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             Os critérios de exclusão aplicados foram os seguintes: in-
           divíduos com história prévia de trauma ou de cirurgias na re-
           gião da cabeça e pescoço; indivíduos com perda de peças den-
           tárias; indivíduos portadores de síndromes craniofaciais;
           indivíduos com assimetria facial.
             Após aplicação dos critérios supracitados, 345 doentes fo-
           ram excluídos: 157 com idade inferior a 18 anos, 94 portadores
           de síndromes craniofaciais, 35 com exames radiográficos de
           diferentes tomografos, 23 não estavam orientados na posição
           natural da cabeça, 24 apresentavam ausência de peças dentá-
           rias, 8 apresentavam assimetrias faciais e 4 tinham registos
           incompletos. Os restantes 75 doentes foram aleatoriamente
           selecionados considerando o tipo de classe esquelética (I, II e
           III), por forma a obter subgrupos com o mesmo número de
           indivíduos. A amostra final foi constituída por 60 doentes (38
           do sexo feminino, 22 do sexo masculino), 20 por subgrupo, com
           idades compreendidas entre os 18 e os 55 anos.
             Os sujeitos foram classificados esqueleticamente pela
           avaliação das normas cefalométricas, particularmente do
           ângulo ANB. Doentes com um ângulo ANB entre 0º a 4º fo-
           ram diagnosticados com classe I esquelética, para ângulos
           ANB superiores a 4º atribuiu -se a classificação de classe II
           esquelética e, se ANB inferior a 0º, atribuiu -se uma classe III
           esquelética.
             Na telerradiografia, o ângulo goníaco foi medido na inter-
           secção do plano do ramo ascendente e do plano mandibular.
           Na ortopantomografia, a medição foi feita na intersecção da
           tangente ao bordo inferior da mandíbula e a tangente ao bor-
           do distal do ramo ascendente e do côndilo em ambos os lados   Figura 1. Telerradiografia de perfil. Traçado a amarelo
           (Figuras 1 e 2). A medição foi feita com recurso a um transfe-  estão representadas as tangentes utilizadas para a
           ridor, e foram feitas três medições para cada ângulo goníaco   medição do ângulo goníaco.
           pelo mesmo operador, tendo sido considerado o valor médio.
           O investigador foi calibrado antes deste estudo com 15 orto-
           pantomografias e telerradiografias. A calibração foi concluída
           quando o investigador obteve a mesma mensuração do ângu-
           lo goníaco comparativamente com um médico dentista espe-
           cialista em Ortodontia.
             Os dados obtidos foram estatisticamente analisados na
           plataforma estatística IBM SPSS v.24 tendo -se adotado como
           nível de significância o valor 0,05. Utilizou -se o teste ANOVA
           após se ter verificado o pressuposto da normalidade com o
           teste de Shapiro -Wilk. Realizaram -se testes post -hoc (Tukey).


           Resultados                                          Figura 2. Ortopantomografia do mesmo indivíduo.
                                                               Traçado a amarelo estão representadas as tangentes
                                                               utilizadas para a medição do ângulo goníaco.
           Neste estudo foram incluídos 60 doentes com uma média de
           idades de 24 ± 7 anos. Na amostra selecionada, 20 indivíduos
           apresentavam classe I esquelética (4 do sexo masculino e 16   correlação intra -classe entre os exames de diagnóstico foi de
           do sexo feminino) com uma média de idades de 24 ± 9 anos.   0,904 (IC95% [0,841, 0,943]), verificando -se uma forte concor-
           Os 20 indivíduos que constituíram o subgrupo da classe II es-  dância entre os ângulos goníacos obtidos através da ortopan-
           quelética (7 do sexo masculino e 13 do feminino) apresenta-  tomografia e da telerradiografia.
           vam uma média de idades de 24 ± 6 anos. A classe III esquelé-  Na comparação da mensuração do ângulo goníaco na orto-
           tica foi composta por 20 indivíduos (11 do sexo masculino e 9   pantomografia e na telerradiografia verificou -se que ambos os
           do sexo feminino) com uma média de idades de 23 ± 8 anos.  exames radiológicos eram concordantes na medição do ângu-
             A média do ângulo goníaco foi de 127,30 ± 8,5 e 128,28 ± 7,8   lo goníaco, uma vez que o coeficiente de correlação intra -classe
           graus nas panorâmicas e telerradiografias, respetivamente. A   para a Classe I foi de 0,809 (IC95% [0,525, 0,924]), o que indica
           Tabela 1 representa a média e o desvio -padrão dos valores   uma forte concordância entre os valores das duas modalidades.
           obtidos distribuídos por classes esqueléticas. O coeficiente de   Esta tendência verificou -se também na classe II e III, uma vez
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