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XLI REUNIÃO ANUAL DA SPAIC / RESUMOS DAS COMUNICAÇÕES ORAIS E DOS POSTERS
PO 35 – Alergia alimentar em irmãos PO 36 – Prescrição de fármacos em doentes com
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M Araújo , G Martins dos Santos , I Sangalho , S Ferrito , E Finelli , alergia/intolerância alimentar: Um risco negligenciado?
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S Prates , P Leiria Pinto 1,3 A Casimiro , A. Figueiredo , M Couto , I M Costa 1,2
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I
1 Serviço de Imunoalergologia, Hospital Dona Estefânia, Centro 1 nstituto Universitário Egas Moniz (IUEM), Campus Universitário
Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Lisboa, PORTUGAL – Quinta da Granja, Monte de Caparica, PORTUGAL
2 Serviço de Pediatria, Hospital Garcia de Orta, Almada, PORTUGAL 2 Centro de Investigação Interdisciplinar Egas Moniz (CiiEM),
3 CEDOC, Integrated Pathophysiological Mechanisms Research Campus Universitário – Quinta da Granja, Monte de Caparica,
Group, Nova Medical School, Lisboa, PORTUGAL PORTUGAL
3 Centro de Alergia, Hospital CUF Descobertas, Lisboa,
Objectivo: Alguns estudos sugerem que os irmãos de crianças PORTUGAL
com alergia alimentar têm maior risco de desenvolver alergia ali-
mentar. Este risco gera ansiedade nos pais e a falta de evidência na Introdução: As alergias e intolerâncias alimentares constituem
literatura torna difícil para os clínicos confirmar ou excluir essa um problema de saúde pública e a sua prevalência tem vindo a
possibilidade. O objetivo deste trabalho foi determinar a frequên- aumentar. A alergia à proteína do leite de vaca é uma causa
cia de alergia alimentar confirmada entre irmãos de doentes com muito comum de alergia alimentar, especialmente em crianças.
diagnóstico de alergia alimentar. A ingestão de glúten está relacionada com um espetro de dis-
Metodologia: Análise retrospetiva da população pediátrica com túrbios clínicos, coletivamente designados por “distúrbios re-
alergia alimentar mediada por IgE no serviço de Imunoalergologia lacionados com o glúten”. Em ambos os casos, é fundamental
do Hospital Dona Estefânia entre 2010 e 2015. Através de entre- uma dieta de evicção e estão contra -indicados medicamentos
vista telefónica com os pais avaliou -se a presença de alergia ali- cuja composição inclua estes alergénios, mesmo em quantidades
mentar nos irmãos, alimentos implicados, outras doenças atópicas vestigiais.
e nível de ansiedade dos pais. Objetivo: avaliar a presença de derivados do leite ou glúten em
Resultados e conclusões: Dos 525 doentes selecionados, foi medicamentos com paracetamol e ibuprofeno.
possível contactar 279, dos quais 75% (n=209) tinham irmãos. Nes- Metodologia: Foi avaliada a indicação da presença de glúten
ta população, em 45% dos casos a criança índex era o irmão mais ou derivados lácteos em 245 medicamentos (110 com parace-
velho. As alergias mais prevalentes na criança índex foram o ovo tamol e 135 com ibuprofeno), com base no Resumo das Carac-
(49%; n=102) e o leite (43%; n=90), seguidos pelos frutos secos terísticas do Medicamento (RCM). Critérios de inclusão: me-
(19%; n=40), peixe (18%; n=37), frutos frescos e crustáceos (15%; dicamentos com Autorização de Introdução no Mercado
n=32 e n=31, respetivamente). Apenas 15% (n=32) dos irmãos tinha aprovada em Portugal, com RCM disponível no INFOMED, com
alergia alimentar confirmada. Nestes, os alimentos mais envolvidos paracetamol ou ibuprofeno como princípio ativo, sob qualquer
foram também o ovo e o leite, tal como na criança índex. Entre dosagem, genéricos ou de marca, de receita médica obrigatória
os irmãos com alergia alimentar, 66% (n=21) tinha a mesma alergia ou de venda livre, para administração oral (preparações sólidas
que a criança índex, sendo a alergia ao leite a mais comum (n=9). e líquidas) ou retal, incluindo preparações pediátricas e para
Tentativas de prevenção de alergia alimentar com medidas como adultos.
evicção ou introdução tardia foram realizadas apenas em 13% Resultados e conclusões: Dos medicamentos com paracetamol,
(n=27). Destes, cerca de 2/3 alega como causa o facto de ter um 31,8% revelam no RCM presença de glúten e 33,3% dos medica-
irmão com alergia alimentar. Trinta e oito porcento dos pais re- mentos com ibuprofeno incluem derivados lácteos como excipien-
portaram ansiedade ao introduzir alimentos a um irmão mais novo te. Em ambos os casos, a maior prevalência dos alergénios indica-
(n=57/151). dos ocorre nas formulações em comprimidos, não constando na
De acordo com os nossos resultados, inferimos que a frequência listagem de excipientes dos supositórios nem das cápsulas. No
de alergia alimentar em irmãos de crianças com alergia alimentar entanto, a origem dos excipientes nem sempre é explícita no RCM,
parece ser baixa, no entanto mais elevada do que a da população podendo suscitar dúvidas nos prescritores e consumidores e de-
pediátrica em geral. Ainda assim, e apesar de na maioria dos casos sencadear riscos no seu consumo.
o alimento implicado ser o mesmo a que o irmão é alérgico, os Este estudo demonstra que grande parte dos medicamentos po-
clínicos devem elucidar os pais que medidas como evicção ou in- dem conter excipientes capazes de desencadear reações em doen-
trodução tardia não estão recomendadas e podem, inclusive, levar tes com alergias e intolerâncias alimentares e destaca a necessi-
ao desenvolvimento de alergia alimentar, sendo contraproducen- dade de os médicos consultarem no RCM a composição detalhada
tes. Serão necessários mais estudos para corroborar estes resul- dos medicamentos aquando da sua prescrição.
tados e conclusões.
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REVIST A POR TUGUESA DE IMUNO ALERGOLOGIA

