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114 rev port estomatol med dent cir maxilofac. 2020;61(3):112-116
Os critérios de exclusão aplicados foram os seguintes: in-
divíduos com história prévia de trauma ou de cirurgias na re-
gião da cabeça e pescoço; indivíduos com perda de peças den-
tárias; indivíduos portadores de síndromes craniofaciais;
indivíduos com assimetria facial.
Após aplicação dos critérios supracitados, 345 doentes fo-
ram excluídos: 157 com idade inferior a 18 anos, 94 portadores
de síndromes craniofaciais, 35 com exames radiográficos de
diferentes tomografos, 23 não estavam orientados na posição
natural da cabeça, 24 apresentavam ausência de peças dentá-
rias, 8 apresentavam assimetrias faciais e 4 tinham registos
incompletos. Os restantes 75 doentes foram aleatoriamente
selecionados considerando o tipo de classe esquelética (I, II e
III), por forma a obter subgrupos com o mesmo número de
indivíduos. A amostra final foi constituída por 60 doentes (38
do sexo feminino, 22 do sexo masculino), 20 por subgrupo, com
idades compreendidas entre os 18 e os 55 anos.
Os sujeitos foram classificados esqueleticamente pela
avaliação das normas cefalométricas, particularmente do
ângulo ANB. Doentes com um ângulo ANB entre 0º a 4º fo-
ram diagnosticados com classe I esquelética, para ângulos
ANB superiores a 4º atribuiu -se a classificação de classe II
esquelética e, se ANB inferior a 0º, atribuiu -se uma classe III
esquelética.
Na telerradiografia, o ângulo goníaco foi medido na inter-
secção do plano do ramo ascendente e do plano mandibular.
Na ortopantomografia, a medição foi feita na intersecção da
tangente ao bordo inferior da mandíbula e a tangente ao bor-
do distal do ramo ascendente e do côndilo em ambos os lados Figura 1. Telerradiografia de perfil. Traçado a amarelo
(Figuras 1 e 2). A medição foi feita com recurso a um transfe- estão representadas as tangentes utilizadas para a
ridor, e foram feitas três medições para cada ângulo goníaco medição do ângulo goníaco.
pelo mesmo operador, tendo sido considerado o valor médio.
O investigador foi calibrado antes deste estudo com 15 orto-
pantomografias e telerradiografias. A calibração foi concluída
quando o investigador obteve a mesma mensuração do ângu-
lo goníaco comparativamente com um médico dentista espe-
cialista em Ortodontia.
Os dados obtidos foram estatisticamente analisados na
plataforma estatística IBM SPSS v.24 tendo -se adotado como
nível de significância o valor 0,05. Utilizou -se o teste ANOVA
após se ter verificado o pressuposto da normalidade com o
teste de Shapiro -Wilk. Realizaram -se testes post -hoc (Tukey).
Resultados Figura 2. Ortopantomografia do mesmo indivíduo.
Traçado a amarelo estão representadas as tangentes
utilizadas para a medição do ângulo goníaco.
Neste estudo foram incluídos 60 doentes com uma média de
idades de 24 ± 7 anos. Na amostra selecionada, 20 indivíduos
apresentavam classe I esquelética (4 do sexo masculino e 16 correlação intra -classe entre os exames de diagnóstico foi de
do sexo feminino) com uma média de idades de 24 ± 9 anos. 0,904 (IC95% [0,841, 0,943]), verificando -se uma forte concor-
Os 20 indivíduos que constituíram o subgrupo da classe II es- dância entre os ângulos goníacos obtidos através da ortopan-
quelética (7 do sexo masculino e 13 do feminino) apresenta- tomografia e da telerradiografia.
vam uma média de idades de 24 ± 6 anos. A classe III esquelé- Na comparação da mensuração do ângulo goníaco na orto-
tica foi composta por 20 indivíduos (11 do sexo masculino e 9 pantomografia e na telerradiografia verificou -se que ambos os
do sexo feminino) com uma média de idades de 23 ± 8 anos. exames radiológicos eram concordantes na medição do ângu-
A média do ângulo goníaco foi de 127,30 ± 8,5 e 128,28 ± 7,8 lo goníaco, uma vez que o coeficiente de correlação intra -classe
graus nas panorâmicas e telerradiografias, respetivamente. A para a Classe I foi de 0,809 (IC95% [0,525, 0,924]), o que indica
Tabela 1 representa a média e o desvio -padrão dos valores uma forte concordância entre os valores das duas modalidades.
obtidos distribuídos por classes esqueléticas. O coeficiente de Esta tendência verificou -se também na classe II e III, uma vez

