévia de anafilaxia-LV. Idade média no início da ITO-LV foi rido oral e queixas gastrointestinais) e na manutenção em 2 (gas-
6,9(±2,8) anos. Durante a fase-indução 19% apresentaram anafilaxia. trointestinais). Oito doentes realizaram PPO com alimentos im-
A dessensibilização completa foi alcançada em 94%. Durante a fase- plicados após mediana de 9 meses (IQR: 12) sob dose de
-manutenção 75% tiveram reações alérgicas (53% ≥3 reações), ve- manutenção, todas negativas. Atualmente, 4 encontram-se em
rificando-se anafilaxia em 12 (33%), incluindo anafilaxia induzida pelo dieta livre, 12 mantêm ITO e 3 desistiram.
exercício em 14% e pela ingestão de queijo em 14%. História prévia Conclusões: A ITO com sumo de pêssego mostrou-se eficaz e
de anafilaxia-LV foi fator de risco para anafilaxia na fase-manutenção bem tolerada, sem anafilaxia na indução ou manutenção. As PPO
(p=0,03). Durante ITO-LV foi diagnosticada esofagite eosinofílica posteriores negativas sugerem benefício clínico, com reintrodução
em 4 doentes (11%). Observou-se redução significativa dos níveis de de alimentos implicados, apoiando esta abordagem como alterna-
IgE-específica e dos testes-cutâneos para LV e caseína (p<0,0001), tiva terapêutica.
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REVIST A POR TUGUESA DE IMUNO ALERGOLOGIA

