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Luís Taborda Barata
O desenvolvimento de anticorpos monoclonais tempo, apenas as células híbridas conseguem sobreviver
1986 marca a aprovação do primeiro anticorpo mo- à base do melhor que as células B têm para oferecer (a
noclonal para uso terapêutico (Orthoclone OKT3) e que capacidade de sintetizar o ADN mesmo em meios como
permitiu prevenir a rejeição de rins transplantados, em o HAT) e o melhor que as células do mieloma podem
casos de doentes que resistiam à terapêutica imunossu- aportar (a quase -imortalidade). Uma parte destas células
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pressora habitual . Mas como é que se chegou aqui? Atra- híbridas produz anticorpos específicos contra os antigé-
vés da junção de duas técnicas fundamentais: a primeira nios usados para a sensibilização. Os passos seguintes
já é nossa conhecida, a técnica de transfeção de genes de consistem na seleção adicional, em diversas fases, das
interesse através de plasmídeos. A segunda resultou da células B com maior afinidade para o antigénio, através
técnica de produção de anticorpos resultantes de apenas da técnica de diluição limitante que permite acabar por
um clone de células B – a tecnologia dos hibridomas, com ter apenas clones de células com maior afinidade para o
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resultados demonstrados em 1975 . Esta técnica consis- antigénio sensibilizante. Uma vez confirmada a presença
te em imunizar ratinhos com antigénios contra os quais de clones de células híbridas que produzem “bons” anti-
se querem desenvolver anticorpos. Após algumas sema- corpos, induz -se a proliferação in vivo ou in vitro desses
nas, sacrificam -se os animais e retira -se o baço, fonte clones produtores de anticorpos com a mesma especifi-
ideal de linfócitos B produtores de anticorpos. Seguida- cidade e afinidade – os anticorpos monoclonais.
mente, isolam -se e incubam -se essas células B com célu- Aqui começa o “casamento” entre a técnica de hibri-
las B tumorais imortalizadas, de uma linha celular de domas e as técnicas de engenharia genética. De facto,
mieloma. Esta incubação é efetuada em polietilenoglicol, pode -se “otimizar” a produção de anticorpos monoclo-
que favorece a fusão celular entre os dois tipos de células. nais se se amplificarem os genes das regiões variáveis (V)
Contudo, essa fusão não ocorre em todas as células e, dos anticorpos obtidos pela técnica de hibridoma e se
assim, acaba -se por obter três populações de células: depois estes forem transfectados para bactérias, para uma
linfócitos B de ratinho e células de mieloma, que não se produção em larga escala. Finalmente, é necessário ras-
fundiram entre si, e células híbridas, resultantes dessa trear os anticorpos produzidos pelas bactérias e identi-
fusão. Em seguida, colocam -se todas as células num meio ficar os que têm a maior afinidade – anticorpos monoclonais
agressivo (meio de hipoxantina -aminopterina -timidina; de 1.ª geração 11,12 .
HAT). Este meio de cultura, através da aminopterina,
inibe o metabolismo dos folatos, o que bloqueia a sínte- As novas gerações de anticorpos monoclonais
se de ADN de novo. Contudo, a hipoxantina (derivado Os anticorpos monoclonais com origem em ratinho
purínico) e a timidina (um desoxinucleosídeo) presentes têm, contudo, vários problemas que dificultam o uso tera-
no meio de cultura podem ser usadas para um metabo- pêutico em humanos: grande imunogenicidade (com pro-
lismo normal do ADN, nas células que têm o material dução rápida de anticorpos anti -Igs de ratinho); semivida
enzimático necessário (timidina quinase). Ora as células curta; e baixa capacidade de ativação de funções imunitá-
do mieloma contêm uma mutação na timidina quinase rias através da região Fc, pois recetores para Fc ou o
que não permite a construção de ADN a partir da hipo- complemento humanos ligam -se com muito pouca afini-
xantina e timidina. Por outro lado, as células B contêm dade a estas regiões de Igs de ratinho. Idealmente, os lin-
os enzimas necessários à sobrevivência num meio HAT fócitos B usados para criar os hibridomas deveriam ter
mas, ao contrário das células tumorais imortalizadas, origem humana, mas a produção de anticorpos monoclo-
morrem após um determinado número de ciclos de pro- nais humanos, pela técnica de hibridomas, mostrou -se
liferação (a chamada “Lei da Vida”). Assim, após algum muito complicada. Assim, uma vez mais, foi a engenharia
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REVIST A POR TUGUESA DE IMUNO ALERGOLOGIA

