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rev port estomatol med dent cir maxilofac . 2020;61(3):128-134 129
Buccal manifestations of lymphoblastic leukemia: a clinical study in a
hematological reference center in the Amazon
a b s t r a c t
Keywords: Objectives: To clinically evaluate the buccal mucosa of infant-juvenile patients diagnosed
Childhood with lymphoblastic leukemia.
Precursor B-cell lymphoblastic Methods: Within 12 months, 36 patients aged between 1 and 14 years old who were diag-
leukemia-lymphoma nosed with B- or T-cell precursor lymphoblastic leukemia and treated under GBTLI-LLA 2009
Precursor T-cell lymphoblastic or ALL IC-BFM 2009 protocols were consecutively enrolled. The buccal mucosa was clinical-
leukemia-lymphoma ly evaluated at the beginning of the prophase/induction phase of chemotherapy and after
Oral manifestations 15 days of treatment.
Mouth mucosa Results: The 25 patients whose buccal mucosa was evaluated had a median age of 6.9 years
Induction chemotherapy old, and 64% (n=16) were male. The majority had B-cell precursor lymphoblastic leukemia
(96%; n=24). Eleven of them (44% n=11) showed buccal manifestations, mostly at the begin-
ning of the prophase/induction phase. The manifestations and their respective frequency
were petechiae (31.6%; n=6), dry lips (26.3%, n=5), and buccal mucositis (15.8%, n=3).
Non-keratinized mucosa was the preferred site (84.2%, n=16).
Conclusions: Buccal manifestations have a low frequency in infant-juvenile patients with
lymphoblastic leukemia, as most patients in this study showed healthy mucosa. This find-
ing could be due to our small sample or the low toxicity of the protocols and the dental team
present at the Institution. (Rev Port Estomatol Med Dent Cir Maxilofac. 2020;61(3):128-134)
© 2020 Sociedade Portuguesa de Estomatologia e Medicina Dentária.
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a própria alteração da condição hematológica pode expor o
Introdução
paciente a tal desfecho. Quanto ao tratamento, a vulnerabili-
As leucemias linfoblásticas são caracterizadas por disfunção dade do paciente dá -se em decorrência do potencial mucotó-
das células progenitoras hematopoéticas da medula óssea xico próprio dos quimioterápicos, que têm como células -alvo
que culminam na proliferação clonal desordenada das célu- as produzidas na medula óssea, com taxa mitótica semelhan-
1
las precursoras de origem linfoide. No caso da leucemia lin- te às células da mucosa bucal. 9-11
foblástica (LL), a transformação maligna ocorre nos progeni- Tais manifestações, quando presentes, são capazes de su-
tores das células do tipo B e/ou T, causando acúmulo de gerir os sinais e sintomas iniciais da doença e podem primei-
células blásticas preferencialmente na medula óssea. 2 ramente ser reconhecidas pelo cirurgião -dentista, em especial
Segundo dados da IARC (Agência Internacional de Pesqui- o odontopediatra, o qual deverá referenciar esse paciente ao
sa em Câncer), estima -se que as leucemias contabilizem, em adequado serviço de diagnóstico e tratamento. 9,10,12 Dentre as
média, 30% de todos os diagnósticos de neoplasias malinas manifestações bucais mais frequentes das LLs estão a muco-
entre 0 e 19 anos, configurando assim o câncer mais comum site bucal, candidíase bucal, periodontite e gengivite. Os locais
da infância e adolescência. 3 de surgimento mais frequentes são as áreas de mucosa bucal
Especificamente na região Norte do Brasil, de acordo com não -queratinizada. 10
a Fundação de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (HE- Dessa maneira, o objetivo desta pesquisa é trazer informa-
MOAM), entre 2005 e 2015 foram registrados 511 casos de LL ções acerca das manifestações bucais de pacientes infantoju-
em pacientes de 0 a 20 anos, predominantemente do sexo venis em dois momentos do tratamento quimioterápico, prove-
masculino. Dentre seus subtipos, a LL -B é a prevalente, com nientes do único serviço público de referência no tratamento
85% comparados com os casos de linhagem T. 4 de leucemias no Amazonas.
As LLs causam insuficiência hematopoética progressiva e
fatal quando não contidas. Entretanto, são frequentemente
quimiossensíveis, com taxas de sobrevida próximas aos 90% Material e métodos
5,6
se implementado o regime terapêutico ideal. No Brasil, dois
dos principais protocolos terapêuticos adotados são o do Gru- Esta pesquisa foi aprovada pelo Comité de Ética em Pesquisa
po Brasileiro de Tratamento da Leucemia da Infância (GBTLI) da Fundação HEMOAM. Foi utilizado o checklist STROBE –
e do Grupo Europeu Berlim -Frankfurt -Munster (BFM). 7,8 Strengthening the Reporting of Observational Studies in Epi-
Os pacientes diagnosticados com LL podem apresentar demiology para organização da pesquisa. 13
uma gama de manifestações bucais inerentes à própria doen- Trata -se de pesquisa observacional em pacientes infanto-
ça de base e/ou ao seu tratamento. Referente à doença em si, juvenis. Foram incluídos pacientes entre 1 e 18 anos, de ambos

