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ARTIGO ORIGINAL
Internamentos em crianças
com registo de alergia às penicilinas
Hospitalizations in children with registry of penicillin allergy
Data de receção / Received in: 24/10/2016
Data de aceitação / Accepted for publication in: 20/12/2016
Re v P or t Im unoalerg ologia 2017; 25 (3): 165-171
2,3
Bernardo Sousa -Pinto 1,2,3 , Alberto Freitas , Luís Araújo 1,3,4
1 Serviço e Laboratório de Imunologia, Faculdade de Medicina, Universidade do Porto
2 MEDCIDS – Departamento de Medicina Comunitária, Informação e Decisão em Saúde, Faculdade de Medicina, Universidade
do Porto
3 CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, Universidade do Porto
4 Instituto CUF – Unidade de Imunoalergologia, Porto
Prémio SPAIC -Diater 2016 (ex-aequo)
RESUMO
Fundamentos: A alergia às penicilinas é amplamente sobrediagnosticada. Contudo, este fenómeno pode associar -se
a consequências negativas, incluindo maior risco de infeções por agentes multi -resistentes e custos económicos superiores.
Objetivos: Comparar os internamentos ocorridos em crianças com e sem registo de alergia às penicilinas no que diz
respeito às características dos doentes, tempo de internamento, mortalidade intra -hospitalar e custos das hospitaliza-
ções. Métodos: Foi utilizada uma base de dados contendo todos os internamentos ocorridos nos hospitais públicos
portugueses ao longo de um período de 15 anos (2000 -2014), tendo sido identificados todos os episódios ocorridos
em crianças e com registo de alergia às penicilinas nesse período. Estes episódios foram comparados, quanto às co-
morbilidades dos doentes, tempo de internamento, mortalidade intra -hospitalar e custos estimados das hospitaliza-
ções, com internamentos sem registo de alergia às penicilinas equiparados para a idade, sexo e diagnóstico principal.
Resultados: Os internamentos ocorridos em crianças com alergia às penicilinas foram em média significativamente mais
longos e associaram -se a um índice de comorbilidades médio significativamente superior. Apesar de os custos médios
das hospitalizações serem tendencialmente mais elevados no grupo que registava alergia às penicilinas, a diferença não
foi estatisticamente significativa. Conclusões: As crianças com registo de alergia às penicilinas evidenciam internamen-
tos mais longos, com mais comorbilidades e tendencialmente com custos mais elevados.
Palavras -chave: Alergia a fármacos, criança, economia, hospitalar, hipersensibilidade, hospitalização, penicilinas.
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REVIST A POR TUGUESA DE IMUNO ALERGOLOGIA

