Page 42 - RPIA_34-SUPL1
P. 42
XLVII REUNIÃO ANUAL DA SPAIC / RESUMOS DAS COMUNICAÇÕES ORAIS,
POSTERS E CASOS CLÍNICOS
grupo controlo sem antecedentes de anafilaxia. Foram excluídos CO13 – ANAFILAXIA EM IDADE PEDIÁTRICA,
doentes com perturbações psiquiátricas previamente diagnostica- EXPERIÊNCIA DOS ÚLTIMOS CINCO ANOS NUMA
das. Foram analisados dados clínicos e demográficos, e avaliaram- URGÊNCIA PEDIÁTRICA DA ÁREA
-se sintomas de PTSD, ansiedade e depressão através da aplicação METROPOLITANA DO PORTO
1
das versões portuguesas validadas da Posttraumatic Stress Disor- Silva J , Martins A , Jacob S 1
1
der Checklist for DSM-5 (PCL-5) e da Hospital Anxiety and De- 1 ULS S. João, Porto, Portugal
pression Scale (HADS). Os episódios de anafilaxia foram classifi-
cados quanto à sua gravidade segundo a escala de Brown e Mertes. Objetivos: Caracterizar a apresentação clínica, a abordagem te-
Resultados: Incluíram-se 53 participantes (29 com anafilaxia e 24 rapêutica e a orientação à alta dos episódios de anafilaxia pediá-
no grupo controlo; 69,8% mulheres; idade média 43,8±15,5 anos). trica observados no Serviço de Urgência (SU) Pediátrica de um
A etiologia mais frequente da anafilaxia foi alimentar (55,2%) e hospital universitário terciário na Área Metropolitana do Porto.
31,0% dos doentes apresentaram anafilaxia grau III. Não se obser- Metodologia: Estudo retrospetivo observacional dos episódios
varam diferenças significativas nas pontuações contínuas da PCL- observados entre janeiro/2021 e dezembro/2025. Recolheram-se
5, HADS-A ou HADS-D entre os grupos. Contudo, verificou-se dados demográficos, desencadeantes, manifestações clínicas, tra-
uma diferença significativa na prevalência de PTSD provável, iden- tamento, doseamento de triptase, tempo desde o início dos sin-
tificada exclusivamente no grupo com anafilaxia (24,1% vs. 0%; tomas até à alta e orientação à alta. Considerou-se administração
p=0,012). A prevalência de ansiedade moderada/grave foi seme- de adrenalina qualquer administração pré-hospitalar e/ou no SU.
lhante entre grupos (17,2% vs. 16,7%), enquanto os casos de de- Realizou-se análise descritiva.
pressão moderada/grave foram observados exclusivamente no Resultados: Foram incluídos 117 episódios, com mediana de ida-
grupo com anafilaxia (13,8% vs. 0%). Não se identificaram associa- de de 9 anos (IIQ 4-15). O principal desencadeante foi alimentar
ções significativas entre PTSD e a etiologia ou gravidade da anafi- (70,9%), seguido de ausência de desencadeante identificado (16,2%)
laxia. e fármacos (9,4%). As manifestações mucocutâneas ocorreram em
Conclusão: Os resultados sugerem que a anafilaxia pode consti- 98,3%, respiratórias em 69,2%, gastrointestinais em 60,7% e car-
tuir um evento médico potencialmente traumático com repercus- diovasculares em 7,7%. A adrenalina foi administrada em 96 epi-
sões psicológicas relevantes. Estes resultados reforçam a necessi- sódios (82,1%): em 24 (20,5%) antes da chegada e em 74 (63,2%)
dade de integrar a avaliação da saúde mental no seguimento destes no SU, com sobreposição em dois episódios. A triptase foi dosea-
doentes e de desenvolver estratégias de identificação precoce e da em 25 casos (21,4%). Nos 91 episódios com dados completos,
intervenção multidisciplinar. a mediana do tempo desde o início dos sintomas até à alta foi de
12
REVIST A POR TUGUESA DE IMUNO ALERGOLOGIA

