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178 rev port estomatol med dent cir maxilofac. 2021;62(3):176-180
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Foi aplicado laser de baixa intensidade (Laser Duo Portátil , Discussão e conclusões
MMO Ltda., São Carlos, São Paulo, Brasil) no modo infraverme-
lho contínuo com comprimento de onda de 808 nm, densidade As complicações orais geradas pela RT retratam um importan-
de potência de 100 mW, área do spot de 3 mm², sendo 1 J (10 s) te desafio clínico para os médicos dentistas, visto que podem
por ponto de aplicação. As aplicações foram distribuídas em atrasar a terapia para o cancro ou até mesmo comprometerem
áreas extraorais e intraorais. Na área extraoral foi realizada a adesão dos pacientes ao tratamento, gerando piora em sua
aplicação em 6 pontos bilaterais distribuídos na região da glân- qualidade de vida. Essas complicações podem perdurar
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dula parótida e outros 5 pontos bilaterais em região de glându- após o fim da RT, uma vez que podem apresentar caráter re-
la submandibular. Na cavidade oral foram distribuídos 3 pontos versível progressivo, ou até mesmo irreversível. Dentre essas
bilaterais no assoalho bucal, 6 pontos bilaterais em mucosa complicações, pode -se citar a xerostomia e hipossalivação. 2 -6
jugal e 3 pontos nas áreas internas dos lábios superior e infe- Os mecanismos que levam à essa destruição tecidular ainda
rior. Sendo assim, a densidade de energia por área de aplicação não foram totalmente elucidados. Embora sejam células está-
foi de 0,33 J/mm². Esses pontos podem ser vistos na Figura 1. veis, as células acinares respondem rapidamente à radiação,
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Foi utilizada uma Escala Visual Analógica (EVA), disponível mesmo não possuindo altas taxas proliferativas. Essas altera-
na Figura 2, contendo as dimensões numéricas, qualitativa e de ções são iniciadas por danos à membrana celular e progridem
faces, para mensuração da regressão dos sintomas (secura in- para edema, degeneração e apoptose acinar, além de alterações
traoral, dificuldade para falar e deglutir). Antes de iniciar o tra- mesenquimais em matriz extracelular. Cerca de 63 a 93% dos
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tamento, o paciente classificou seus sintomas na escala como pacientes apresentam alterações quando a área de radiação
6. A escala foi aplicada sempre na sessão seguinte para se ob- atinge as glândulas salivares nos pacientes acometidos por tu-
servar a melhora em relação à semana anterior. Foi notada uma mores de cabeça e pescoço. 11,12 A diminuição na secreção de
melhora significativa, se estabilizando na escala 2 a partir da 5.ª saliva pode ser notada após 1 ou 2 semanas do início da RT de
sessão até a 10.ª sessão. Foi feito acompanhamento mensal para dose padrão, havendo uma deterioração contínua da função
avaliação clínica do paciente por 6 meses contados a partir da glandular durante a terapia. Uma dose superior a 26 Gy para
última sessão de LBI. Após esse período, o paciente relatou re- glândulas parótidas e 39 Gy para as glândulas submandibulares
gressão dos sintomas de xerostomia, recebeu alta provisória e é capaz de causar irreversibilidade funcional. 13
foram planeados retornos periódicos trimestrais para novas Por ser uma ferramenta simples e de baixo custo, o trata-
avaliações. Após o tratamento de 10 sessões de LBI, o paciente mento com LBI vem sendo usado para manejo dessa condi-
relatou também uma recuperação parcial do paladar. ção. 3,14-18 Acredita -se que a LBI melhore o metabolismo celular,
aumentando a microcirculação sanguínea glandular e gerando
vasodilatação, o que resulta em elevação da proliferação e res-
piração celular, além do estímulo à libertação de fatores de
crescimento. 19
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Apesar de já confirmada em modelos animais, os proto-
colos e especificações técnicas para uso clínico ainda não fo-
ram totalmente elucidados. Numa revisão sistemática é de-
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monstrado que, embora não haja evidência suficiente para o
uso da LBI, as referências atuais são encorajadoras, sendo
necessário mais estudos a respeito. Além disso, mostraram
que a maioria dos estudos são realizados concomitantemente
ou imediatamente após à radioterapia, ou seja, quando as al-
terações irreversíveis ainda não foram completamente produ-
zidas. Sustenta, dessa forma, a necessidade do presente relato
de caso clínico.
O tratamento relatado aconteceu em 10 sessões, enquan-
to, em outros estudos, a quantidade variou entre 5 sessões 16,21
– sessão na qual o paciente do nosso relato indicou a escala
2 numérica da EVA – e mais de 20 sessões. 3,14 É comum o
Figura 1. Pontos de aplicação do laser em região de (A -B) número de sessões variarem, uma vez que diversos fatores
glândula parótida, (C) glândula submandibular, (D)
assoalho bucal, (E -F) mucosa jugal, (G) lábio superior e determinam o grau de influência da radioterapia nas altera-
(H) lábio inferior. ções salivares, como a dose de radiação, quantidade de tecido
glandular exposto, respostas imunológicas individuais dos
pacientes e tempo decorrido pós -radioterapia. 22,23 A localiza-
ção anatómica da aplicação e o comprimento de onda do
laser utilizado foram de encontro a outros achados na litera-
tura. A aplicação da LBI diretamente nas glândulas salivares
maiores e menores foi anteriormente preconizada. Enquan-
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to que o comprimento de onda não apresentou um padrão,
com valores que variaram entre o mínimo de 632 nm e má-
Figura 2. Escala Visual Analógica (EVA). ximo de 830 nm. 17,21

