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que os intervalos de confiança para o risco ajustado revelem
Tabela 4. Variáveis associadas à escovagem bidiária,
ajustadas para o sexo, os grupos etários, a comunidade alguma incerteza na medida. Tal sugere que existe menor in-
de origem e a geração do imigrante (n = 267) vestimento na escovagem durante o período de dentição de-
cídua, o que poderá estar associado à menor importância que
Risco ajustado (IC
Variável preditora Risco (IC 95%) lhe é associada pelos cuidadores, 31-33 nomeadamente nos es-
95%)
tabelecimentos de ensino pré -escolar, onde existem oportuni-
Sexo dades para introduzir hábitos regulares e sustentáveis de es-
Masculino 1,00 1,00 covagem em crianças de todos os níveis socioeconómicos. 18,34
Feminino 1,21 (0,73 – 2,00) 1,83 (0,94 – 3,53)
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Nos Estados Unidos da América, 114 imigrantes adultos (47%
Grupo etário asiáticos), cuidadores de crianças com ≤ 6 anos de idade, reve-
2-4 anos 1,00 1,00
5–7 anos 1,89 (1,32 – 2,70) 4,96 (1,34 – 18,33) laram uma correlação significativa entre uma saúde dentária
8–10 anos 3,73 (2,13 – 6,54) 27,97 (7,46 – 104,88) ‘pobre’ nas crianças e a crença pelos cuidadores de que a es-
11–13 anos 8,57 (3,21 – 22,82) 59,03 (12,33 – 282,66) covagem dentária não se devia iniciar com a erupção do pri-
14–16 anos 5,57 (1,56 – 19,86) 56,99 (9,92 – 327,32) meiro dente.
Comunidade Ainda no modelo multifatorial, os imigrantes de 1.ª gera-
Paquistão 1,00 1,00 ção revelaram escovar significativamente mais os dentes bi-
Bangladesh 0,87 (0,59 – 1,26) 0,95 (0,43 – 2,07) diariamente que os de 2.ª geração, mesmo após ajustamento
India 1,24 (0,93 – 1,65) 2,37 (0,99 – 5,67)
para a idade e para a comunidade de origem. Tem sido des-
Geração do imigrante crito o fenómeno do “migrante saudável”, que aponta para o
1.ª geração 1,78 (1,30 – 2,44) 2,41 (1,03 – 5,63) fato de alguns imigrantes serem mais saudáveis do que as
2.ª geração 1,00 1,00
populações autóctones e do que as populações da mesma ori-
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gem, que já nasceram nos países de acolhimento. Estes gru-
pos poderão estar mais vulneráveis à doença pelos riscos para
Discussão a saúde e bem -estar a que estão expostos nos países receto-
res, incluindo oportunidades limitadas para adotar compor-
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Apenas 30% da nossa amostra visitou um dentista/técnico de tamentos saudáveis. Para estudar o impacto de tais riscos,
saúde oral no último ano, mas a maioria já recorreu em algum serão importantes estudos futuros com populações imigran-
momento da vida, 68% para cuidados preventivos. O grupo tes, focados nas patologias preveníveis e incluindo avaliações
mais jovem (2 - 4 anos) foi o que mais visitou (55% no último clínicas com cálculo de índices de cárie dentária ou de doen-
ano) e as frequências de acesso diminuem à medida que os ça periodontal.
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indivíduos envelhecem. Note -se que no III ENPDO a tendên- Este estudo teve algumas limitações. O método de amos-
cia foi inversa, com aumento da frequência de acesso com a tragem não probabilístico, vantajoso para aceder a uma popu-
idade. A nacionalidade dos imigrantes é relevante, já que os lação de difícil acesso, determina que os contatos iniciais se-
indivíduos de origem paquistanesa visitaram um dentista/ jam realizados com indivíduos já conhecidos, sendo a amostra
técnico de saúde oral significativamente mais do que os de inicial de conveniência. Apesar das preocupações em garantir
origem indiana ou bangledeshiana. Numa amostra de imi- a heterogeneidade e representatividade da amostra, a propa-
grantes de nacionalidade sul -americana, africana e europeia gação geométrica não anula o viés associado à possível inclu-
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de leste, residentes em Lisboa e Setúbal, as frequências de são de indivíduos mais motivados para participar e com maior
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recurso a ‘consulta de saúde oral’ foram bastante inferiores às rede social. Por fim, todos os dados dos menores de 15 anos
do presente estudo, tendo 29% dos menores de 14 anos de foram recolhidos por autorrelato, através de proxy e não foram
idade recorrido a uma consulta no ano anterior. recolhidos dados clínicos que permitam calcular índices de
A frequência de escovagem bidiária dos dentes aumentou cárie dentária ou doença periodontal.
ao longo dos grupos etários, de forma mais marcada na presen-
te amostra do que na do ENPDO. No entanto, a tendência foi
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mais marcada na presente amostra, passando de 6% aos 2 -4 Conclusões
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anos para 82% aos 14 -16 anos, enquanto no ENPDO evoluiu de
50% aos 6 anos para 69% aos 15 anos. Outras populações imi- Verificamos que nas crianças imigrantes do subcontinente in-
grantes em Lisboa, como as já referidas de nacionalidade sul- diano, a frequência de visita a um dentista/técnico de saúde
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-americana, africana e europeia de leste, apresentaram fre- oral é maior nos grupos etários pré -escolares, diminuindo
quências de escovagem bidiária comparáveis às do presente com a idade, tendência que não se verifica nas crianças nati-
estudo: 85% nos indivíduos com idade ≤14 anos de idade. Este vas portuguesas.
efeito já foi identificado em outras populações: numa amostra Foi também identificado que as frequências de escovagem
de 9000 crianças entre 3 os 18 anos de idade, residentes na No- dentária bidiária são muito baixas nas crianças imigrantes em
ruega (11% das quais imigrantes), verificou -se que as crianças idade pré -escolar, sendo por isso necessário reforçar as reco-
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imigrantes entre os 3 e os 6 anos de idade tinham pior saúde mendações que a escovagem se inicie com a erupção dos pri-
oral do que as norueguesas, mas que a diferença se esbatia com meiros dentes decíduos e sugerida a adoção de programas de
a idade, sem diferenças significativas após os 6 anos. promoção da saúde específicos, nomeadamente em contexto
O modelo multifatorial revelou associação entre os indiví- pré -escolar (para introdução de hábitos de escovagem saudá-
duos menores de 7 anos e escovagem ≤ 1 vez por dia, ainda veis) e escolar (para manutenção dos mesmos).

