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84 rev port estomatol med dent cir maxilofac. 2020;61(2):79-85
uma oportunidade para evitar intervenções desnecessárias,
como o tratamento endodôntico. 4,5,7,9
Em geral, as lesões fibroso -ósseas benignas dos maxilares
representam um grupo diversificado de condições nas quais
as condições clínicas, radiológicas e mesmo o diagnóstico his-
topatológico pode ser difícil de estabelecer. Conseguir um di-
agnóstico final preciso é de primordial importância, uma vez
que definirá a ação terapêutica apropriada. 11
Num estudo de prevalência, foram recuperados 35 casos de
DCP no período de seis anos. Na grande maioria dos indivíduos,
não foram observadas características de raça, idade e local-
ização divergentes do habitual. Entretanto existem relatados
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casos de DCP, descritos como lesões múltiplas na mandíbula e
na maxila, localizados na extensão de molares e pré -molares, 14-16
em pacientes leucodermas 10,16 e na segunda década de vida. 10
A DCP apresenta um cenário característico habitual de
acometimento, o qual é essencial no diagnóstico dessas lesões,
dispensando a realização de biópsia. 1,17,18 No entanto, quando
essas características clínicas e radiográficas divergem do ha-
bitual e há ausência de vitalidade pulpar, pode -se optar pela
mesma. 2,17
O caso clínico relatado neste trabalho foi de uma paciente
com 15 anos de idade, faioderma, que apresenta lesão na
região periapical de incisivos inferiores, tendo apenas a idade
como característica incomum na patologia. Em relação ao di-
agnóstico diferencial da DCP na primeira fase radiográfica,
incluem -se, as periapicopatias (quisto periodontal apical e
granuloma). 2,14 Estas apresentam uma resposta negativa no
Figura 14. Radiografia periapical da última consulta de
controle. Notar maior quadro da calcificação da massa teste de vitalidade pulpar, enquanto que nos casos de DCP a
2,4
central da lesão no ápice dos incisivos (2019). resposta é positiva. Vale ressaltar que o diagnóstico só é con-
firmado através da avaliação do estágio de desenvolvimento
dessas lesões por meio dos exames imagiológicos. 2,4
balhos duplicados. Um total de 199 artigos foram excluídos Durante o período de 7 anos, a lesão progrediu ao longo
aplicando os critérios supracitados, e 15 foram incluídos em das etapas inicial e intermediária. No primeiro ano de acom-
síntese qualitativa. panhamento, apresentava uma imagem osteolítica, e, após
A displasia cemento -óssea é uma lesão fibroso -óssea be- dois anos sugeria o início da fase mista, progredindo com a
nigna da região dentária dos maxilares com origem no liga- calcificação (e consequente remissão) a cada ano subsequente.
mento periodontal. Aparece predominantemente em mul- Num estudo de acompanhamento radiográfico com 54 pa-
heres (88%) negras (32 a 64% dos casos), com pico de incidência cientes apresentando lesões displásicas periapicais e/ou de
na quarta e quinta décadas de vida. A displasia cemento- forma focal nos maxilares, pôde -se perceber que também as
5,6
-óssea é dividida em três grupos: displasia cemento -óssea lesões de DCP não aumentam de tamanho desde seu estágio
periapical (DCP), displasia cemento -óssea focal e displasia inicial. A progressão da lesão de DCP é marcada pela escle-
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cemento -óssea florida. 7 rose e calcificação. O risco de necrose e infeção secundária
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Tratando -se da DCP, mantemos um padrão semelhante de aumenta por conta da isquemia dos tecidos afetados. 16,20 A
prevalência populacional. Afeta mais frequentemente a região quantidade de tecido duro, acelular e avascular, torna maior o
anterior da mandíbula, se caracteriza como uma lesão circun- risco de necrose, cicatrização tardia e infeção e inviabiliza a
scrita, envolvendo dentes vitais, podendo se apresentar de realização de procedimentos cirúrgicos nessas lesões onde a
forma múltipla e com tamanho < 1 cm. Sua aparência clínica esclerose óssea está presente. Da mesma forma, não é acon-
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varia de não expansível e assintomática a expansível e, às vez- selhável a realização de biópsias e exodontias na região. 16,18,20
9
es, sintomática. A DCP geralmente não necessita de inter- No entanto, se observada alguma sintomatologia dolorosa,
venção, mas recomenda -se o acompanhamento. 5,7,10 novas abordagens serão necessárias. Quando as lesões se tor-
Seu diagnóstico diferencial varia de acordo com o estágio nam sintomáticas e extensas, a ressecção cirúrgica pode se
da lesão. No estágio osteolítico inicial, a DCP deve ser diferen- tornar uma proposta viável de tratamento. 16,19,20
ciada da periodontite apical. Nos estágios mais avançados, As lesões displásicas normalmente não apresentam sin-
pode incluir um fibroma ossificante, doença óssea de Paget, tomatologia. Estas geralmente são ocasionadas por alguma
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osteomielite esclerosante crônica e cementoma. 7,10-12 A difer- infeção secundária. As causas da infeção secundária são
enciação da origem endodôntica e não -endodôntica da radio- complicações da saúde bucal, como doença pulpar, periodon-
lucência e a distinção dos marcos anatômicos por avaliação tite, e exposição da lesão ao meio bucal. 19,21 Além disso, inter-
clínica apropriada e uso de testes de vitalidade podem dar venções inadequadas, como o tratamento endodôntico, ex-

