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          Qual o verdadeiro impacto da febre Q na perfor‑  DIAGRAMA DE DIAGNÓSTICO DA FEBRE Q: PROBLEMAS
          mance reprodutiva das explorações de bovinos?                 REPRODUTIVOS
          É uma boa pergunta! Hoje em dia, o nosso conhe-
          cimento acerca do impacto da febre Q é certamente   As caixas vermelhas representam resultados de PCR (leite do
          melhor do que há 10 anos atrás. Recentemente,   tanque). A caixas azuis representam resultados de serologia.
          uma equipa de investigadores na Alemanha identi-  Os ícones representam o estatuto da exploração.
          ficou C. burnetii que estava presente em macrófagos
          do endométrio de vacas com problemas reproduti-
          vos (principalmente repeat breeding). Esta desco-  PCR do LEITE DO TANQUE
          berta é importante, pois foi das primeiras vezes que                 +
          se estabeleceu uma relação direta entre má fertilida-  Serologia de 6 vacas com
          de e a presença de lesões no endométrio causadas
          por febre Q.                                         problemas reprodutivos
            Num estudo de campo realizado em França que
          incluiu 120 explorações leiteiras, foi observado que
          o risco de desenvolver retenção placentária é 1,5
          vezes superior entre vacas seropositivas em relação a
          vacas seronegativas. Outra conclusão foi que as no-
          vilhas que tinham sido vacinadas antes de serem   PCR +                              PCR -
          postas à cobrição mostraram ter melhor fertilidade
          que aquelas que não tinham sido vacinadas; estes
          dados suportam a hipótese de que a C. burnetii afeta   OU                               E
          de facto a fertilidade.
            E ainda, na Itália, foi demostrado que as explora-
          ções positivas a febre Q, com base na análise do leite   ≥50% sero +             ≥50% sero -
          do tanque, tinham maior incidência de metrites e
          endometrites clínicas. De facto, estas explorações
          positivas tinham uma probabilidade cerca de 2,5
          vezes maior de ter uma incidência elevada destes
          problemas reprodutivos.

          A febre Q é também uma zoonose. Qual o risco
          para produtores e veterinários?
          Na verdade, a febre Q não afeta apenas ruminantes
          mas também outras espécies, como cavalos, gatos,
          cães, pássaros e humanos. O humanos infetam -se tal
          como os ruminantes, por inalação de partículas de ar
          contaminadas com C. burnetii. Em muitas regiões,
          os bovinos e os pequenos ruminantes são a principal   A febre Q está presente na exploração
          fonte de infeção para os seres humanos. Devido à      e é provável que seja a causa dos abortos
          transmissão por via aerógena, qualquer pessoa que
          esteja na proximidade de uma exploração infetada      Provavelmente a febre Q não é a causa
          pode contactar com a bactéria e desenvolver a doen-   dos abortos
          ça. Foi assim que o surto de 2007 na Holanda come-
          çou, no qual foram infetadas cerca de 3500 pessoas.  Figura 1: Problemas reprodutivos.
            Devido às suas ocupações profissionais, os veteri-
          nários e produtores são os grupos da população que
          se encontram em maior risco de contrair a doença.   mangas descartáveis) é indispensável, e é também
          Em muitos casos a infeção passa despercebida, mas   por isto que as mulheres grávidas devem evitar a
          em 40% dos casos pode desenvolver -se uma síndro-  manipulação de fêmeas ruminantes.
          me gripal, passados alguns dias desde o contacto com
          a bactéria. Os sinais mais comummente relatados   Quais os sinais que sugerem que a doença pode
          são: febre, dores de cabeça e dores musculares. Em   estar presente na minha exploração?
          alguns casos a febre Q pode tornar -se crónica e levar   Como já foi dito, a presença da doença pode ser di-
          a complicações graves, como endocardite ou aborto,   fícil de detetar, especialmente em explorações de
          em mulheres grávidas. É por esta razão que a utiliza-  bovinos leiteiros. No entanto, um declínio recente e
          ção de equipamento de proteção (luvas, máscara e   inesperado da performance reprodutiva da explora-

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