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Atualidade profissional
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Entrevista a Damien Achard
“Febre Q: Uma ameaça
séria para as explorações leiteiras”
Com mais de uma em cada duas explorações em risco de ser infetadas e tendo um grande impacto na performance reprodutiva
e rentabilidade da exploração, a febre Q é uma doença que não pode ser ignorada por produtores ou por veterinários.
O Dr. Damien Achard (International Technical ma- tanque. No que diz respeito aos pequenos ruminan-
nager na Ceva Santé Animale) ajudou -nos a tirar o tes, a exposição à febre Q também é elevada e
“Quê?” da febre Q e apresentou -nos novas perspeti- considera -se que uma em cada três explorações estão
vas no controlo desta doença. em risco.
O que é a Febre Q? Porque é que esta bactéria é tão problemática
A Febre Q é uma doença infecciosa causada pela nos ruminantes?
bactéria Coxiella burnetii. A febre Q afeta ruminan- Mesmo com um grande número de explorações ex-
tes e ainda outras espécies animais como cavalos, postas à febre Q, a doença continua a ser pouco co-
gatos, cães, aves, peixes, répteis… Esta bactéria está nhecida, principalmente por ter sinais clínicos muito
presente no ambiente da exploração (no pó, no es- discretos. Isto verifica -se principalmente nos bovinos
trume) e quando assume uma forma semelhante a leiteiros, já que a maioria das vacas infetadas não
DAMIEN ACHARD um esporo é considerada muito resistente. Veja -se, manifesta sinais clínicos muito óbvios.
International Technical por exemplo, que já se identificou C. burnetii após Dito isto, sabemos que a febre Q é responsável por
Manager na Ceva Santé ter sobrevivido no solo durante 5 meses. abortos e muitos outros problemas reprodutivos dos
Animale
A infeção ocorre principalmente após a inalação bovinos. Existem ainda algumas suspeitas de que esta
de partículas de ar contaminadas com a bactéria. Na doença possa ter um papel no desenvolvimento de
“A febre Q é sem dúvida verdade, basta um pequeno número de bactérias para problemas respiratórios e de mastites subclínicas.
uma das principais provocar a infeção no hospedeiro. Estão ainda des- Um inquérito realizado recentemente em França
causas infeciosas de critas outras formas de infeção, como a transmissão mostrou que a febre Q foi a segunda causa mais fre-
abortos, e pode por carraças, mas são menos frequentes e represen- quente de abortos repetidos, ficando atrás da Neos-
provocar surtos nos tam um risco de transmissão mais baixo. porose e superando o BVD. Outras observações, não
quais 90% das fêmeas Uma vez infetado, o hospedeiro começa a excretar só dos profissionais do setor, mas também de alguns
prenhes sofrem aborto!” a bactéria para o ambiente. O parto é um momento estudos científicos, mostram que a febre Q contribui
no qual é excretado um grande número de bactérias, para a ocorrência de retenções placentárias, metrites
presentes principalmente nos produtos que são então e para a infertilidade. Todos estes efeitos relacionados
libertados (membranas fetais, placenta, líquido am- com a infeção por febre Q têm um grande impacto
“A melhor forma de niótico), ou nos produtos de abortos. O nível de ex- negativo na saúde e produtividade das explorações
proteger uma creção pode ser de tal forma alto que chegam a estar leiteiras.
exploração é através da presentes milhares de milhões de bactérias por gra- Nos pequenos ruminantes, a apresentação clínica
utilização de uma ma. O problema é que é impossível saber quais são é um pouco diferente. A febre Q é sem dúvida uma
vacina contra a febre Q. os animais excretores sem recorrer a meios de diag- das principais causas infeciosas de abortos, e pode
As principais vantagens nóstico. provocar surtos nos quais 90% das fêmeas prenhes
da utilização de uma Onde é que a febre Q está presente? sofrem aborto! Quando isto acontece, os produtores
vêm -se numa situação muito difícil.
vacina anti ‑fase I são: Considera -se que a febre Q está presente na maioria Existe também a suspeita de que a infeção por C.
uma redução dos países do mundo. Em 2011, investigadores da burnetii afeta a produção de leite das raças leiteiras
significativa na Escola de Medicina Veterinária em Nantes publica- de pequenos ruminantes. Na Austrália, alguns inves-
excreção de C. burnetii ram dados epidemiológicos acerca da febre Q; após tigadores chegaram à conclusão de que cabras infe-
para o ambiente, a terem feito a revisão de cerca de 70 publicações tadas produziam 20% menos leite em relação a ca-
diminuição da taxa de científicas, concluíram que a infeção por C. burnetii bras que não tinham tido contacto com a doença.
Por último, é importante não esquecer que a febre
está presente nos 5 continentes.
abortos e a melhoria da Na Europa, sabemos que cerca de metade das Q pode ser transmitida de animais para humanos
fertilidade em bovinos explorações leiteiras estão expostas à febre Q; esta (zoonose). A doença é geralmente assintomática, mas
leiteiros.” informação baseia -se em estudos recentes, nos quais em alguns casos a infeção pode tornar -se grave e levar
foi possível fazer a deteção da bactéria no leite do mesmo à morte.
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