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rev port estomatol med dent cir maxilofac . 2018;59(2):94-99 97
A etiologia do trauma é um fator que não difere entre es-
tudos recentes, porém, quando comparada a estudos clássi-
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cos, esta variável pode não ser completamente confiável
visto que da época em que foi desenvolvido tal estudo, mu-
danças ocorridas como obrigatoriedade do uso do cinto de
segurança, airbags em veículos automotores e uso de disposi-
tivos de segurança no desporto tem relação direta com as di-
ferentes casuísticas de traumas faciais. No presente estudo, a
etiologia mais frequentemente observada foram acidentes de
trânsito, que somadas suas variedades, chegaram a 61,5% dos
casos, concordando com estudo anteriores. 5,9,10 Os dados des-
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ta pesquisa também corroboram com um outro estudo, que
envolveu 119 pacientes e a etiologia mais prevalente foram os
acidentes de trânsito que representavam 49,5% dos casos. Ao
Figura 3. Relação de complicações entre tratamento analisar as variantes dos acidentes de trânsito separadamen-
cirúrgico e não -cirúrgico te observa -se que o acidente de moto se mostrou significati-
vamente mais prevalente com 38,7% casos, o que pode estar
relacionado ao fato de ser mais fácil o acesso a este tipo de
o acompanhamento periódico, também foi observada reab- transporte somado ao maior risco de acidentes graves que o
sorção condilar em dois casos (um caso após tratamento não- mesmo oferece.
-cirúrgico e um caso após tratamento cirúrgico) e um caso de O tratamento apesar de controverso, foi estabelecido se-
fístula salivar, 5,7% e 2,8%, respetivamente. Neste ponto, é guindo critérios já muito citados na literatura.
importante salientar que de todas as complicações exibidas A escolha pelo tratamento não -cirúrgico muitas vezes
na pesquisa, apenas 3 casos não tiveram resolução na sua pode culminar em má -oclusão, mordida aberta anterior, per-
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totalidade: um caso de paresia Facial após acesso pré- da da dimensão vertical e disfunções articulares. A fim de
-auricular e dois casos de reabsorção condilar que continuam definir qual método de tratamento é o melhor a ser empre-
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sob acompanhamento. gado, foi realizado um estudo tipo meta -análise onde se
Um dos pontos mais importantes da pesquisa diz respeito concluiu que o tratamento cirúrgico é mais vantajoso por
ao índice de complicações relacionadas ao tratamento não- proporcionar menor dor pós -operatória, oclusão estável, me-
-cirúrgico quando comparados ao tratamento cirúrgico das nor desvio mandibular durante a função e menor incidência
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fraturas, pois observou -se que dos 53 côndilos tratados de ma- de ruídos articulares. Do mesmo modo, num estudo mul-
neira não -cirúrgica, apenas 8 casos (15,1%) evoluíram com ticêntrico anterior, tinha sido observado que o prejuízo fun-
alguma complicação, ao passo que a indicação da cirurgia le- cional e o desconforto foram menores nos pacientes tratados
vou a um índice de complicações de 54,5% (12 côndilos de 22 cirurgicamente, ao contrário de outro estudo, que não en-
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operados) como demonstrado na Figura 3. Foi aplicado o teste controu diferenças significativas em relação a dor na Articu-
Qui -Quadrado para a comparação dos grupos cirúrgicos e não lação Temporomandibular em ambas as formas de trata-
cirúrgicos em relação a variável complicações. Obteve -se um mento. Na presente amostra, em 70,6% dos casos (53
valor de p=0,0012, demonstrando que houve diferença estatís- pacientes) foi adotada a forma não -cirúrgica de tratamento
tica significante entre os grupos. e em 29,4% dos casos (22 pacientes) o tratamento cirúrgico
foi realizado. Os índices de sucesso mostraram -se semelhan-
tes entre os tratamentos empregados. Estes índices discor-
Discussão dam dos observados anteriormente, em que 62,9% dos casos
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foram tratados cirurgicamente e 37,1% dos casos foram tra-
O género masculino foi o mais afetado com 81%, sendo esta tados de maneira conservadora. Nesta pesquisa as vanta-
característica atribuída ao facto do homem parecer estar gens do uso de cada tipo de tratamento foram observadas
mais intimamente ligado a questões de imprudência no sob diferentes aspetos, visto que os pacientes que realizaram
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trânsito e violência interpessoal. Este dado corrobora com cirurgia voltaram à função mais rapidamente e os tratados
um estudo anterior, onde os autores relatam que em sua de maneira não -cirúrgica sofreram menos complicações, po-
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pesquisa envolvendo 2828 pacientes com trauma facial, rém, ao final, quase a totalidade dos casos atingiram um
83% eram do género masculino. Em uma amostra menor, resultado satisfatório.
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porém, com os mesmos índices, também relatam 81% de É sabido que o índice de complicações aumenta quando
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prevalência. o tratamento cirúrgico das fraturas condilares é indicado.
Adultos e adultos jovens foram quase igualmente afetados, Tal fato foi observado nesta pesquisa, pois 54,5% dos pacien-
45,4% e 42,7%, respetivamente. Esta fatia da população é mais tes submetidos ao tratamento cirúrgico evoluíram com al-
economicamente ativa e, portanto, mais propensa a atividades gum tipo de complicação, ao passo que 15,1% dos sujeitos
que podem ser fatores de risco. 9,10 Dado também observado submetidos ao tratamento não -cirúrgico evoluíram com al-
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num outro estudo, onde se relata que a idade mais afetada guma complicação. Estes índices estão discretamente au-
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se situava entre os 20 e os 29 anos, que representavam 44,5% mentados em relação a um estudo anterior, onde o autor
dos casos. relata taxas de complicações de 33,3% em tratamentos cirúr-

