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mos orofaciais e maloclusão; 2) relacionar as alterações orais de Angle, e da experiência de traumatismos orofaciais, dos
com o consumo de bebidas desportivas e energéticas e a uti- quais traumatismos dentários – fratura dentária (até 1/3 da
lização de protetor bucal; 3) avaliar a perceção dos treinadores porção coronal, até 2/3 da porção coronal, mais de 2/3 da
quanto às causas de traumatismos orofaciais nos atletas. porção coronal), luxação, intrusão, extrusão e avulsão – fratu-
ra dos maxilares e lacerações nos tecidos moles – mucosa la-
bial, mucosa jugal e língua. Para a observação oral, foram uti-
Materiais e métodos lizados um espelho bucal e uma sonda exploradora, cedidos
pela FMDUL.
Para alcançar os objetivos propostos foi realizado um estudo Para garantir o anonimato, a cada questionário e folha de
observacional, analítico e transversal, autorizado pela Comissão observação oral foi atribuído um número do estudo. A esta
de Ética da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de numeração fez -se corresponder o respetivo clube, num docu-
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Lisboa (FMDUL). mento no Microsoft Excel , posteriormente destruído pelos
Para seleção da amostra foi dirigido um pedido de autor- investigadores.
ização a seis clubes, via correio eletrónico, dos vinte exis- A análise estatística dos dados foi efetuada com recurso
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tentes no distrito de Lisboa. Destes, cinco responderam afir- ao software IBM SPSS Statistics versão 25. Para a análise infer-
mativamente – Associação Patinagem Atlético Clube de Tojal, encial, após verificada a não normalidade das variáveis com o
Futebol Clube de Alverca, Parede Futebol Clube, Sport Lisboa teste de Kolmogorov -Smirnov, optou -se pela utilização de tes-
e Benfica e Sporting Clube de Portugal – constituindo -se tes não -paramétricos. Os testes de Mann Whitney e Kruskal
como uma amostra de conveniência. Os critérios de inclusão Wallis foram utilizados para analisar diferenças no índice CPO-
foram: ser atleta federado de hóquei em patins, ser do es- -D com as variáveis de consumo de BD/BE; e na experiência de
calão sub20 -júnior (17–19 anos de idade) ou sénior (a partir traumatismos orofaciais e maloclusão com as variáveis de
dos 20 anos) ou ser treinador dos clubes que autorizaram a frequência de prática desportiva e utilização de PB. A Cor-
realização do estudo, e assinar o consentimento ou assenti- relação de Spearman foi utilizada para analisar a presença de
mento informado. erosão com as variáveis de consumo de BD/BE, com nível de
Dos 98 atletas dos 5 clubes, 7 recusaram ou não estavam significância de 5%.
presentes no dia da recolha de dados, tendo sido incluídos 91
atletas; todos os 14 treinadores foram incluídos. A amostra foi
de 105 indivíduos. Resultados
Aos atletas menores de idade foi pedido o assentimento,
após autorização dos encarregados de educação. Aos treinadores Nos 91 atletas do estudo, 40,7% (n=37) eram do escalão
e restantes atletas foi pedido o consentimento informado. sub20 -júnior e 59,3% (n=54) sénior, sendo a média de idade
O período da investigação decorreu entre fevereiro e maio de 23,4 (±6,1) anos [17;38] e a dos treinadores de 40,8 (±8,7)
de 2019. A recolha de dados decorreu nos clubes, paralela- anos [27;52]. A maioria dos atletas (58,3%) tinha 4 ou mais
mente às sessões de treino de cada equipa, com uma duração treinos semanais, em que 44,0% treinava mais de 6 horas por
média de 10 minutos por indivíduo, em salas com luz artificial semana.
determinadas pelos dirigentes. Na observação oral dos atletas, o CPO -D foi de 3,2 (±3,0)
A recolha de dados, dirigida aos atletas, foi efetuada at- [0;14], tendo sido a média de dentes obturados (2,48 ±2,57) a
ravés de questionário e observação oral; e aos treinadores, mais elevada. Ambos revelaram um aumento significativo com
através de questionário. a idade (p=0,001 e p=0,002, respetivamente) (Tabela 1).
O questionário dos atletas era constituído por vinte A erosão dentária esteve presente em 13,2% (n=12) dos at-
questões, recolhendo dados sociodemográficos, consumo de letas, verificando -se o BEWE de 2,5 (±1,4), mais elevado no
BD/BE, ocorrência de traumatismos orofaciais durante a práti- quarto e sexto sextante (0,8 ±0,4).
ca desportiva e meios de prevenção. O questionário dos tre- Dos atletas observados, 74,7% (n=68) consumia BD/BE, sen-
inadores continha sete questões, com variáveis relativas à do que 60,3% (n=41) ingeria BD, 17,6% (n=12) BE e 22,1% (n=15)
ocorrência de traumatismos orofaciais, na prática desportiva ambas. Estas bebidas eram consumidas em todos os treinos
dos atletas, e meios de prevenção. Ambos os questionários por 33,8% dos atletas (n=23) e em todas as competições por
foram elaborados pelos autores, com base na sequência lógica 44,1% (n=30), atendendo que a média do tempo de consumo
de dois questionários existentes. Os questionários foram val- foi de 4,1 (±3,2) anos [0,3;15,0].
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idados por três peritos, e submetidos a um pré -teste, numa Considerando a história de cárie da amostra, o elevado
amostra de cinco indivíduos (atletas e treinadores), sem ne- tempo de consumo das referidas bebidas correspondeu a um
cessidade de alterações. aumento do CPO -D (p<0,001), número de dentes cariados
A observação oral foi efetuada por um único observador e (p=0,028) e obturados (p=0,004) (Tabela 1). Na vertente da
registador. A calibragem intra -observador foi efetuada a 7% da erosão dentária, a sua presença esteve positivamente correla-
população do estudo, com reavaliações em cada 10 obser- cionada com o consumo de BD/BE (ρ=0,227; p=0,031), o con-
vações. A medida de concordância utilizada foi o coeficiente sumo em todas as competições (ρ=0,366; p=0,002) e o tempo
Cohen Kappa, tendo -se obtido o valor de 0,989 (p<0,001). de consumo (ρ=0,514; p<0,001) (Tabela 2).
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Na observação oral, foram realizados o índice de Dentes No contexto da traumatologia orofacial, 67,0% (n=61) sof-
Cariados, Perdidos e Obturados (CPO -D); o índice Basic Ero- reu pelo menos um traumatismo durante a prática desportiva,
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sive Wear Examination (BEWE), a avaliação da classificação tendo sido mais frequente a laceração nos tecidos moles (Ta-

