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rev port estomatol med dent cir maxilofac . 2020;61(3):112-116         115



            Tabela 1. A média e desvio -padrão dos valores do ângulo goníaco obtidos nas medições distribuídos por classes esqueléticas
                Ângulo goníaco        Classe I            Classe II          Classe III            Total
            Ortopantomografia        125,57º±6,6         123,18º±8,4         133,12º±6,3         127,30º±8,5

            Telerradiografia         127,82º±7,7         124,80º±7,8         132,20º±6,3         128,28º±7,8


            Tabela 2. Mostra a correlação intra -classe (rIC), o intervalo de confiança (IC) e a concordância entre o ângulo direito e
            esquerdo medido na ortopantomografia e na telerradiografia nas diferentes classes esqueléticas
                                                  Classe I               Classe II              Classe III
                                          rIC= 0,819             rIC= 0,853             rIC= 0,925
            Ângulo direito da ortopantomografia   IC95%[0,418, 0,936]  IC95%[0,566, 0,946]  IC95%[0,822, 0,970]
            com a telerradiografia
                                          forte concordância     forte concordância     muito forte concordância
                                          rIC= 0,751             rIC=0,877              rIC=0,816
            Ângulo esquerdo da ortopantomografia
            com a telerradiografia        IC95%[0,477, 0,893]    IC95%[0,719, 0,949]    IC95%[0,588, 0,923]
                                          moderada concordância  forte concordância     forte concordância


           que o coeficiente de correlação intra -classe para a Classe II foi   objeto -filme. Assim, como o lado direito do doente é o mais
           de 0,916 (IC95% [0,766, 0,968]) e para a classe III foi de 0,931   afastado da fonte de emissão de raios x e, o mais próximo da
           (IC95% [0,827, 0,973]) o que revela uma muito forte concordân-  película, a imagem do lado direito sofre menos deformação
           cia entre os valores. A Tabela 2 descreve estes resultados.  que o esquerdo. Esta tendência também se verifica nas amos-
              Por fim, observaram -se diferenças entre as classes esque-  tras das outras classes esqueléticas analisadas.
           léticas, com valores estatisticamente significativos (p=0,006).   Estes resultados estão em concordância com os resultados
           Em particular observaram -se diferenças entre a classe I e III   descritos na literatura, 5 -9  que reportam não existirem diferen-
           (p=0,007), com uma diferença de 7,55º e 4,48º entre os valores   ças estatisticamente significativas na mensuração do ângulo
           médios da ortopantomografia e telerradiografia, respetiva-  em ambos os exames radiográficos. Estudos descritos na lite-
           mente. As diferenças nos valores médios entre a classe II e III   ratura avaliaram a medição do ângulo na ortopantomografia
           foi de 9,94º para a ortopantomografia e de 7,4º para a telerra-  e na telerradiografia numa população que apresentava uma
           diografia (p=0,036). Entre a classe I e II não se observaram di-  má oclusão de classe I e, concluíram, que não foram observa-
           ferenças estatisticamente significativas (p=0,800).  das diferenças estatisticamente significativas entre os ângulos
                                                               goníacos. 6,9
                                                                 No entanto, a qualidade da ortopantomografia deve estar
           Discussão                                           assegurada, uma vez que a posição da cabeça pode influenciar
                                                               o ângulo goníaco, uma vez que a rotação da cabeça altera a
           O presente estudo comparou a medição dos ângulos gonía-  inclinação da mandibula. 4
           cos na ortopantomografia e na telerradiografia. Na prática   Relativamente às classes esqueléticas, verificaram -se di-
           clínica, a medição do ângulo goníaco é efetuada usualmente   ferenças nos valores do ângulo goníaco entre classes. O sub-
           na telerradiografia, mas a sobreposição de estruturas anató-  grupo de classe III apresentou um valor médio superior aos
           micas pode dificultar a mensuração do mesmo. A ortopanto-  restantes (ortopantomografia: classe I - 125,57º, classe II -
           mografia permite superar esta limitação uma vez que não   123,18º, classe III - 133,12º; telerradiografia - classe I - 127,82º,
           existe sobreposição do ângulo goníaco direito e esquerdo.   classe II - 124,80º, classe III -132,20º), o que pode ser explicado
           Neste estudo, verificou -se que a medição do ângulo goníaco   por a amostra de classe III deste estudo apresentar uma ro-
           na ortopantomografia tem uma forte correlação com o obtido   tação posterior da mandíbula associado a um perfil hiperdi-
           na telerradiografia, e que não existem diferenças significati-  vergente. Um estudo de 2012 referiu que a medição do ângu-
           vas entre a medição do ângulo direito ou esquerdo da orto-  lo goníaco não é influenciada pela classe esquelética,
           pantomografia com o ângulo medido na telerradiografia.   podendo esta mensuração ser realizada em qualquer um dos
           Apenas a comparação do ângulo esquerdo da ortopantomo-  exames radiológicos. Apesar deste estudo ir ao encontro dos
           grafia com a telerradiografia de perfil em pacientes classe I   nossos resultados, não estabelece a comparação entre a me-
           apresentou uma correlação moderada, o que pode ser expli-  dição do ângulo goníaco e as classes esqueléticas como o
           cado pelo princípio da distorção da imagem. Na tomada ra-  presente estudo. 2
           diográfica da telerradiografia, o feixe de raios X apresenta -se   O presente estudo, apresenta algumas limitações que
           sob a forma de um cone, na qual a imagem do objeto radio-  devem ser consideradas na interpretação dos resultados.
           grafado no filme é maior do que o próprio objeto, o que pro-  Cada subgrupo é constituído por 20 indivíduos, uma amostra
           duz uma deformação por aumento, sendo uma possível fonte   superior poderia permitir uma comparação que evitasse a
           de erros nas mensurações cefalométricas. Esta deformação   possibilidade de achados aleatórios entre os subgrupos das
           por  aumento  é  influenciada  pelas  distâncias  foco -objeto  e   classes bem como a validação, nas normas cefalométricas,
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