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80 rev port estomatol med dent cir maxilofac. 2020;61(2):79-85
Early diagnosis in periapical cemental dysplasia: case report with 7 years
of follow‑up
a b s t r a c t
Keywords: Periapical cemental dysplasia is a disorder of bone tissue formation and remodeling where,
Cementoma during its development, bone tissue suffers a change in cell differentiation, resulting in mal-
Oral diagnosis formed tissue. It presents predominantly in the female sex, black ethnicity, and the age group
Mandibular neoplasms of 40 years. It can be confused with inflammatory periapical lesions of endodontic origin due
to its similar radiographic characteristics. Periapical cemental dysplasia is usually identified
through routine radiographic examinations, as it tends to show no clinical signs and symp-
toms. Early diagnosis is important for the treatment plan of this pathology, which, in most
cases, is conservative and translates into clinical and radiographic monitoring. The aim of
this study was to present a case of periapical cemental dysplasia with early diagnosis in the
first stage and a seven-year follow-up, focusing on the diagnostic and treatment methods
available. (Rev Port Estomatol Med Dent Cir Maxilofac. 2020;61(2):79-85)
© 2020 Sociedade Portuguesa de Estomatologia e Medicina Dentária.
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As lesões cemento -ósseas são estabelecidas em três gru-
Introdução
pos: focal, periapical e florida, diferindo quanto a sua local-
A displasia cementária periapical (DCP) é um distúrbio de for- ização e apresentação clínica/radiográfica, a denominação
mação e remodelação do tecido ósseo que durante o seu de- “focal” é utilizada quando a lesão é isolada; “periapical” quan-
senvolvimento sofreu alguma alteração durante a diferen- do há a presença de múltiplas lesões na região anterior de
ciação celular, resultando num tecido malformado. A lesão mandíbula; e “florida” para casos em que há envolvimento
não apresenta características neoplásicas e sua localização amplo de outras regiões dos ossos gnáticos. As três demon-
envolve habitualmente a região do periápice dos dentes an- stram características histopatológicas semelhantes, ou seja,
teroinferiores. 1 as lesões displásicas consistem de tecido conjuntivo fibroso
Os pacientes que apresentam a DCP são predominante- com uma mistura de osso imaturo, lamelar, e partículas sem-
mente de meia idade, gênero feminino e de etnia negra. No elhantes ao cemento. Com a maturação, as trabéculas ósseas
entanto, isso não exclui a possibilidade de uma certa prevalên- se tornam espessas e curvilíneas. Ainda, no seu estágio final,
1
cia em indivíduos jovens e de outras etnias. Geralmente, os foi relatada a fusão das trabéculas e formação de massas lob-
dentes relacionados com essas lesões demonstram vitalidade ulares compostas de material cemento -ósseo, acelular e de-
pulpar e são assintomáticos, sem sinais e sintomas clínicos sorganizado. 2,3
evidentes. 2 O diagnóstico precoce de displasia cementária periapical
Os aspetos imagiológicos da DCP são primordiais para é essencial para melhor condução do planeamento terapêuti-
interpretar e diferenciar o processo da lesão que evolui em co, que na maioria dos casos se traduz em acompanhamento
três fases: a fase inicial da instalação da displasia é consti- clínico e radiográfico, com observação da estabilização da
tuída predominantemente por áreas radiolúcidas, quase lesão sem causar nenhum dano ao paciente. Para tal, o clínico
regulares na região dos ápices de um ou mais dentes; na deve realizar uma anamnese detalhada, associada ao exame
fase intermediária, as lesões apresentam áreas radiopacas físico e radiográfico, assim como métodos de diagnóstico dif-
irregulares entre as áreas radiolúcidas; e na fase final, as erencial supracitados. 2 -4
lesões apresentam -se prevalentemente radiopacas, com O objetivo do presente trabalho é relatar um caso clínico
halo radiolúcido irregular. Pode -se inferir a importância do de displasia cementária periapical, com diagnóstico precoce
conhecimento desses aspetos radiográficos para o domínio ainda em fase inicial e acompanhamento de sete anos, com
do diagnóstico seguro da DCP, pois na sua fase inicial a mes- foco nos métodos diagnósticos e tratamento empregados dis-
ma pode ser confundida com uma lesão periapical crónica poníveis.
de origem endodôntica. O que poderá diferenciá -las será a
resposta positiva ao teste de sensibilidade pulpar, que é um
indicativo para DCP, enquanto que as periapicopatias apre- Caso clínico
sentarão uma resposta negativa. Desse modo, não se deve
realizar o tratamento endodôntico sem prestar um correto Paciente do género feminino, 15 anos, faioderma, procurou
diagnóstico e também avaliar o quadro de evolução da pa- atendimento odontológico privado, no ano de 2012, para aval-
tologia, considerando sempre optar por um tratamento iação de seus terceiros molares, que se encontravam inclusos,
mais conservador. 1,3 tendo sido pedida pelo clínico uma radiografia panorâmica.

