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XXXVIII REUNIÃO ANUAL DA SPAIC / RESUMOS DAS COMUNICAÇÕES ORAIS E DOS POSTERS
Dezembro 2016, solicitadas pelo Serviço de Imunoalergologia; reatividade e/ou contaminação cruzadas, ou pela gravidade das
avaliaram ‑se características demográficas, diagnóstico prévio de reações.
asma (DPA), presença de sintomas exclusivamente induzidos pelo Objectivo: Avaliar perfis de sensibilização e de reatividade clíni-
exercício (SEE), presença de atopia e níveis de FeNO. ca a diferentes FS, ao amendoim e às sementes de sésamo (SS),
Resultados: Foram incluídos 169 doentes, tendo a prova sido po- em doentes com história de reação a pelo menos um destes ali-
sitiva em 41.4% [70 doentes, 61.4% mulheres, mediana de idades mentos.
13 anos (IQR 11 -17)]. Destes, 36 (51.4%) tinham DPA. A média do Métodos: Estudo transversal, com revisão dos processos clínicos
FeNO foi de 40 ppb (± 3.7), sendo que 33.8% apresentaram FeNO de todos os doentes avaliados entre Janeiro 2011 e Junho 2017, na
baixo, 35.3% FeNO intermédio e 30.9% FeNO alto. Área de Alergia Alimentar de um Serviço de Imunoalergologia,
O valor de FeNO foi superior (p=0.03) no grupo com PBCL po- por suspeita de alergia a FS, amendoim e/ou SS (n=116). Foram
sitiva. Esta associação não se verificou relativamente à presença analisados dados demográficos e os resultados de testes cutâneos
de atopia, embora se tenha verificado entre FeNO e atopia na por picada (TCP) e por picada -picada (TCPP), doseamento de IgE
totalidade da amostra e nos doentes com PBCL positiva. específica (sIgE) e/ou prova de provação oral (PPO). A AA confir-
Nos doentes com DPA, o FeNO foi significativamente superior mada definiu ‑se por uma PPO positiva ou uma história clínica com
nos doentes com PBCL positiva (p=0.03). O mesmo não se veri- testes cutâneos e IgE específica concordantes.
ficou em relação à presença de atopia, mas verificou ‑se uma dife- Resultados: Incluíram -se 47 doentes (70% do sexo feminino);
rença significativa no FeNO de atópicos e não atópicos (p=0.00). idade mediana [intervalo interquartil] de 28 [18 -46] anos) com AA
Nos doentes com SEE não houve diferença significativa no FeNO confirmada; 72% destes eram atópicos. Os alimentos mais frequen-
e atopia nos doentes com PBCL positiva, mas verificou ‑se diferen- temente envolvidos foram a noz (43%), avelã (34%), amêndoa (23%)
ça significativa no FeNO de atópicos e não (p=0.00). e o amendoim (34%). A anafilaxia foi a forma de apresentação em
Conclusão: Nesta população, o valor do FeNO, mas não a atopia, 51% dos doentes. Quatorze (30%) eram sensibilizados à LTP, des-
associou ‑se a positividade na prova, o que sugere que a inflamação tes 9 reagiram a mais do que um FS, sendo os mais prevalentes a
eosinofílica, independente da atopia, poderá estar envolvida na noz, a avelã e o amendoim. Cerca de metade apenas efetuava
fisiopatologia da AIE. No entanto, nos doentes com SEE, o FeNO evicção do suspeito. Nos doentes com história de reação apenas
não se relacionou com a positividade da prova, o que pode sugerir a um FS (n=16), os mais prevalentes foram o amendoim (56%),
que a inflamação eosinofílica não desempenha um papel tão fulcral seguido da noz e avelã. Quatro reportaram tolerância a outros FS.
na BIE quanto na AIE, sugerindo que outros mediadores poderão Dos 19 que reagiam a mais do que um FS, 2 toleravam outros FS/
exercer um papel central no desenvolvimento de broncoconstrição amendoim. Dois doentes tinham alergia a SS. A prevalência de
em indivíduos com SEE. alergia à noz e avelã foi significativamente superior no grupo com
reação a mais do que um FS versus os que tinham apenas a um FS
(75% vs. 25%; 81% vs 20%, respectivamente).
Conclusão: Estes dados estão de acordo com a existência de
SESSÃO DE POSTERS I diferentes perfis de sensibilização (primária, concomitante ou cru-
zada), os quais poderão predizer diferentes padrões de reativida-
ALERGIA ALIMENTAR / ANAFILAXIA de clínica e influenciar as recomendações sobre as evicções
alimentares evitando restrições desnecessárias.
Dia: 6 de Outubro
Horas: 08:30 – 10:00 PO 02 – Caracterização do síndrome LTP numa
Sala: 2 população portuguesa residente no barlavento algarvio
P Silva , N Boer , N Santos 1
2
1
Moderadores: Luis Araújo, Luisa Geraldes 1 Unidade de Portimão, Centro Hospitalar do Algarve,
Portimão, PORTUGAL
PO 01 – Alergia alimentar a frutos secos, amendoim e 2 Universidade do Algarve, Faro, PORTUGAL
sementes de sésamo: Perfis de sensibilização e
reatividade clínica Objetivo: Na região do Mediterrâneo, uma percentagem signifi-
1,2
1
M J Vasconcelos , F Carolino , D Silva , A Coimbra 1 cativa de casos de alergia alimentar a frutos frescos (especialmen-
1
1 Serviço de Imunoalergologia, Centro Hospitalar São João, te as rosáceas) e a frutos secos é causada devido à sensibilização
Porto, PORTUGAL a proteínas transportadoras de lípidos (lipid transfer proteins-
2 Imunologia Básica e Clínica, Departamento de Patologia, -LTP). Doentes alérgicos a esta proteína apresentam frequente-
Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Porto, mente um fenótipo complexo, com reações sistémicas a diversos
PORTUGAL alimentos de origem vegetal (síndrome LTP). Este trabalho carac-
teriza o perfil alergológico dos doentes portugueses com alergia
O tratamento da alergia alimentar (AA) a frutos secos (FS) assen- a LTP acompanhados na Unidade de Portimão do Centro Hospi-
ta, habitualmente, tanto na evicção dos FS suspeitos, como também talar do Algarve e compara as características destes doentes com
dos restantes e ainda do amendoim e sementes, seja pelo risco de as de outras populações estudadas com a mesma patologia.
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REVIST A POR TUGUESA DE IMUNO ALERGOLOGIA

