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XLVII REUNIÃO ANUAL DA SPAIC / RESUMOS DAS COMUNICAÇÕES ORAIS,
            POSTERS E CASOS CLÍNICOS






                SESSÃO DE COMUNICAÇÕES ORAIS II               CO10 – QUALIDADE DA ABORDAGEM DA
                                                              ANAFILAXIA NO SERVIÇO DE URGÊNCIA: UM
               ANAFILAXIA E DOENÇAS IMUNOALÉRGICAS            ESTUDO RETROSPETIVO MONOCÊNTRICO
               FATAIS & IMUNODEFICIÊNCIAS PRIMÁRIAS           PORTUGUÊS.
                                                                                                  1
                                                              Da Costa L , Tavares M ,  Almeida T , Maçães C , Oliveira A ,
                                                                                         1
                                                                                                           1
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                                                                                1
                                                              Barreira P 1
            24 de setembro| 18:30-20:00 | Sala II             1  ULS Gaia e Espinho, Vila Nova de Gaia, Portugal
            Moderadores: João Gaspar Marques, José Laerte Boechat, Pedro
            Coelho
                                                              Objetivos: Avaliar a qualidade da abordagem diagnóstica e
                                                              terapêutica da anafilaxia no serviço de urgência (SU) de um
            CO09 – DA ANAFILAXIA À ANESTESIA SEGURA:          hospital central português, bem como a adequação das me-
            QUINZE ANOS DE EXPERIÊNCIA EM REAÇÕES DE          didas implementadas à data de alta, contribuindo com dados
            HIPERSENSIBILIDADE NO PERIOPERATÓRIO              epidemiológicos atuais para o conhecimento da realidade na-
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            Duarte de Almeida T , Maçães C , Malheiro D , Sousa M , Barradas   cional.
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            Lopes J , Cruz L , Barreira P , Ferreira J , Cadinha S 1
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            1  Unidade Local de Saúde Gaia Espinho, Vila Nova de Gaia, Portugal  Metodologia: Estudo retrospetivo, monocêntrico, descritivo e
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                                                              nóstico de anafilaxia definidos pela European Academy of Allergy
            Objetivos: Caracterizar a investigação alergológica e os outcomes   and Clinical Immunology (EAACI), entre 1 de janeiro de 2024 e 31
            clínicos de doentes com suspeita de reações de hipersensibilidade   de dezembro de 2025. Recurso aos programas Microsoft Excel®
            perioperatórias.                                  e IBM SPSS Statistics® para análise estatística.
            Metodologia: Estudo retrospetivo de doentes referenciados à   Resultados: Foram incluídos 93 episódios de anafilaxia, com
            consulta de Imunoalergologia entre janeiro de 2011 e fevereiro de   mediana de idade de 29 anos, predominando o sexo feminino
            2026 por suspeita de reação de hipersensibilidade perioperatória.   (57%). Os alimentos constituíram a principal etiologia (39,8%),
            Recolheram-se dados demográficos, gravidade da reação, agentes   sobretudo em idade pediátrica, enquanto os fármacos predomi-
            suspeitos, resultados da investigação alergológica e re-exposição.   naram nos adultos. Os sintomas mucocutâneos foram os mais
            O diagnóstico foi considerado confirmado (história clínica suges-  frequentes (95%), seguindo-se os respiratórios (69%), gastroin-
            tiva associada a testes cutâneos positivos com IgE específica e/ou   testinais (46%) e cardiovasculares (41%). Cerca de 30% dos doen-
            teste de ativação de basófilos positivos, ou prova de provocação   tes desenvolveu choque anafilático. A triptase sérica foi dosea-
            positiva) provável (história sugestiva com testes cutâneos ou tes-  da em 47% dos episódios. Apenas 46% dos doentes receberam
            te de ativação de basófilos positivos) ou excluído (provas de pro-  adrenalina no SU, verificando-se atrasos na sua administração,
            vocação negativas a todos os agentes suspeitos e/ou re-exposição   com mediana de 23,5 minutos após a admissão. À alta, 61% dos
            sem intercorrências). Efetuaram-se análises uni e multivariáveis   doentes foram referenciados para consulta especializada, 49%
            para identificação de preditores de gravidade.    receberam prescrição de autoinjetor de adrenalina e 76% tive-
            Resultados: Incluíram-se 94 doentes (68,1% sexo feminino) com   ram registo de educação para a doença. Registaram-se uma
            idade média de 50,9 anos. Reações graves ocorreram em 29,8%   reação bifásica e dois óbitos.
            dos casos. A elevação da triptase associou-se a maior gravidade   Conclusões: Apesar da melhoria verificada em alguns indica-
            (OR=7,1). Os agentes mais frequentemente suspeitos foram fár-  dores de qualidade assistencial relativamente a estudos prévios,
            macos de indução anestésica (83,0%), opióides (74,5%), bloquea-  persistem lacunas na administração precoce de adrenalina, na
            dores neuromusculares (61,7%) e antibióticos (42,6%). A exposição   utilização da triptase sérica como ferramenta diagnóstica e na
            a bloqueadores neuromusculares foi preditor independente de   implementação sistemática de algumas medidas recomendadas
            gravidade (OR ajustado=3,62; p=0,022), enquanto a exposição a   à alta. Estes resultados reforçam a necessidade de investir na
            antibióticos se associou a menor gravidade (OR ajustado=0,32;   formação dos profissionais de saúde, uniformizar protocolos
            p=0,027). O diagnóstico foi confirmado em 13 doentes e conside-  de atuação e monitorizar continuamente a qualidade dos cui-
            rado provável em 17, sendo a cefazolina e o rocurónio os principais   dados, de forma a promover uma maior adesão às recomenda-
            implicados, respetivamente. Vinte e sete doentes (28,7%) foram   ções internacionais e otimizar a abordagem dos doentes com
            submetidos a nova anestesia/sedação sem intercorrências, incluin-  anafilaxia.
            do oito reexpostos à totalidade dos agentes inicialmente suspeitos.
            Conclusões: As reações de hipersensibilidade perioperatórias
            continuam a representar um importante desafio diagnóstico. A
            exposição a bloqueadores neuromusculares constituiu o principal
            preditor de gravidade. Embora a investigação diagnóstica tenha
            permitido um diagnóstico confirmado/provável em um terço dos
            casos, a reexposição perioperatória sem intercorrências reforçou
            a confiança na orientação anestésica futura, evidenciando a sua
            importância na segurança destes doentes.



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            REVIST A POR TUGUESA DE IMUNO ALERGOLOGIA
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