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84                      rev port estomatol med dent cir maxilofac. 2018;59(2):80-86


                                                              que os intervalos de confiança para o risco ajustado revelem
            Tabela 4. Variáveis associadas à escovagem bidiária,
            ajustadas para o sexo, os grupos etários, a comunidade   alguma incerteza na medida. Tal sugere que existe menor in-
            de origem e a geração do imigrante (n = 267)      vestimento na escovagem durante o período de dentição de-
                                                              cídua, o que poderá estar associado à menor importância que
                                            Risco ajustado (IC
             Variável preditora  Risco (IC 95%)               lhe é associada pelos cuidadores, 31-33  nomeadamente nos es-
                                                 95%)
                                                              tabelecimentos de ensino pré -escolar, onde existem oportuni-
            Sexo                                              dades para introduzir hábitos regulares e sustentáveis de es-
              Masculino          1,00            1,00         covagem em crianças de todos os níveis socioeconómicos. 18,34
              Feminino       1,21 (0,73 – 2,00)  1,83 (0,94 – 3,53)
                                                                                       35
                                                              Nos Estados Unidos da América,  114 imigrantes adultos (47%
            Grupo etário                                      asiáticos), cuidadores de crianças com ≤ 6 anos de idade, reve-
              2-4 anos           1,00            1,00
              5–7 anos       1,89 (1,32 – 2,70)  4,96 (1,34 – 18,33)  laram uma correlação significativa entre uma saúde dentária
              8–10 anos      3,73 (2,13 – 6,54)  27,97 (7,46 – 104,88)  ‘pobre’ nas crianças e a crença pelos cuidadores de que a es-
              11–13 anos     8,57 (3,21 – 22,82)  59,03 (12,33 – 282,66)  covagem dentária não se devia iniciar com a erupção do pri-
              14–16 anos     5,57 (1,56 – 19,86)  56,99 (9,92 – 327,32)  meiro dente.
            Comunidade                                           Ainda no modelo multifatorial, os imigrantes de 1.ª gera-
              Paquistão          1,00            1,00         ção revelaram escovar significativamente mais os dentes bi-
              Bangladesh     0,87 (0,59 – 1,26)  0,95 (0,43 – 2,07)  diariamente que os de 2.ª geração, mesmo após ajustamento
              India          1,24 (0,93 – 1,65)  2,37 (0,99 – 5,67)
                                                              para a idade e para a comunidade de origem. Tem sido des-
            Geração do imigrante                              crito o fenómeno do “migrante saudável”, que aponta para o
              1.ª geração    1,78 (1,30 – 2,44)  2,41 (1,03 – 5,63)  fato de alguns imigrantes serem mais saudáveis do que as
              2.ª geração        1,00            1,00
                                                              populações autóctones e do que as populações da mesma ori-
                                                                                                     36
                                                              gem, que já nasceram nos países de acolhimento.  Estes gru-
                                                              pos poderão estar mais vulneráveis à doença pelos riscos para
           Discussão                                          a saúde e bem -estar a que estão expostos nos países receto-
                                                              res, incluindo oportunidades limitadas para adotar compor-
                                                                              37
           Apenas 30% da nossa amostra visitou um dentista/técnico de   tamentos saudáveis.  Para estudar o impacto de tais riscos,
           saúde oral no último ano, mas a maioria já recorreu em algum   serão importantes estudos futuros com populações imigran-
           momento da vida, 68% para cuidados preventivos. O grupo   tes, focados nas patologias preveníveis e incluindo avaliações
           mais jovem (2 - 4 anos) foi o que mais visitou (55% no último   clínicas com cálculo de índices de cárie dentária ou de doen-
           ano) e as frequências de acesso diminuem à medida que os   ça periodontal.
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           indivíduos envelhecem. Note -se que no III ENPDO  a tendên-  Este estudo teve algumas limitações. O método de amos-
           cia foi inversa, com aumento da frequência de acesso com a   tragem não probabilístico, vantajoso para aceder a uma popu-
           idade. A nacionalidade dos imigrantes é relevante, já que os   lação de difícil acesso, determina que os contatos iniciais se-
           indivíduos de origem paquistanesa visitaram um dentista/  jam realizados com indivíduos já conhecidos, sendo a amostra
           técnico de saúde oral significativamente mais do que os de   inicial de conveniência. Apesar das preocupações em garantir
           origem indiana ou bangledeshiana. Numa amostra de imi-  a heterogeneidade e representatividade da amostra, a propa-
           grantes de nacionalidade sul -americana, africana e europeia   gação geométrica não anula o viés associado à possível inclu-
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           de leste, residentes em Lisboa e Setúbal,  as frequências de   são de indivíduos mais motivados para participar e com maior
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           recurso a ‘consulta de saúde oral’ foram bastante inferiores às   rede social.  Por fim, todos os dados dos menores de 15 anos
           do presente estudo, tendo 29% dos menores de 14 anos de   foram recolhidos por autorrelato, através de proxy e não foram
           idade recorrido a uma consulta no ano anterior.    recolhidos dados clínicos que permitam calcular índices de
             A frequência de escovagem bidiária dos dentes aumentou   cárie dentária ou doença periodontal.
           ao longo dos grupos etários, de forma mais marcada na presen-
           te amostra do que na do ENPDO.  No entanto, a tendência foi
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           mais marcada na presente amostra, passando de 6% aos 2 -4   Conclusões
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           anos para 82% aos 14 -16 anos, enquanto no ENPDO  evoluiu de
           50% aos 6 anos para 69% aos 15 anos. Outras populações imi-  Verificamos que nas crianças imigrantes do subcontinente in-
           grantes em Lisboa, como as já referidas de nacionalidade sul-  diano, a frequência de visita a um dentista/técnico de saúde
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           -americana, africana e europeia de leste,  apresentaram fre-  oral é maior nos grupos etários pré -escolares, diminuindo
           quências de escovagem bidiária comparáveis às do presente   com a idade, tendência que não se verifica nas crianças nati-
           estudo: 85% nos indivíduos com idade ≤14 anos de idade. Este   vas portuguesas.
           efeito já foi identificado em outras populações: numa amostra   Foi também identificado que as frequências de escovagem
           de 9000 crianças entre 3 os 18 anos de idade, residentes na No-  dentária bidiária são muito baixas nas crianças imigrantes em
           ruega  (11% das quais imigrantes), verificou -se que as crianças   idade pré -escolar, sendo por isso necessário reforçar as reco-
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           imigrantes entre os 3 e os 6 anos de idade tinham pior saúde   mendações que a escovagem se inicie com a erupção dos pri-
           oral do que as norueguesas, mas que a diferença se esbatia com   meiros dentes decíduos e sugerida a adoção de programas de
           a idade, sem diferenças significativas após os 6 anos.  promoção da saúde específicos, nomeadamente em contexto
             O modelo multifatorial revelou associação entre os indiví-  pré -escolar (para introdução de hábitos de escovagem saudá-
           duos menores de 7 anos e escovagem ≤ 1 vez por dia, ainda   veis) e escolar (para manutenção dos mesmos).
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