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CONCEITOS SUBJACENTES À UTILIZAÇÃO DOS MEDICAMENTOS BIOLÓGICOS / ARTIGO DE REVISÃO





          genética que levou à resolução do problema, ao permitir   primeira vez, a expressão de genes para as regiões variá-
          uma solução de recurso: a humanização de anticorpos   veis de Igs humanas pela transfeção através de fagos para
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          monoclonais de ratinho – anticorpos monoclonais de 2.ª   bactérias . Isto permitiu selecionar os fagos que expres-
          geração, com modificações estruturais em relação às mo-  savam os genes V de Igs com maior afinidade, através de
          léculas de Ig originais 11,12 . Estas modificações criam verda-  cromatografia de afinidade, mimetizando uma “seleção
          deiras quimeras, com parte da molécula final de ratinho e   natural” de mutações aleatórias nos genes clonados, no
          outra parte humana. Para tal, produzem -se anticorpos   sentido de se escolherem os de muito elevada afinidade.
          monoclonais de ratinho pela técnica de hibridoma mas,   O primeiro anticorpo monoclonal de 3.ª geração assim
          em vez de se transfetarem genes para as regiões variáveis   produzido foi o adalimumab, dirigido contra o fator de
          e constantes de Igs de ratinho, transfetam -se apenas os   necrose tumoral.
          genes das regiões variáveis em conjunto com genes codi-  A segunda técnica, de modelos transgénicos, tinha um
          ficadores das regiões constantes de Igs humanas. Estes   objetivo simples: silenciar genes endógenos que codifica-
          anticorpos monoclonais híbridos “quiméricos” são clara-  vam imunoglobulinas em ratinhos e introduzir genes que
          mente menos imunogénicos quando administrados em   codificavam anticorpos humanos, a nível germinativo des-
          humanos, têm uma muito maior capacidade funcional, bem   te modelo animal. Esta “mutagénese dirigida, de substi-
          como uma semivida muito aumentada 6,11,12 .       tuição”, permitia fazer com que ratinhos transgénicos e
             Mas os anticorpos monoclonais de 2.ª geração ainda   seus descendentes tivessem os seus sistemas imunitários
          foram um passo mais além: em vez de juntar toda a região   a trabalhar de forma natural na produção de anticorpos
          variável de uma Ig de ratinho com a região constante de   humanos contra antigénios para os quais eram sensibili-
          Ig humana, conseguiu -se efetuar a transfeção de apenas   zados. Através do processo natural de “maturação de
          os genes que codificam as regiões “hipervariáveis” (com-  afinidades”, bastava obter esses anticorpos e expandi -los,
          plementarity determining regions – CDR; frações da região   otimizando -os, se necessário, em linhas celulares. O pri-
          variável que realmente contactam com o antigénio) de Ig   meiro anticorpo monoclonal de 3.ª geração produzido
          de ratinho, em conjunto com os genes humanos para   desta forma, totalmente humano, foi o panitumumab (di-
          codificarem toda a restante estrutura do anticorpo. Estes   rigido contra o recetor do Epidermal growth factor – EGFR),
          anticorpos “humanizados” têm todas as vantagens dos   aprovado pela FDA em 2006.
          anticorpos “quiméricos” referidos, mas são ainda menos
          imunogénicos.                                     A designação dos anticorpos monoclonais
             Mas a evolução tecnológica permitiu ainda o apareci-  e de outros fármacos biológicos
          mento de anticorpos monoclonais de 3.ª geração: os anticor-  A Organização Mundial de Saúde esteve na base da
          pos totalmente humanos 11,12 , através de duas técnicas di-  elaboração de um documento que normalizava os nomes
          ferentes: a tecnologia de transfeção através de fagos e a   atribuídos a anticorpos e outras proteínas terapêuticas,
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          tecnologia de modelos transgénicos. A primeira técnica   revelando a sua origem e âmbito de atuação . Alguns
          é sobreponível à que permitiu a geração de anticorpos   exemplos:
          monoclonais de 1.ª e 2.ª gerações, mas com uma diferen-
          ça: em vez de plasmídeos, usam -se vírus (bacteriófagos   a) Quanto ao tipo funcional (indicado no sufixo):
          ou fagos) como vetores. Este novo tipo de vetor permi-     -kin (interleucinas)
          tiu a inserção de longos fragmentos génicos (com muito      -kinra (antagonistas de recetores de interleucinas)
          menos limitações, em tamanho, do que os plasmídeos)      -cept (moléculas de recetores)
          para a transfeção. Em 1990, conseguiu -se efetuar, pela      -mAb (anticorpo monoclonal)


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                                             REVIST A POR TUGUESA DE IMUNO ALERGOLOGIA
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