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Atualidade profissional
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ção (que se manifesta através de um elevado número Em casos de surtos de abortos em bovinos, a abor-
de retenções placentárias, metrites difíceis de tratar dagem correta é recorrer à identificação direta da
e sub -fertilidade) é certamente um motivo válido bactéria, através de PCR de amostras de muco vagi-
para iniciar uma investigação com métodos de diag- nal de vacas que tenham sofrido aborto (figura 2).
nóstico que identifiquem a febre Q. Noutros casos, a É importante que as amostras sejam colhidas dentro
febre Q manifestar -se -á na forma de surtos de abor- de 8 dias após o aborto e que sejam enviadas o mais
tos; pode ser bastante óbvio em explorações de pe- rapidamente possível para um laboratório de diag-
quenos ruminantes, uma vez que é frequente que um nóstico veterinário. Se apenas uma amostra for posi-
grande número de ovelhas ou cabras sofram aborto tiva na análise de PCR, será útil colher sangue de
num curto espaço de tempo. Nos bovinos, podemos vacas que tenham sofrido aborto recentemente ou
suspeitar da febre Q como um possível agente cau- que tenham problemas reprodutivos, para um diag-
sador de abortos quando se observa uma taxa de nóstico mais preciso. Caso duas amostras sejam po-
abortos superior ao que é habitual. Assim, é impor- sitivas na análise de PCR, existe uma grande proba-
tante identificar todos os casos de aborto; por exem- bilidade de que a febre Q seja responsável pelos
plo: um vitelo encontrado morto poucas horas depois abortos observados. No caso de abortos em peque-
do parto (sem que tenha ocorrido qualquer forma de nos ruminantes, pode ser economicamente interes-
distocia) pode ser considerado um aborto. sante fazer uma análise de PCR a um pool de amos-
Em qualquer dos casos, aconselho a contactar o tras de muco vaginal, amostras estas colhidas de
veterinário assistente quando ocorram abortos inex- 3 fêmeas que tenham sofrido aborto. Se a análise ao
plicáveis numa exploração de ruminantes. pool tiver um resultado positivo, é provável que a
febre Q seja a causa dos abortos. Estes resultados
Como podemos confirmar que a exploração está devem incentivar ao diálogo com o veterinário assis-
infetada por febre Q? tente, com vista a criar um plano de controlo da febre
Quando se suspeita que a febre Q é a causa do declí- Q na exploração.
nio reprodutivo da exploração, o diagnóstico deve
combinar ferramentas de serologia – como a realiza- Como posso proteger a minha exploração contra
ção de ELISA em soro de vacas afetadas por proble- a febre Q? Existe alguma vacina?
mas reprodutivos – com ferramentas de identificação Sendo a C. burnetii uma bactéria, seria expectável
direta da bactéria, como PCR no leite do tanque (fi‑ que a utilização de antibióticos fosse central para o
gura 1). Se mais de metade das vacas problemáticas tratamento e controlo da febre Q. Porém, antibióti-
forem seropositivas, ou se for detetada C.burnetii na cos como a oxitetraciclina não são capazes de preve-
análise de PCR do leite do tanque, é provável que nir a doença e, muitas vezes, não são eficazes na di-
bactéria esteja presente na exploração e esteja a cau- minuição da intensidade de excreção nem na
sar parte dos problemas observados. diminuição do número de animais que excreta a
DIAGRAMA DE DIAGNÓSTICO DA FEBRE Q: ABORTOS
Defina, em conjunto com o seu
veterinário, um plano de controlo
contra a febre Q na sua exploração
2 POS que inclua medidas de higiene na
época de partos e vacinação. Defina, em conjunto
com o seu veterinário,
um plano de controlo
contra a febre Q na sua
> 50 %
PCR de sero + exploração que inclua
2 vacas 6 testes serológicos medidas de higiene na
época de partos e
que 1 POS em sangue de vacas vacinação.
tenham e com problemas repro-
abortado 1 NEG dutivos
recentemente
< 50 %
sero +
Determine, com a ajuda do
seu veterinário assistente,
2 NEG possíveis causas para os
abortos observados
A febre Q está presente na exploração A febre Q pode ter influência nos abortos observados, Provavelmente a febre Q não é a causa
dos abortos
e é provável que seja a causa dos abortos mas serão necessários mais testes de diagnóstico
Figura 2: Abortos.
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