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XXXVIII REUNIÃO ANUAL DA SPAIC / RESUMOS DAS COMUNICAÇÕES ORAIS E DOS POSTERS
CO 07 – Anafilaxia a frutos secos em idade pré -escolar CO 08 – Anafilaxia num serviço de urgência: Um estudo
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F Benito Garcia , A Gaspar , J Azevedo , I Mota , M Correia , retrospetivo de 10 anos num hospital terciário
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S Piedade , LM Borrego , M Morais Almeida 1 I Alen da Silva Coutinho , D Ferreira , J Pita , M Ferreira ,
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1 Centro de Imunoalergologia, Hospital CUF Descobertas, J Francisco , I Fonseca , C Loureiro , A Todo Bom 1
Lisboa, PORTUGAL 1 Serviço de Imunoalergologia/Centro Hospitalar e Universitário
2 Serviço de Imunoalergologia, Centro Hospitalar e de Coimbra, Coimbra, PORTUGAL
Universitário de Coimbra, Coimbra, PORTUGAL 2 Serviço de Medicina Interna/Centro Hospitalar e Universitário
3 CEDOC, Imunologia, NOVA Medical School, Faculdade de de Coimbra, Coimbra, PORTUGAL
Ciências Médicas, Lisboa, PORTUGAL 3 Serviço de Imunoalergologia/Centro Hospitalar e Universitário
de Coimbra, Coimbra, PORTUGAL
Introdução: A incidência de anafilaxia em idade pré ‑escolar tem 4 Serviço de Medicina Intensiva/Centro Hospitalar e
vindo a aumentar. Os principais agentes etiológicos são os alimen- Universitário de Coimbra, Coimbra, PORTUGAL
tos, com destaque para o leite de vaca e o ovo. No entanto, casos 5 Serviço de Urgência/Centro Hospitalar e Universitário de
de anafilaxia a frutos secos, nesta faixa etária, têm sido cada vez Coimbra, Coimbra, PORTUGAL
mais reportados.
Objectivo: Caracterizar uma série de crianças com anafilaxia a Introdução: A anafilaxia (AN) é uma emergência médica pelo seu
frutos secos em idade pré -escolar, referenciadas ao centro de risco de mortalidade, sendo o seu reconhecimento fulcral. A fre-
Imunoalergologia. quência de admissões hospitalares por AN está em ascensão, con-
Metodologia: Análise retrospetiva de 21 crianças com diagnós- tudo esta é difícil de estimar.
tico confirmado de anafilaxia a frutos secos em idade pré ‑escolar Objetivo: Caraterização dos doentes admitidos no serviço de
(idade média atual 8,7±3,2 anos, 67% do género masculino). Todas urgência de um hospital terciário por AN durante 10 anos.
as crianças foram estudadas segundo protocolo que incluiu avalia- Métodos: Estudo retrospetivo, descritivo e inferencial, de 43
ção clínica e de sensibilização alergénica com testes in vivo (testes doentes, avaliando: idade, sexo, triagem de Manchester, alergénio
cutâneos por picada com extratos Bial -Aristegui®) e/ou testes in (ALG), local de exposição ao ALG, comorbilidades, co -fatores,
vitro (IgE específicas séricas ImmunoCAP, ThermoFisher®). clínica, tratamento e orientação. Procedeu -se a avaliação estatís-
Resultados: A idade média da primeira reação anafilática foi tica com SPSS Statistics versão 20.0®.
3,2±1,2 anos [2;6]; em 13 crianças o primeiro episódio ocorreu Resultados: Amostra final com 53,5% de indivíduos do sexo mascu-
nos primeiros 3 anos de vida. Os frutos secos implicados foram lino e idade 54,3±16,2 anos. Triagem de 4.7% dos doentes como
caju em 10 crianças, noz em 6, pinhão em 4 e avelã em 2 (um caso pouco urgente. Em 53,3% dos indivíduos a reação foi imediata (<10
com anafilaxia a noz e avelã). Na maioria (76%), a reação ocorreu minutos), 51,2% tinha história de atopia e 72,1% dos doentes foram
no primeiro contacto com o alimento e nenhuma criança tinha expostos ao ALG fora do hospital. Verificaram ‑se 32,6% de AN a
diagnóstico prévio de alergia a frutos secos. Documentou -se rea- fármacos, 23,3% a picada de himenópteros, 20,9% a alimentos e 11,6%
tividade cruzada com outros frutos secos em 19 crianças e sensi- a produto de contraste iodado. Envolvimento respiratório–93%, der-
bilização ao amendoim em 8. Relativamente ao local da reação, 16 matológico–86%, cardiovascular -74.4%, gastrointestinal -20,9% e
ocorreram em casa, 4 em restaurante e uma na praia. Os sintomas neurológico -14,0%. Foi utilizada adrenalina (ADR) em 88,4%, 48,8%
mais reportados foram mucocutâneos (95%), respiratórios (76%) por via intramuscular. A entubação orotraqueal (EOT) realizou -se em
e gastrintestinais (57%). Em 90% dos episódios, os sintomas ocor- 16,3%. Ocorreu paragem cardio -respiratória em 11,6%. A mortalida-
reram nos primeiros 30 minutos após contacto com o alimento. de foi de 2,3%. Encaminhamento: consulta de Imunoalergologia (CIM)-
Das 19 crianças (90%) que recorreram ao serviço de urgência, só -65,1%; caneta auto -injetável de ADR -7%. Estabeleceram -se associa-
foi administrada adrenalina em 8 (42%). Foi prescrito dispositivo ções estatisticamente significativas entre: a)AN a alimentos, cianose
auto -injector de adrenalina em todas as crianças. (p=0,04) e via de administração de ADR (p=0,01), destaca -se um caso
Conclusões: O caju e a noz foram os principais frutos secos de síndrome de FDEIA ao trigo;b)AN a fármacos, via de administração
responsáveis por anafilaxia em idade pré ‑escolar. A maioria das de ADR (p=0,02) e oxigenioterapia (p=0,04); c)AN a picadas de hi-
reações ocorreu em casa. Foi comprovado mecanismo IgE media- menópteros, sexo masculino (p=0,01) e decisão de internamento
do em todos os casos. As reações ocorreram após contacto com (p=0,03);d)AN ao contraste iodado e encaminhamento para CIM
quantidades mínimas de frutos secos, demonstrando a elevada (p=0,04);e)presença de choque, oxigenoterapia (p=0,04) e número
potência destes alergénios. Mais de um terço dos doentes também de doses de ADR (p=0,03). Todos os doentes obesos (p=0,02) ou
está sensibilizado ao amendoim. A adrenalina foi subutilizada, tal com síncope (p=0,04) tiveram choque.Conclusão:A AN é uma enti-
como referido por outros autores. Reações alérgicas graves podem dade grave que requer reconhecimento precoce.Apesar da maioria
ocorrer em idades muito precoces, devendo ser reforçadas estra- dos doentes ter sido medicado com ADR, a sua administração não
tégias de prevenção e tratamento desta entidade potencialmente foi sempre pela via preconizada e poucos doentes foram dotados de
fatal. canetas auto -injetáveis. Detectou -se igualmente limitações relativa-
mente à restante terapêutica aconselhada. Assim é emergente subli-
nhar a necessidade de instrução dos profissionais de saúde no sentido
de ultrapassar as lacunas no diagnóstico e terapêutica.
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REVIST A POR TUGUESA DE IMUNO ALERGOLOGIA

