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Revista Portuguesa de Estomatologia,
Medicina Dentária e Cirurgia Maxilofacial
rev port estomatol med dent cir maxilofac. 2020;61(2):64-71
Investigação Original
Estudo comparativo de comportamentos
e autoperceção em saúde oral de populações
adultas com e sem deficiência intelectual
b
b,
c
a
b
Inês Martins , Nélio Veiga , Maria Correia , Inês Coelho , Patrícia Couto *
a Universidade Católica Portuguesa, Viseu, Portugal.
b Centro de Investigação Interdisciplinar em Saúde da Universidade Católica Portuguesa, Viseu, Portugal.
c Unidade de Saúde Familiar Grão Vasco, Viseu, Portugal.
informação sobre o artigo r e s u m o
Historial do artigo: Objetivos: Comparar os comportamentos de saúde oral e a autoperceção da necessidade de
Recebido a 3 de setembro de 2019 tratamento em populações adultas com e sem deficiência intelectual.
Aceite a 8 de agosto de 2020 Métodos: Foi realizado um estudo de prevalência numa amostra de conveniência de 480 indi-
On-line a 11 de setembro de 2020 víduos com idades compreendidas entre os 18-64 anos (240 indivíduos com deficiência inte-
lectual leve filiados na HUMANITAS e 240 sem deficiência, utentes da Clínica Universitária da
Palavras-chave: Universidade Católica Portuguesa), através da aplicação de um questionário sociodemográfi-
Deficiência intelectual co e de saúde oral onde se pretende avaliar: número de dentes naturais; frequência e técnicas
Qualidade de vida de higienização; periodicidade e motivo das consultas médico-dentárias; autoperceção da
Saúde oral condição oral e necessidade de tratamentos. A análise estatística foi realizada no software
SPSS versão 22.0, com recurso aos testes estatísticos Qui-Quadrado e Mann-Whitney.
Resultados: Relativamente à condição oral da população com deficiência verificou-se que
32,9% dos indivíduos tinha menos de 20 dentes, valor este superior ao da população sem
deficiência (10%). Também a percentagem de higienização oral diária foi inferior na popula-
ção com deficiência (79,6% vs 94,2%), assim como o uso de fio dentário (7,1% vs 47,1%) ou
elixir (24,1% vs 49,2%). Verificámos ainda nos indivíduos com deficiência uma menor percen-
tagem de consultas médico-dentárias nos últimos 6 meses (28,4% vs 59,2%), especialmente
por motivo de rotina (18,8% vs 46,3%), uma maior autoperceção da necessidade de tratamen-
to (75,2% vs 56,7%), e uma autoperceção menos favorável da condição oral, já que menos de
metade (37,4% vs 56,2%) da amostra descreveu a sua condição oral como boa ou superior.
Conclusões: Apesar dos fracos resultados gerais obtidos em ambas as populações, os com-
portamentos de saúde oral da população com deficiência intelectual são inferiores aos da
população sem deficiência. Assim, a formação dos profissionais de saúde, dos cuidadores e
a implementação de programas públicos de saúde oral são essenciais para melhorar a saú-
de oral destes indivíduos. (Rev Port Estomatol Med Dent Cir Maxilofac. 2020;61(2):64-71)
© 2020 Sociedade Portuguesa de Estomatologia e Medicina Dentária.
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(http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
* Autor correspondente.
Correio eletrónico: pscoutomd@gmail.com (Patrícia Sofia Soares Couto).
http://doi.org/10.24873/j.rpemd.2020.09.702
1646-2890/© 2020 Sociedade Portuguesa de Estomatologia e Medicina Dentária. Published by SPEMD.
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