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214 rev port estomatol med dent cir maxilofac. 2019;60(4):210-215
e TCG. No exame anatomopatológico de ambos os casos clíni- nóstico e a um tratamento mais agressivo baseado no diag-
cos, os cortes histológicos revelaram células não encapsuladas nóstico errado de malignidade. 4,10
arranjadas em camadas, ninhos e cordões. As células demons- Nas primeiras descrições da lesão, acreditava -se que sua
travam ser poligonais com abundante citoplasma eosinofílico origem decorria de células musculares estriadas. Posterior-
pálido, com núcleo vesicular pequeno, bordas indistintas as- mente apareceram novas hipóteses, baseadas em estudos
sociadas a células musculares estriadas e a nervos (Figuras 5 imunohistoquímicos que indicavam ser células mesenqui-
e 6). Foram identificadas, exuberante acantose e HPE no epité- mais indiferenciadas, células derivadas da crista neural,
lio de recobrimento, não sendo encontrado necrose ou altera- histócitos e células de Schwann. Baseando -se na positivida-
ções displásicas nas células estudadas (Figuras 7 e 8). A análi- de para a S -100, como em ambos os casos estudados neste
se imunohistoquímica de ambos os casos revelou positividade trabalho, para a Enolase neuroespecífica e vimentina, a hi-
para a proteína S -100 (Figuras 9 e 10). pótese hoje mais aceita é que o TCG deriva de células de
Schwann. 2,6,9,10
Apesar de sua origem controversa e da possibilidade de
Discussão e conclusões malignidade, o prognóstico de TCG após excisão completa da
lesão com margens de segurança, é muito favorável, além do
O TCG é um tumor raro, com aspetos bastante controversos. que, a lesão tem crescimento lento, ausência de comporta-
Embora, estudos mostrem que o TCG, ocorra mais frequente- mento agressivo e baixa recorrência. 7,10 Condições estas intei-
mente entre a quarta a sexta décadas de vida, esta lesão é ramente consistentes com os resultados que encontramos nos
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pouco frequente em crianças. Ainda existe controvérsia so- casos apresentados neste trabalho.
bre a predisposição do TCG para o género feminino, no entan- No caso clínico apresentado, os achados clínicos, histopa-
to, apesar de não universalmente aceite, há especulação tológicos, tratamento e o acompanhamento clínico, quando
quanto a possibilidade da mediação de hormonas femininas correlacionados, permitiram verificar que, a manifestação do
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na patogénese da doença. Neste estudo, os pacientes eram TCG se mostrou incomum, por se tratar de uma criança e um
um homem adulto e uma criança, denotando serem raras as adulto do sexo masculino, a presença de HPE e de células gra-
manifestações dos TCGs relatadas neste estudo. nulares positivas para proteína de S -100, ajudaram e diagnos-
Muitos autores descrevem que as lesões de TCG são mais ticar corretamente as lesões estudadas e a excisão completa
comuns na língua, como apresentado nos casos relatados nes- da lesão, seguida de acompanhamento prolongado, assegurou
te trabalho. No entanto, esta lesão também pode afetar outros o sucesso do tratamento realizado.
sítios intraorais e extraorais, como a mucosa oral, palato duro,
esófago, estômago, músculo. 2,3,7
Clinicamente, a lesão de TCG é pequena, solitária, bem cir- Responsabilidades éticas
cunscrita e amarelada; raramente excedem 3 cm no tamanho,
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geralmente é assintomática, dados estes compatíveis com os Proteção de pessoas e animais. Os autores declaram que os
encontrados nos casos clínicos apresentados. O diagnóstico procedimentos seguidos estavam de acordo com os regula-
diferencial TCG é importante para distinguir de outros tumo- mentos da comissão de investigação clínica e ética relevante
res benignos do tecido conjuntivo, tais como, fibroma, lipoma, e de acordo com os do Código de Ética da Associação Médica
schwanoma, neurofibroma, neuroma e carcinoma de células Mundial (Declaração de Helsínquia).
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escamosas, tais hipóteses diagnosticas, foram levantadas em
ambos os casos clínicos deste trabalho. Confidencialidade dos dados. Os autores declaram que não
Alterações na superfície da mucosa como a HPE, podem aparecem dados de pacientes neste artigo.
surgir durante a evolução de uma lesão, sendo estas, impor-
tantes no diagnóstico, podendo em alguns casos, levar a sus- Direito à privacidade e consentimento escrito. Os autores
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peita de malignidade. O fenómeno da HPE é incomum em declaram ter recebido consentimento escrito dos pacientes
outros tumores benignos do tecido conjuntivo, mas frequente e/ou sujeitos mencionados no artigo. O autor para correspon-
no TCG. Em ambos os casos mostrados neste trabalho, o exame dência está na posse deste documento.
histopatológico, a HPE foi claramente observada.
A biópsia excisional, com margem de segurança seguida
de exame anatomopatológico, são essenciais para o correto Conflito de interesses
diagnóstico e tratamento do TCG. Recidivas são raras, mas
quando ocorrem pode ser devido à remoção inadequada. Nos Os autores declaram não haver conflito de interesses.
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dois casos apresentados neste trabalho, não houve recidiva
após a excisão completa, conforme o acompanhamento clíni-
co superior a 10 anos de cada lesão. referências
No presente estudo, ambos os casos mostram HPE no epi-
télio e corroboram com a ocorrência da HPE em 50 a 80% casos 1. Vered M, Carpenter WN, Buchner A. Granular cell tumor of
de TCG. Até o momento não foi demonstrado que a HPE tenha the oral cavity: Updated immunohistochemical profile. J Oral
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Pathol Med. 2009;38:150 -9.
influência no prognóstico do TCG, mas acredita -se que, este é 2. Eguia A, Urribari A, Gay Escoda C, Crovetto MA, Martinez-
um dado muito importante na análise histopatológica, já que -Conde R, Aguirre JM. Granular cell tumor: report of 8
em algumas circunstâncias esta pode induzir ao erro no diag- intraoral cases. Med Oral Patol Oral Cir Bucal. 2006;11:E425 -8.

