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           e TCG. No exame anatomopatológico de ambos os casos clíni-  nóstico e a um tratamento mais agressivo baseado no diag-
           cos, os cortes histológicos revelaram células não encapsuladas   nóstico errado de malignidade. 4,10
           arranjadas em camadas, ninhos e cordões. As células demons-  Nas primeiras descrições da lesão, acreditava -se que sua
           travam ser poligonais com abundante citoplasma eosinofílico   origem decorria de células musculares estriadas. Posterior-
           pálido, com núcleo vesicular pequeno, bordas indistintas as-  mente apareceram novas hipóteses, baseadas em estudos
           sociadas a células musculares estriadas e a nervos (Figuras 5   imunohistoquímicos que indicavam ser células mesenqui-
           e 6). Foram identificadas, exuberante acantose e HPE no epité-  mais indiferenciadas, células derivadas da crista neural,
           lio de recobrimento, não sendo encontrado necrose ou altera-  histócitos e células de Schwann. Baseando -se na positivida-
           ções displásicas nas células estudadas (Figuras 7 e 8). A análi-  de para a S -100, como em ambos os casos estudados neste
           se imunohistoquímica de ambos os casos revelou positividade   trabalho, para a Enolase neuroespecífica e vimentina, a hi-
           para a proteína S -100 (Figuras 9 e 10).           pótese hoje mais aceita é que o TCG deriva de células de
                                                              Schwann. 2,6,9,10
                                                                 Apesar de sua origem controversa e da possibilidade de
           Discussão e conclusões                             malignidade, o prognóstico de TCG após excisão completa da
                                                              lesão com margens de segurança, é muito favorável, além do
           O TCG é um tumor raro, com aspetos bastante controversos.   que, a lesão tem crescimento lento, ausência de comporta-
           Embora, estudos mostrem que o TCG, ocorra mais frequente-  mento agressivo e baixa recorrência. 7,10  Condições estas intei-
           mente entre a quarta a sexta décadas de vida, esta lesão é   ramente consistentes com os resultados que encontramos nos
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           pouco frequente em crianças.  Ainda existe controvérsia so-  casos apresentados neste trabalho.
           bre a predisposição do TCG para o género feminino, no entan-  No caso clínico apresentado, os achados clínicos, histopa-
           to, apesar de não universalmente aceite, há especulação   tológicos, tratamento e o acompanhamento clínico, quando
           quanto a possibilidade da mediação de hormonas femininas   correlacionados, permitiram verificar que, a manifestação do
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           na patogénese da doença.  Neste estudo, os pacientes eram   TCG se mostrou incomum, por se tratar de uma criança e um
           um homem adulto e uma criança, denotando serem raras as   adulto do sexo masculino, a presença de HPE e de células gra-
           manifestações dos TCGs relatadas neste estudo.     nulares positivas para proteína de S -100, ajudaram e diagnos-
             Muitos autores descrevem que as lesões de TCG são mais   ticar corretamente as lesões estudadas e a excisão completa
           comuns na língua, como apresentado nos casos relatados nes-  da lesão, seguida de acompanhamento prolongado, assegurou
           te trabalho. No entanto, esta lesão também pode afetar outros   o sucesso do tratamento realizado.
           sítios intraorais e extraorais, como a mucosa oral, palato duro,
           esófago, estômago, músculo. 2,3,7
             Clinicamente, a lesão de TCG é pequena, solitária, bem cir-  Responsabilidades éticas
           cunscrita e amarelada; raramente excedem 3 cm no tamanho,
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           geralmente é assintomática, dados estes compatíveis com os   Proteção de pessoas e animais. Os autores declaram que os
           encontrados nos casos clínicos apresentados. O diagnóstico   procedimentos seguidos estavam de acordo com os regula-
           diferencial TCG é importante para distinguir de outros tumo-  mentos da comissão de investigação clínica e ética relevante
           res benignos do tecido conjuntivo, tais como, fibroma, lipoma,   e de acordo com os do Código de Ética da Associação Médica
           schwanoma, neurofibroma, neuroma e carcinoma de células   Mundial (Declaração de Helsínquia).
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           escamosas,  tais hipóteses diagnosticas, foram levantadas em
           ambos os casos clínicos deste trabalho.            Confidencialidade dos dados. Os autores declaram que não
             Alterações na superfície da mucosa como a HPE, podem   aparecem dados de pacientes neste artigo.
           surgir durante a evolução de uma lesão, sendo estas, impor-
           tantes no diagnóstico, podendo em alguns casos, levar a sus-  Direito à privacidade e consentimento escrito. Os autores
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           peita de malignidade.  O fenómeno da HPE é incomum em   declaram ter recebido consentimento escrito dos pacientes
           outros tumores benignos do tecido conjuntivo, mas frequente   e/ou sujeitos mencionados no artigo. O autor para correspon-
           no TCG. Em ambos os casos mostrados neste trabalho, o exame   dência está na posse deste documento.
           histopatológico, a HPE foi claramente observada.
             A biópsia excisional, com margem de segurança seguida
           de exame anatomopatológico, são essenciais para o correto   Conflito de interesses
           diagnóstico e tratamento do TCG. Recidivas são raras, mas
           quando ocorrem pode ser devido à remoção inadequada.  Nos   Os autores declaram não haver conflito de interesses.
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           dois casos apresentados neste trabalho, não houve recidiva
           após a excisão completa, conforme o acompanhamento clíni-
           co superior a 10 anos de cada lesão.               referências
             No presente estudo, ambos os casos mostram HPE no epi-
           télio e corroboram com a ocorrência da HPE em 50 a 80% casos   1. Vered M, Carpenter WN, Buchner A. Granular cell tumor of
           de TCG.  Até o momento não foi demonstrado que a HPE tenha   the oral cavity: Updated immunohistochemical profile. J Oral
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                                                                 Pathol Med. 2009;38:150 -9.
           influência no prognóstico do TCG, mas acredita -se que, este é   2. Eguia A, Urribari A, Gay Escoda C, Crovetto MA, Martinez-
           um dado muito importante na análise histopatológica, já que   -Conde R, Aguirre JM. Granular cell tumor: report of 8
           em algumas circunstâncias esta pode induzir ao erro no diag-  intraoral cases. Med Oral Patol Oral Cir Bucal. 2006;11:E425 -8.
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