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82 rev port estomatol med dent cir maxilofac. 2018;59(2):80-86
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-aged Children (HBSC) da Organização Mundial de Saúde, rea- comunicar eventual intenção de desistência do estudo. A par-
lizado em 2013/2014 com crianças e adolescentes de 11, 13 e ticipação no estudo foi voluntária, anónima e confidencial.
15 anos de idade, a maioria (69,9%) referiu que escovava os Todos os participantes prestaram consentimento informado
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dentes mais que uma vez por dia. O nível socioeconómico da oralmente, com base em documento redigido em inglês ou
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famílias, o sexo feminino 21,22 e o aumento da idade foram português. Os dados relativos aos menores de 15 anos foram
significativamente associados à prevalência de escovagem dos obtidos por entrevista a um informador privilegiado (proxy). O
dentes mais de uma vez por dia. Já um estudo realizado em estudo foi aprovado pela Comissão de Ética da Faculdade de
2006/2007 com 998 imigrantes africanos e brasileiros residen- Medicina da Universidade de Lisboa e pela Comissão Nacional
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tes em Portugal, com ≤ 14 anos de idade, revelou que a maio- de Proteção de Dados.
ria (85%) escovava os dentes bidiariamente e 29% tinha reali- O questionário foi constituído por indicadores pertencen-
zado uma consulta de saúde oral no último ano. tes ao 4.º INS, organizado de acordo com as seguintes dimen-
Pretendeu -se caracterizar os hábitos de escovagem sões: (1) Caracterização sociodemográfica; (2) Estado de Saúde;
dentária das crianças e adolescentes imigrantes do subconti- (3) Estilos de Vida; (4) Saúde Oral; (5) Acesso a Cuidados de
nente indiano em Portugal e identificar os seus fatores asso- Saúde; (6) Saúde Mental e Bem -Estar Geral e Qualidade de Vida;
ciados, contribuindo para colmatar o défice de dados relativos (7) Morte do Outro; (8) Morte do Próprio; (9) Escala de Ansieda-
à saúde oral destas populações e possibilitar a identificação de Perante a Morte (DAS); (10) Questionário caracterização fa-
de medidas preventivas. miliar. Foi baseado no questionário utilizado para o primeiro
projeto do estudo SAIMI, disponível também em tradução
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inglesa, por a população imigrante frequentemente não domi-
Materiais e métodos nar o português.
Após análise descritiva univariada, procedeu -se a análise
Estudo transversal com indivíduos entre os 2 e os 16 anos de bivariada com testes Qui -Quadrado para variáveis categóricas,
idade, residentes no distrito de Lisboa e imigrantes do Bang- e t de Student e ANOVA para contínuas. Utilizou -se o nível de
ladesh, Índia e Paquistão – naturais desses países (imigrantes significância 5% (p < 0,05) e recorreu -se ao software estatístico
de 1.ª geração) ou de Portugal, desde que filhos de pais oriun- Statistical Package for the Social Sciences. 27
dos dos mesmos países (imigrantes de 2.ª geração). Foram ex- Para analisar diferenças entre grupos, a amostra foi dividi-
cluídos os naturais de um desses países, filhos de Portugueses da em três comunidades de origem (indiana, paquistanesa ou
emigrados, entretanto voltados a Portugal. bangladeshiana) e cinco grupos etários (2 -4 anos, 5 -7 anos,
O presente estudo utilizou dados recolhidos no âmbito do 8 -10 anos, 11 -13 e 14 -16 anos de idade). A observação aos 6
projeto de avaliação do acesso aos cuidados de saúde e nível anos de idade é relevante para a avaliação de lesões de cárie
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de saúde das populações imigrantes do Bangladesh, Índia e na dentição decídua. Pelos 12 anos, a maioria da dentição
Paquistão (estudo SAIMI), realizado pelo Instituto de Medici- permanente deve ter já erupcionado e, aos 15 anos, estará con-
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na Preventiva e Saúde Pública, da Faculdade de Medicina, da solidada e com diversos anos de exposição. 28
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Universidade de Lisboa. O objetivo principal do estudo SAIMI A resposta à pergunta “Alguma vez visitou um estomatologis-
foi avaliar o acesso aos cuidados de saúde dos imigrantes em ta, dentista, higienista ou outro técnico de saúde dentária?” foi di-
Portugal. cotomizada em “Há < 1 ano” ou “Há ≥ 1 ano ou nunca”. A fre-
Foi utilizada a técnica de amostragem de propagação geo- quência de escovagem bidiária dos dentes foi dicotomizada
métrica, combinada com entrevistadores com acesso privilegia- em “≥ 2 vezes por dia” ou “≤ 1 vez por dia”.
do à população -alvo, partindo de contatos já estabelecidos com A análise multifatorial da frequência de escovagem bidiá-
as mesquitas de Lisboa e com a comunidade Hindu. Para au- ria realizou -se com uma regressão logística múltipla,
mentar a heterogeneidade da amostra, os contatos iniciais in- calculando -se o risco ajustado e os respetivos intervalos de
cluíram representantes de diversos subgrupos: naturalidade das confiança (IC) a 95%. O modelo incluiu as variáveis sexo, grupo
três comunidades, diferentes tempos de estadia em Portugal, etário, comunidade de origem e geração do imigrante – asso-
ambos os géneros, diferentes grupos etários e diferentes condi- ciações consideradas estatisticamente relevantes na análise
ções sociais e educacionais. A metodologia de amostragem não univariada (p < 0,20). 29
probabilística é particularmente útil em populações de difícil
acesso, consistindo em pedir a indivíduos elegíveis conhecidos
que facultem contatos de outros potenciais participantes. Aos Resultados
novos indivíduos contatados são igualmente solicitados novos
contatos, até a obtenção da amostra pretendida. 26 Foram entrevistados 278 indivíduos, 44% (122) pertencentes à
Os participantes foram entrevistados entre novembro de comunidade indiana, 31% (86) à paquistanesa e 25% (70) à
2012 e março de 2013, em língua inglesa ou portuguesa, por bangladeshiana (Tabela 1). Cerca de 38% (105) eram imi-
membros das respetivas comunidades. Os entrevistadores grantes de 2.ª geração, significativamente mais (p < 0,001) na
eram licenciados na área das ciências sociais e tinham expe- comunidade indiana (60%).
riência na aplicação de questionários. A todos os participantes A maioria dos participantes era do sexo masculino (66%),
foi entregue documento de consentimento informado, redigi- com média de idades de 7,6±3,5 anos (Tabela 2). Os indianos
do em inglês ou português, no qual constavam a descrição do (idade média de 8,3±3,9 anos) eram significativamente mais
estudo e os contactos dos investigadores, para que fosse pos- velhos (p = 0,005) do que os bangladeshianos (idade média de
sível aos participantes obterem esclarecimentos adicionais ou 6,9±3,2 anos).

