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           da amostra escova os dentes diariamente, 24,1% utiliza elixir   de cuidados de saúde oral, à falta de colaboração nos tratamen-
           oral e 7,1% faz uso de fio dentário. A reduzida adoção de hábi-  tos médico -dentários, fazendo com que os dentes afetados por
           tos adequados de higiene oral pode estar relacionada com   cáries  sejam mais frequentemente extraídos do que trata-
           fatores físicos, económicos, comportamentais, bem como com   dos, 6,31  e/ou devido à alta prevalência de doença periodontal
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           o escasso número de médicos dentistas e cuidadores dispostos   em pessoas portadoras de deficiência intelectual.  Tal é, aliás,
           a prestar serviços preventivos neste grupo populacional. 9  verificado noutros grupos populacionais vulneráveis, como é o
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             Noutras populações portadoras de deficiência, encontra-  caso dos pacientes psiquiátricos,  em que a grande maioria
           mos igualmente resultados aquém do desejável no que se re-  dos indivíduos enfatiza a extração dentária como a única ex-
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           fere à higienização oral. Num estudo  relativo a atletas porta-  periência vivenciada na consulta de Medicina Dentária.
           dores  de  deficiência intelectual,  participantes do Special   Em suma, a evidência sugere que os hábitos de higiene e
           Olympics Special Smiles na Bélgica, verificou -se uma diminui-  saúde oral inadequados são mais prevalentes na população
           ção no número de atletas que reportam higienizar a cavidade   com deficiência do que na população sem deficiência.
           oral pelo menos uma vez por dia, de 84,6% em 2008 para 79,3%   Como limitações do nosso estudo enfatizamos o facto de
           em 2013. Num outro estudo  foi reportada uma inadequada   este ser realizado em amostras de conveniência que poderão
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           higiene oral como a principal causa de doença periodontal em   não ser representativas da população geral. Adicionalmente,
           pessoas portadoras de algum tipo de deficiência, salientando   a amostra da população sem deficiência poderá apresentar
           ainda que existe uma relação entre o nível de higiene oral e o   algum enviesamento na medida em que são pacientes de uma
           grau de deficiência.                               clínica dentária, e pela existência de uma ligeira disparidade
             No nosso estudo foi também observada uma menor percen-  na distribuição das características género e idade face ao gru-
           tagem de visitas ao consultório médico -dentário nos indivíduos   po de comparação. Para além disso, e tendo em conta que, por
           com deficiência (28,4% vs 59,2%) possivelmente devido às inú-  vezes, os indivíduos tendem a sobrestimar os seus comporta-
           meras barreiras que esta população encontra no acesso a ade-  mentos reais, por influência do conhecimento prévio do que
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           quados cuidados de saúde oral, desde condicionantes intrínse-  seriam considerados hábitos desejáveis/ideais  e pela aceita-
           cas, socioeconómicas, barreiras relativas à acessibilidade e à   bilidade social das suas respostas,  consideramos que, à se-
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           reduzida perceção acerca da importância da saúde oral.  Tam-  melhança do que acontece noutros estudos,  os nossos resul-
           bém Liu et al.  e Pradhan et al.  observaram que 76,4% e 73%   tados possam constituir uma visão otimista da real situação
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           dos inquiridos, respetivamente, não visitaram o médico dentis-  atual, pelo que devem ser envidados esforços no sentido de
           ta no último ano, valores estes próximos das estimativas para   promover adequados hábitos de higiene oral.
           outros grupos desfavorecidos, como é o caso dos sem -abrigo. 27  Salientamos assim que a importância de avaliar tanto a
             A ausência  de  perceção  da  necessidade de  tratamento   perceção de saúde dos pacientes quanto a presença ou ausên-
           como principal causa para não visitar regularmente o médico   cia de hábitos de higiene, reside na necessidade de ter dados
           dentista foi também referida. Essa ausência de perceção sur-  precisos para, em futuras linhas de investigação, planear e
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           ge principalmente pela falta de dentes, por simplesmente con-  desenvolver programas de promoção de saúde, ajudando a
           siderarem desnecessário, ou pela ausência de dor.  Tal facto   orientar as políticas de saúde oral e contribuindo deste modo
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           parece não ir de encontro aos resultados obtidos no nosso   para a definição e priorização do uso socialmente apropriado
           estudo, especialmente no que refere à população com defi-  de recursos.
           ciência, já que 75,2% destes indivíduos afirmaram sentir ne-
           cessidade de algum tipo de tratamento.
             Note -se ainda que a percentagem de indivíduos que foram   Conclusões
           a uma consulta de Medicina Dentária por motivo de rotina ou
           aconselhamento médico, assim como a utilização de fio dentá-  Os comportamentos de saúde oral da população portadora
           rio foi superior no género feminino. Ainda assim, é neste grupo   de deficiência intelectual em estudo são consideravelmente
           que encontramos uma autoperceção mais elevada da necessi-  inferiores aos da população sem deficiência. Os resultados su-
           dade de tratamento médico dentário, o que evidencia uma maior   gerem que a população portadora de deficiência intelectual
           preocupação e exigência das mulheres face à saúde oral, à sua   em estudo apresenta comportamentos de saúde oral que cons-
           aparência e à qualidade de vida. Outros estudos 29-31  observam   tituem fatores de risco para a condição oral, situação esta evi-
           igualmente relações significativas entre o género e os compor-  denciada pelas elevadas percentagens de edentulismo apre-
           tamentos em saúde oral. Exemplo disso é um estudo relativo à   sentadas. Apesar da condição de deficiência intelectual leve,
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           população Portuguesa,  no qual os autores verificaram uma   a população em estudo apresenta uma clara perceção das suas
           maior prevalência de escovagem dentária (77,3% vs 68,9%), de   necessidades de tratamento e do estado da sua saúde oral.
           utilização de fio dentário (29,3% vs 17,6%), de elixir oral (52,4%   Evidencia -se, em ambas as populações, uma maior preocupa-
           vs 40%) e de visitas ao consultório médico -dentário duas ou mais   ção e cuidado do género feminino com a saúde oral.
           vezes por ano (26,4% vs 19,1%) no género feminino.
             No que diz respeito ao número de dentes que os indivíduos
           apresentam na cavidade oral, 10% dos indivíduos da amostra   Responsabilidades éticas
           sem deficiência apresentavam menos de 20 dentes, já no que
           se refere à população com deficiência intelectual, 32,9% dos   Proteção de pessoas e animais. Os autores declaram que para
           indivíduos apresentavam menos de 20 dentes. Tal situação   esta investigação não se realizaram experiências em seres
           pode dever -se, entre outras possíveis causas, à escassa procura   humanos e/ou animais.
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